Diário dos testes da F1 #2: de novo Ferrari, armadilha dos pneus frios, surpresa para Pietro

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(De Barcelona) A Ferrari novamente foi a manchete dos testes de pré-temporada da F1 na Espanha. No segundo dia de atividades, mais uma jornada de trabalho bastante sólida para a equipe, desta vez conduzida por Charles Leclerc no SF90.

O monegasco marcou o melhor tempo do dia ainda pela manhã, com 1min18s247. A marca foi obtida com pneu C3, o intermediário na escala de dureza, na primeira volta lançada de um stint de 11.

Para contextualizar melhor, o segundo colocado foi Lando Norris, que usou o pneu C4, mais macio. O inglês da McLaren alternou voltas rápidas com outras de resfriamento para terminar com um tempo 0s3 acima.

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Curioso observar, no entanto, que Norris andou relativamente perto da marca de Leclerc nos dois primeiros setores – passou 0s094 abaixo no primeiro setor, e 0s186 acima no segundo. No último, porém, Leclerc sobrou e foi 0s5 mais veloz, repetindo a competitividade de Sebastian Vettel no mesmo ponto nas atividades de segunda-feira. Ainda é cedo para traçar conclusões definitivas, mas a Ferrari vem forte no setor mais sinuoso do traçado.

Mais uma vez a Ferrari também conseguiu acumular bastante quilometragem: Leclerc completou 157 voltas sem maiores contratempos. Desta vez, apenas a Mercedes obteve mais passagens, com 163.

O time alemão, aliás, mais uma vez dividiu as atividades entre Lewis Hamilton e Valtteri Bottas – e mais uma vez focou suas atividades em longas distâncias. O finlandês terminou com o melhor tempo da equipe, em sexto.

Alexander Albon, da Toro Rosso, e Antonio Giovinazzi, da Alfa Romeo, se juntaram a Norris e optaram por voltas rápidas com o C4 (o segundo mais macio da Pirelli). A esta altura dos trabalhos, os pilotos têm preferido o uso dos pneus C2 e C3.

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Daniel Ricciardo teve mais um dia para se aclimatar com o carro da equipe Renault, mas seus trabalhos acabaram de uma maneira inesperada. O item principal de sua asa traseira se soltou em plena reta, o que fez com que o australiano rodasse e fosse parar na caixa de brita.

“Quando a asa quebrou, foi como entrar na curva com o DRS aberto. Assim que freei, perdi o carro e rodei. Evitei bater no muro e consegui voltar, até porque nos testes ainda não temos tantas peças [de reposição]. Minha manhã acabou ali”, comentou o piloto.

Ricciardo também riu de nervoso na terça-feira (Bruno Ferreira/Projeto Motor)

Mas, para a Renault, o dia ainda assim foi proveitoso. No turno da tarde, Nico Hulkenberg assumiu o volante do RS19 e adiantou uma simulação de corrida, algo importante a se fazer ainda em uma fase tão inicial dos testes.

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A Red Bull continua em seu período de lua de mel com a Honda. Na segunda-feira, o chefe da equipe, Christian Horner, se mostrou encantado com o encaixe da unidade de potência japonesa ao seu chassi, classificando a combinação “a melhor que já teve” neste quesito. A Honda, por sua vez, destacou a “sinergia” de trabalho com a Red Bull Technology, o que ajuda na relação com a Red Bull e a Toro Rosso.

Mas o dia teve um susto no reino de Dietrich Mateschitz. À tarde, Pierre Gasly bateu no início do último setor, quando vinha forçando o ritmo com pneus C3 – ele havia melhorado sua marca no segundo trecho. Mesmo assim, a Red Bull coletou 92 voltas, sem reportar contratempos com a unidade de potência.

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A jornada contou com uma inesperada participação de Pietro Fittipaldi. O brasileiro só estava escalado para atuar parcialmente nos dois últimos dias, mas acabou convocado pela Haas de última hora, já que Kevin Magnussen enfrentou um problema com seu banco – o dinamarquês estava com a cabeça empurrada para baixo dentro do cockpit, o que causou incômodo especialmente nas freadas.

Pietro não teve lá muito tempo para fazer alguma coisa. Saiu da garagem faltando 30 minutos para o fim das atividades, girou com os pneus C3 e anotou 13 voltas. Ele melhorava seu tempo praticamente a cada passagem, mas concluiu o dia em 12º e último na tabela, 1s4 atrás de Lance Stroll. Não é um dia dos mais conclusivos, mas ao menos representou um primeiro contato com o VF-19.

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Uma tendência curiosa marcou os dois primeiros dias de testes em Barcelona. Em ambas as atividades, pilotos escaparam da pista logo nos instantes iniciais e atolaram na brita, provocando bandeiras vermelhas. Na segunda-feira, Kimi Raikkonen foi a vítima; na terça, foi a vez do novato Alexander Albon.

Albon provocou uma bandeira vermelha com dois (!) minutos de sessão (Bruno Ferreira/Projeto Motor)

Os carros estão se mostrando mais ariscos nas voltas de saída de box, especialmente pela mudança das regras para cobertores térmicos que contamos na segunda-feira. No começo do dia, com as temperaturas mais baixas, a situação fica ainda mais delicada. De qualquer forma, fica o recado para o novo cenário, que pode pegar no contrapé dos mais veteranos aos novatos.

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Mais uma vez, nada de sinal da Williams. A equipe ficou de fora da sessão e sequer deu as caras, sendo que a garagem do time apresentava um cenário de lamentar – tudo praticamente vazio, com exceção de um carro de 2018 com a nova pintura.

Williams teve mais um dia parada em Barcelona (Bruno Ferreira/Projeto Motor)

A equipe, porém, espera levar o carro da fábrica, em Grove (Inglaterra), a Barcelona durante a madrugada para, quem sabe, colocar o carro na pista em algum momento da quarta-feira.

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As coletivas de imprensa em Barcelona tinham uma presença diferente: havia câmeras que não eram das emissoras de televisão, especialmente em sessões destinadas à imprensa escrita. Trata-se da produção de um documentário da Netflix sobre os bastidores da F1, que terá mais uma temporada (a primeira, ainda não publicada, foi produzida ao longo de 2018).

Assim ficou o segundo dia em Barcelona:

Pos. Piloto Equipe Tempo Pneu Voltas
1. Charles Leclerc Ferrari 1min18s247 C3 157
2. Lando Norris McLaren 1min18s553 C4 104
3. Kevin Magnussen Haas 1min19s206 C3 59
4. Alexander Albon Toro Rosso 1min19s301 C4 132
5. Antonio Giovinazzi Alfa Romeo 1min19s312 C4 101
6. Valtteri Bottas Mercedes 1min19s535 C3 89
7. Pierre Gasly Red Bull 1min19s814 C3 92
8. Nico Hulkenberg Renault 1min19s837 C3 95
9. Daniel Ricciardo Renault 1min19s886 C3 28
10. Lewis Hamilton Mercedes 1min19s928 C3 74
11. Lance Stroll Racing Point 1min20s433 C3 79
12. Pietro Fittipaldi Haas 1min21s849 C3 13


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Bruno Ferreira

Sempre gostou de automobilismo e assiste às corridas desde que era criança. A paixão atingiu outro patamar quando viu – e ouviu – um carro de F1 ao vivo pela primeira vez. Depois disso, o gosto pelas corridas acabou se transformando em profissão. Iniciou sua trajetória como jornalista especializado em automobilismo em 2010, no mesmo ano em que se formou, quando publicou seu primeiro texto no site Tazio. De lá para cá, cobriu GPs de F1 no Brasil e no exterior, incluindo duas decisões de título (2011 e 2012), além de provas de categorias como Indy, WEC, WTCC e Stock Car.