Diário dos testes da F1 #3: Williams envergonhada, Kvyat solta o jogo

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(De Barcelona) Enfim a pré-temporada da F1 em 2019 contou com a presença da Williams. A equipe conseguiu concluir a montagem básica do FW42 e possibilitou que George Russell acumulasse algumas voltas em Barcelona, o que inicia o trabalho de preparação da equipe em pista para a nova campanha.

O novo modelo chegou ao circuito espanhol durante a madrugada, por volta das 4h locais (0h pelo horário de Brasília). Os mecânicos, então, trabalharam nos detalhes até o fim do intervalo de almoço de quarta-feira, e Russell deixou a garagem pela primeira vez aproximadamente às 14h30.

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A ocasião certamente serve de alívio para a Williams, mas ainda assim se trata de um episódio que destoa da história do time. Vice-diretora da operação fundada por seu pai, Claire Williams admitiu o gosto amargo do início de 2019, especialmente após o ano terrível na temporada passada.

“Não é uma situação na qual gostaríamos de nos encontrar. Não estamos apenas decepcionados, mas sim envergonhados por não conseguir trazer o carro para a pista quando todos os outros conseguiram – particularmente uma equipe como a nossa, que conseguiu entregar um carro para testes em mais de 40 anos”, disse a dirigente em uma concorrida entrevista coletiva acompanhada pelo Projeto Motor.

Claire Williams se recusou a dar detalhes do atraso (Bruno Ferreira/Projeto Motor)

Porém, Claire evitou “lavar roupa suja em público” e não deu uma explicação exata para o atraso. Questionada se havia alguma mudança nos procedimentos da equipe dos últimos anos para cá, desconversou: “Bem, claramente [há]. Mas não vou entrar nos detalhes do que aconteceu, porque não acho que seja o certo a se fazer.”

“Pensávamos que conseguiríamos ter todo o necessário [para andar]na terça, mas as peças simplesmente não chegavam como esperávamos. Então, só conseguimos hoje. Mas não vou dar detalhes – não acho que seja apropriado. Estamos claramente cientes de alguns dos problemas, mas ainda é cedo demais para começar a discuti-los.”

No entanto, Williams explicou que o carro ainda precisa ser finalizado, já que detalhes aerodinâmicos somente chegarão a Barcelona na noite de quarta-feira – o que irá exigir novas adaptações à programação do time.

“Acho que provavelmente haverá algumas concessões que teremos que fazer, e os engenheiros estão trabalhando naquilo em que já podemos agora que o carro está na pista. Eles estão trabalhando duro para garantir que tenhamos um programa abrangente”, detalhou. “O mais importante é que faremos o trabalho de avaliação aerodinâmica nos próximos dias.”

“Então, podemos apenas pedir desculpas. Gostaria de pedir desculpas aos nossos fãs, a todas as pessoas que tiveram de aguentar a pressão em Grove nos últimos dias para ter tudo pronto. E, mais que isso, a George e Robert [Kubica], que estavam ansiosos para andar na segunda. Mas eles foram fantásticos e nos apoiaram bastante.”

Russell, em trabalho de shakedown com o FW42, completou 23 voltas e ficou com o último tempo na tabela.

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Pela primeira vez, um carro da Ferrari não termina à frente na tabela de tempos na pré-temporada de 2019 da F1. A melhor marca do dia foi de Daniil Kvyat, da surpreendente Toro Rosso, que anotou 1min17s704 – o melhor tempo da semana até então.

Mas há uma explicação: Kvyat e Kimi Raikkonen, o segundo colocado, foram os primeiros a usar os pneus C5, os mais macios da Pirelli para a temporada de 2019. Vettel, por sua vez, usou o C3 para fazer seu melhor tempo, obtido na primeira volta de um stint de 11 passagens. O cenário mostra como ainda há margem de ganho na tabela de tempos em relação ao que vimos até aqui. Pouco a pouco as equipes vão “soltando o jogo”, e Kvyat e Raikkonen foram os primeiros a fazer isso na semana.

Kvyat fechou com o melhor tempo do dia (Red Bull Content Pool)

Nos lados de Maranello, o trabalho continuou coerente em relação àquilo que vem sendo feito até o momento. Vettel continuou a se dedicar em adquirir quilometragem e mostrou ritmo sólido, com participações constantes na casa de 1min19s alto/1min20s baixo. E novamente a Ferrari se sobressaiu no travado último setor, mais até do que Kvyat (que estava com pneus dois degraus mais macios): 26s629 para Vettel, contra 26s919 para o piloto da Toro Rosso.

A Mercedes seguiu a receita dos últimos dias e colocou Valtteri Bottas e Lewis Hamilton para acumular quilometragem. Os tempos finais foram pouco representativos, já que ambos registraram marcas melhores somente que Russell.

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Ainda é um estágio complicado para saber exatamente qual é a diferença entre os pneus em termos de tempo. Mas, para efeito de comparação, Nico Hulkenberg realizou dois trechos idênticos em um intervalo curto durante a manhã, de uma volta lançada cada, um com pneus C3, outro com o C4 – foi pouco mais de 0s350 melhor com a borracha mais macia. Porém, pouco a pouco as diferenças vão ficando claras – especialmente no que diz respeito ao ganho que pode ser esperado com o uso do pneu C5, ainda pouco explorado.

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Nesta quarta, Hamilton falou pela primeira vez com a imprensa na semana e, por mais que tenha destacado que a Mercedes quer apenas fazer sua lição de casa neste estágio de preparação, considera que a Ferrari de fato está forte.

“Não acho que dê para quantificar, mas a Ferrari está muito, muito forte, e eles estão conseguindo coletar muita quilometragem também. Então, parece que eles têm um conjunto melhor do que no ano passado”, disse.

“Mas, no momento, não me preocupo com nada. Apenas tento focar em nosso trabalho. Não sei o que os outros estão fazendo. Há diferentes cargas de combustível, e estou neste ramo há tempo suficiente para entender como funciona, especialmente na ida da primeira semana de testes para a segunda. Não é o momento em que devemos focar nos outros.”

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Depois da aparição surpresa no fim das atividades de terça-feira, Pietro Fittipaldi continuou com sua programação de testes com a Haas. No turno da manhã, o brasileiro chegou a parar na pista com problemas elétricos, mas conseguiu concluir sua meia jornada de trabalhos.

Pietro registrou 48 voltas e anotou o quinto melhor tempo antes do intervalo de almoço, calçado com um protótipo alternativo do composto C4 (o segundo mais macio dos cinco disponíveis).

Fittipaldi encerrou sua participação nos testes (Bruno Ferreira/Projeto Motor)

“Um carro de F1 é sempre um carro fantástico de guiar, e ele passa uma ótima sensação. Estou muito feliz. Obviamente, ainda estou ganhando experiência com um carro de F1, preciso de mais quilometragem, mas o carro é muito bom. Senti o carro muito confiável, demos muitas voltas e passamos pelo programa que queríamos, então fiquei muito feliz com a manhã”, disse o piloto ao Projeto Motor.

Pietro estava empolgado com o trabalho realizado, já que o terreno estava preparado novas atividades na quinta – quando guiaria pelo turno da manhã. Porém, seus testes acabaram de forma prematura: Romain Grosjean, que assumiu o carro da Haas à tarde, enfrentou problemas mecânicos e perdeu tempo de pista. Para dar mais quilometragem ao titular, a equipe decidiu colocar apenas Grosjean e Kevin Magnussen na quinta-feira, o que deixa Fittipaldi fora de ação.

Assim ficou o terceiro dia em Barcelona:

Pos. Piloto Equipe Tempo Pneu Voltas
1. Daniil Kvyat Toro Rosso 1min17s707 C5 137
2. Kimi Raikkonen Alfa Romeo 1min17s762 C5 138
3. Daniel Ricciardo Renault 1min18s164 C4 80
4. Sebastian Vettel Ferrari 1min18s350 C3 134
5. Max Verstappen Red Bull 1min18s787 C3 109
6. Nico Hulkenberg Renault 1min18s800 C4 63
7. Romain Grosjean Haas 1min19s060 C3 69
8. Pietro Fittipaldi Haas 1min19s249 C4 48
9. Carlos Sainz McLaren 1min19s354 C3 90
10. Sergio Pérez Racing Point 1min20s102 C3 67
11. Valtteri Bottas Mercedes 1min20s693 C3 88
12. Lewis Hamilton Mercedes 1min20s818 P 94
13. George Russell Williams 1min25s625 C3 23


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Bruno Ferreira

Sempre gostou de automobilismo e assiste às corridas desde que era criança. A paixão atingiu outro patamar quando viu – e ouviu – um carro de F1 ao vivo pela primeira vez. Depois disso, o gosto pelas corridas acabou se transformando em profissão. Iniciou sua trajetória como jornalista especializado em automobilismo em 2010, no mesmo ano em que se formou, quando publicou seu primeiro texto no site Tazio. De lá para cá, cobriu GPs de F1 no Brasil e no exterior, incluindo duas decisões de título (2011 e 2012), além de provas de categorias como Indy, WEC, WTCC e Stock Car.