Do Corsa Piquet à Ferrari Alonso, os carros com grife de campeões da F1

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Pilotos profissionais (em especial os de F1) sempre provocaram fascínio entre motoristas comuns e fãs de carro em geral. Uma relação de empatia e torcida que só é possível no mundo dos esportes. Para tornar a relação mais próxima, mesmo que virtualmente, algumas fabricantes decidiram criar versões que levam a grife de nomes famosos do automobilismo para seus modelos de rua.

O Projeto Motor mostra nove exemplos neste artigo, sempre envolvendo campeões mundiais (como pilotos ou construtores) da principal categoria do automobilismo. Lembrou de algum que não mencionamos ou quer listar edições em homenagem a ases de outros certames? Basta inserir nos comentários.

Honda/Acura NSX

O grande trunfo do Honda NSX – vendido nos Estados Unidos sob a insígnia da subsudiária Acura – foi contar com a participação de ninguém menos do que Ayton Senna no estágio final de desenvolvimento. O modelo não leva assinatura do tricampeão, mas o brasileiro deu importantes dicas para melhorar centro de gravidade, distribuição de peso e rigidez torsional do chassi. Ou seja: quem comprasse a máquinha teria em mãos, basicamente, um carro acertado por Senna, o que não era pouco. A versão definitiva surgiu no Salão de Chicago de 89 e começou a ser vendida no ano seguinte, mantendo-se em produção até 2005.

Desde o lançamento o NSX (sigla para New Sportscar Experimental) foi um cupê construído em base de alumínio, mais leve. O motor era um V6 3.0 com comando variável de válvulas e controle eletrônico de admissão. Em 1995 apareceu a configuração targa top (semiconversível, com colunas e vidro traseiro fixos). Dois anos depois, a marca adotou um V6 maior, de 3,2 litros, e atualizou o visual. Em 2002 veio nova reestilização, que deu sobrevida ao NSX por mais três primaveras. Após hiato de mais de uma década, a segunda geração está prestes a ganhar vida em 2016, agora movida a propulsão híbrida.

Renault Clio Williams

renault_clio_williamsO Projeto Motor já contou a história do Renault Clio Williams neste artigo sobre os safety cars da F1: o modelo celebrava a bem-sucedida parceria ocorrida nos anos 1990 entre a manufatureira francesa e a esquadra de Frank Williams. Embora pequenino, o Clio Williams recebia uma usina 2.0, com quatro válvulas por cilindro e duplo comando variável para admissão e escape, que entregava 147 cv.

Devido à ótima relação peso-potência, a velocidade chegava a 215 km/h. Suspensões e rodas eram preparadas pela Renault Sport para domar a força extra. Inicialmente a edição seria limitada a 3.800 carros, todos fabricados em 93. O sucesso foi tanto que, posteriormente, a marca decidiu lançar séries 2 e 3 da versão, expandindo a vida o hatch invocado até 98, com 18 mil exemplares emplacados.

Chevrolet Corsa e Celta Piquet

Corsa Piquet 3Em 1997, a General Motors atendeu a uma demanda especial da cliente Arisco, à época patrocinadora de Nelson Piquet, e vendeu para a frota da empresa de produtos alimentícios 120 exemplares (os únicos) de uma série especial denominada Corsa Piquet. Baseado na versão Wind 1.0, o Corsinha foi estilizado com pintura amarela Gris, rodas de uma variante mais cara, a GSi, e um emblema com a gota do capacacete do tricampeão nas portas.

Celta-PiquetCinco verões adiante a montadora repetiu a dose com o Celta, desta vez a pedido da companhia de itens de limpeza Assolan. Foram ínfimas 30 unidades, todas com motor “milzinho” e alguns itens exclusivos de acabamento exterior: saias nas laterais e para-choques, rodas de liga de alumínio, pintura no mesmo tom de amarelo do Corsa e nova insígnia grafada no canto das portas.

Ferrari Enzo

Ferrari EnzoApresentada no Salão de Paris de 2002, a Ferrari Enzo (cujo nome original, na verdade, é “Enzo Ferrari”) foi uma homenagem da icônica montadora de superesportivos a seu fundador, usando o que de mais moderno a tecnologia da F1 poderia oferecer a um veículo de rua. Chassi em fibra de carbono, transmissão automatizada eletro-hidráulica de dupla embreagem, freios com discos de carbono-cerâmica e controle de tração são alguns dos componentes.

Sob o capô, a marca estreava um novo V12 6.0 de 660 cv, central-traseiro, que permitia à berlinetta passar de 350 km/h e ir de 0 a 100 km/h em meros 3,14 segundos. À época do lançamento, o modelo era comercializado por cerca de US$ 660 mil. Ficou conhecido por seu forte desempenho e, também, pelo visual controverso. Ao todo foram confeccionadas 400 unidades até 2004, tendo sido a última delas doada ao Vaticano para leilão de caridade.

Fiat Stilo Schumacher

Stilo SchumacherProjetado para suceder o Brava no início da década passada, o Fiat Stilo se tornou um retumbante fracasso. A montadora italiana fez de tudo para alavancá-lo: usou até o renome do heptacampeão Michael Schumacher (à época volante da Ferrari, que pertence ao grupo) para criar, em 2004, uma série especial com seu sobrenome. Na Europa o Stilo Schumacher tinha duas portas e motor 2.4 de cinco cilindros, mas para o Brasil a configuração escolhida usava quatro portas e propulsor 1.8 16V, somente a gasolina, de 124 cv.

Itens como travas e vidros elétricos, direção assistida, ar-condicionado, bancos em couro e teto solar faziam parte do pacote. Nem mesmo a lista robusta de equipamentos e o sucesso do germânico fizeram diferença, contudo. As vendas continuaram fracas e a edição foi descontinuada em 2006, última temporada do teutônico como titular da Scuderia.

Omega Fittipaldi

Omega Fittipaldi 2A fim de promover a última geração do Omega a ser vendida no Brasil (baseada em um projeto da subsdiária Holden na Austrália), a GM lançou, em dezembro de 2010, a série especial Omega Fittipaldi. Embaixador da marca, o bicampeão de F1, campeão da Indy e duas vezes vencedor das 500 Milhas de Indianápolis, Emerson Fittipaldi, emprestou sua grife para tentar dar um ar mais esportivo ao sedã.

Motor o carro tinha: um V6 de 2,6 litros e 292 cv, com injeção direta de combustível. Rodas em liga leve de 17 polegadas de diâmetro também se alinhavam à proposta, mas faltou investir num visual mais chamativo e exclusivo. Como resultado, os planos da GM de vender um segundo lote nunca se concretizaram, e a edição ficou limitada a meros 600 veículos.

Ferrari 599 GTB HGTE 60F1

Ferrari 599 GTB Alonso EditionPara celebrar “6o anos de vitórias na F1” (do GP da Grã-Bretanha de 1951, pelas mãos do rechonchudo argentino José-Froilán González, até o da Grã-Bretanha de 2011, conquistada por Fernando Alonso), a Ferrari mostrou, em dezembro de 2011, uma versão diferente do superesportivo 599 GTB HGTE: a 60F1. A base era a mesma do modelo “convencional”, incluindo motor V12 de 6 litros com bloco de alumínio (aquele mesmo inaugurado pela supracitada Enzo), porém com algumas preparações extras.

Amortecedores menores e barras estabilizadoras reforçadas enrijeceram o conjunto de suspensões. Rodas diamantadas de 20 polegadas e três opções de pintura – uma inspirada na 375 F1 do argentino e duas (conhecidas como Alonso Edition) na 150º Italia do bicampeão espanhol – compunham o pacote decorativo externo. Por dentro, uma pequena placa metálica com assinatura dos dois ases dava o charme final.

Infitini FX Vettel Edition

Com participação direta do atual tetracampeão mundial (à época detentor de “apenas” um título), a Infitini, subsidiária de luxo do grupo Nissan-Renault, desenvolveu entre 2011 e 2012 o FX Vettel Edition. Entre os equipamentos exclusivos da série especial do crossover estavam dutos de ar frontais e spoiler traseiro em fibra de carbono, pintura branca, luzes de posição em LED, saias laterais, rodas de liga leve aro 21 e faróis com máscara negra.

O jovem alemão fez questão que um automóvel com seu nome entregasse desempenho. O motor era o mesmo V8 5.0 com duplo comando de válvulas do FX50, porém dotado de novos sistema de escape e central eletrônica, tendo a potência expandida a 420 cv. A altura foi reduzida em 2 centímetros e o coeficiente aerodinâmico, aperfeiçoado em 30%. Com todo esse trabalho de engenharia, o FX Vettel se tornou capaz de fazer o 0-100 km/h em menos de 5 segundos, tendo a velocidade máxima estimada em 300 km/h.

 Comunicar Erro

Modesto Gonçalves

Começou a acompanhar automobilismo de forma assídua em 1994, curioso com a comoção gerada pela morte de Ayrton Senna. Naquela época, tomou a errada decisão de torcer por Damon Hill em vez de Michael Schumacher, por achar mais legal a combinação da pintura da Williams com o capacete do britânico. Até hoje tem que responder a indagações constrangedoras sobre a estranha preferência. Cursou jornalismo pensando em atuar especificamente com automóveis e corridas, e vem cumprindo o objetivo: formado em 2010, foi consultor do site especializado Tazio de meados de 2011 até o fim de 2013; desde maio de 2015 compõe o comitê editorial do Projeto Motor.