Dois testes inusitados que Schumi fez e que nem todo mundo se lembra

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Os capítulos da carreira de Michael Schumacher na F1 são bastante conhecidos pelo fã de automobilismo. O alemão teve passagem relâmpago pela Jordan, se mudou para a Benetton, atingiu a glória na Ferrari e, depois de três anos aposentado, voltou para a categoria guiando a Mercedes. Até aí, nenhuma novidade.

No entanto, Schumi sentou de maneira breve no cockpit de outras escuderias em situações bastante específicas. As fotos dos acontecimentos circulam pela internet, mas o contexto não é lembrado por muitos. Por isso, o Projeto Motor relembra os episódios em que Schumacher pilotou carros de equipes pelas quais nunca chegou a correr na F1. Confira!

A primeira vez com a Renault, em 1994

Em termos de desempenho, a temporada de 1994 não foi nada ruim para Schumacher. A bordo da equilibrada Benetton B194, o alemão ditou o ritmo em boa parte do ano até conquistar, mesmo que de maneira controversa, o título daquela temporada.

Schumacher Ligier 4
Schumacher experimenta o motor Renault com a Ligier

No entanto, havia alguns aspectos que o chefe da Benetton, Flavio Briatore, queria melhorar para a temporada seguinte, a fim de responder por antecipação à reação da rival Williams. O principal deles era o motor: o Ford V8 utilizado em 94 não era tão competitivo quanto o Renault V10, que equipavam os carros de Damon Hill e David Coulthard.

Assim, para poder contar com os propulsores desejados a partir de 95, Briatore fez uma manobra bastante ousada. O italiano adquiriu parte da equipe Ligier, parceira da Renault, e passou para a Benetton o fornecimento dos motores, deixando a escuderia francesa com os Mugen-Honda.

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A vontade de levar o novo conjunto Benetton-Renault à pista era grande, mas havia um empecilho: a peça não se encaixava de maneira adequada ao chassi B194. Então, para poder avaliar o propulsor, Schumacher foi “emprestado” à Ligier em teste pós-temporada realizado no circuito do Estoril, em Portugal.

Mild Seven no capacete, Gitanes no carro: marcas são concorrentes no ramo tabagista
Mild Seven no capacete, Gitanes no carro: marcas são concorrentes no ramo tabagista

Schumi foi à pista no primeiro dia da bateria, em 14 de dezembro de 1994, uma quarta-feira. A situação de improviso ficou clara em alguns detalhes, como o seu capacete, ainda com os adesivos da Benetton, estampando a marca de cigarros Mild Seven, sendo que a Ligier era patrocinada pela concorrente Gitanes.

O alemão levou o carro à pista e marcou o tempo de 1min20s8, o que o colocaria na terceira colocação do grid de largada do GP de Portugal de 1994 – corrida na qual Schumacher não correu, por estar cumprindo suspensão. Naquela tarde dezembro, o futuro heptacampeão ficou atrás das duas Williams, guiadas por Damon Hill (1min19s5) e pelo piloto de testes Emmanuel Collard (1min20s7).

Schumacher e Brawn "trocam figurinhas" no box da Ligier
Schumacher e Brawn “trocam figurinhas” no box da Ligier

Ao longo dos três dias, a Ligier utilizou mais quatro pilotos: o titular Olivier Panis, Franck Lagorce, Jorg Muller e Massimiliano Papis. Panis virou dois décimos mais rápido que Schumacher na sexta-feira, com os demais ficando mais de um segundo atrás. Os tempos, no entanto, ficaram em segundo plano. A intenção era promover o primeiro contato de Schumi com a Renault, o que acabou resultando na conquista do bicampeonato do alemão em 95.

O favor para a Sauber em Fiorano, 1997

O outro teste curioso de Schumacher também tem relação com motores. Em 1997, a Sauber havia iniciado uma parceria técnica com a Ferrari, algo que dura até os dias de hoje – com um breve hiato quando o time suíço foi adquirido pela BMW, entre 2006 e 2009.

Schumacher guiou o Sauber C16 em Fiorano
Schumacher guiou o Sauber C16 em Fiorano

Àquela altura, Schumacher, já bicampeão do mundo, fazia com a Ferrari uma temporada tensa, com uma disputa acirradíssima contra a Williams de Jacques Villeneuve. Mesmo assim, o alemão concordou em fazer um favor para Peter Sauber, para quem já havia guiado no Mundial de Esporte-Protótipos, antes mesmo de chegar à F1.

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A equipe suíça estava confusa com o rendimento do chassi C16. Enquanto que o veterano Johnny Herbert apresentava bons resultados, como um pódio no GP da Hungria, os demais pilotos que correram com o chassi (Nicola Larini, Gianni Morbidelli e Norberto Fontana) quebravam a cabeça para fazer o carro andar bem, especialmente com baixa quantidade de combustível.

Não teve jeito: Fontana não se encontrou com o C16 em 97
Não teve jeito: Fontana não se encontrou com o C16 em 97

Com isso, a Sauber pediu para que o alemão testasse o carro no circuito particular da Scuderia, em Fiorano, na Itália. O alemão, interessado em conhecer um novo carro que utilizava o mesmo motor que sua Ferrari, aceitou. A sessão aconteceu no dia 12 de setembro.

Por se tratar de um teste secreto, poucas informações ou até mesmo fotos foram divulgadas. O que se viu foi Schumacher guiando um carro sem nenhum adesivo de patrocinador, já que o alemão estava sob contrato com a Ferrari e não podia ostentar marcas ligadas a concorrentes.

De acordo com relatos da época, Schumacher virou 1min00s1 no curto traçado italiano, pouco mais de um segundo mais lento do que havia obtido com o carro da Ferrari daquele mesmo ano.

Quem estava lá viu o alemão sair do carro relativamente satisfeito com o que havia encontrado no modelo da Sauber. No entanto, os frutos esperados acabaram não vindo para a equipe suíça: depois do teste, Fontana e Morbidelli continuaram sofrendo e falharam em marcar um pontinho sequer naquela temporada.

Debate Motor #6 analisa o GP da Hungria de 2015:

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Bruno Ferreira

Sempre gostou de automobilismo e assiste às corridas desde que era criança. A paixão atingiu outro patamar quando viu – e ouviu – um carro de F1 ao vivo pela primeira vez. Depois disso, o gosto pelas corridas acabou se transformando em profissão. Iniciou sua trajetória como jornalista especializado em automobilismo em 2010, no mesmo ano em que se formou, quando publicou seu primeiro texto no site Tazio. De lá para cá, cobriu GPs de F1 no Brasil e no exterior, incluindo duas decisões de título (2011 e 2012), além de provas de categorias como Indy, WEC, WTCC e Stock Car.

  • Paulo

    impensável hoje.