Entenda a desclassificação da Renault do GP do Japão

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O final de semana do GP do México começou com a notícia da desclassificação dos dois carros da Renault da etapa anterior, em Suzuka. A decisão da FIA aconteceu após alguns dias de investigações no sistema de freios da equipe francesa.

A última vez que um time tinha sido desclassificado por completo de uma prova da F1 tinha sido a Sauber no GP da Austrália de 2011. Na época, a FIA descobriu depois da corrida que o desenho da asa traseira do modelo do escuderia suíça estava fora dos parâmetros do regulamento técnico.

Desta vez, no entanto, alguns pontos chamaram a atenção no caso da Renault. Toda investigação no sistema de freios dos franceses começou por conta da denúncia de uma rival, a Racing Point. Logo começaram os questionamentos sobre como a adversária descobriu uma possível irregularidade em um dispositivo que não é possível ser visto de fora do carro.

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A segunda questão foi o fato de a Renault ter sido desclassificada por não estar em conformidade com o regulamento desportivo, e não o técnico, como seria de se esperar em um caso como este, que abrange um sistema de freios.

Qual foi a reclamação contra a Renault

A Racing Point acusou a Renault de ter um sistema com pré-configurações para o balanço dos freios, que alternaria entre os acertos com a distância percorrida pelo carro na pista. Ou seja, o próprio carro identificaria o ponto do circuito em que estava para ajustar a carga do freio. Assim, segundo a equipe inglesa, os carros da adversária estariam fora do regulamento técnico, que não permite sistemas automáticos que alterem o balanço ou qualquer configuração dos freios, o que só pode ser feito pelo piloto.

Uma das provas apresentadas pela Racing Point era um vídeo de câmera on board do carro de Daniel Ricciardo, em que a configuração do balanço do freio que aparece na tela do volante do carro muda sozinha em várias curvas. Isso já tinha sido identificado pela Racing Point durante a pré-temporada em uma filmagem de Ricciardo com uma câmera GoPro em seu capacete. No entanto, por não ter certeza do que se tratava em um primeiro momento, os técnicos do time resolveram esperar ter uma avaliação melhor do caso antes de apresentar um protesto.

Renault e Racing Point em Silverstone
Renault e Racing Point em Silverstone (Foto: Renault Sport)

Mais tarde, já durante o campeonato, a Racing Point chegou a apresentar à FIA um questionamento sobre se um sistema deste tipo seria permitido ou não. Com a negativa da entidade, a equipe passou a juntar provas, incluindo indicações de um ex-funcionário da Renault, sobre o formato.

O protesto veio finalmente após o GP do Japão, em que os carros da Renault terminaram na sexta e décimas posições, com Ricciardo e Hulkenberg, respectivamente. Após uma primeira verificação feita por comissários locais, nenhum problema foi encontrado, porém, a FIA resolveu fazer investigação mais profunda. Para isso, ela lacrou os carros e todos seus sistemas para uma inspeção no programa utilizado pelo modelo da Renault.

Resultado da investigação

A FIA verificou que o sistema de balanço dos freios da Renault não utiliza pré-configurações ajustadas pela distância percorrida pelos carros nem é automático. Isso porque ficou claro que o balanço dos freios é modificado por um botão no volante pelo próprio piloto. Assim, o carro da equipe francesa não foi considerado ilegal do ponto de vista do regulamento técnico, apesar da própria entidade ter admitido que o time explorou “ambiguidades das regras”.

Nico Hulkenberg, da Renault, durante o GP da França de 2019
Nico Hulkenberg, da Renault, durante o GP da França de 2019 (Foto: Renault Sport)

O problema é que o sistema permite que o piloto apenas com um toque no botão faça a reconfiguração do balanço através do sistema, ligado diretamente na ECU (unidade centra eletrônica), peça padrão fornecida pela FIA. Desta forma, o piloto tem menos trabalho para acertar o equilíbrio dos freios e é menos exigido a cada curva.

Na visão da FIA, isso caracteriza um auxílio de pilotagem, o que é proibido pelo regulamento desportivo. Neste, é previsto que o piloto deve ter que pilotar o carro sozinho e sem auxílio. Por isso, a entidade resolveu desclassificar os dois carros, já que considerou que o sistema ajuda na configuração dos freios, o que deveria ser feito exclusivamente pelo piloto.

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A Renault já admitiu que não irá apelar da decisão, por considerar difícil bater de frente para mudar a interpretação sobre o que seria um “auxílio de pilotagem”. Desta forma, ela deve apenas fazer correções em seu sistema. A equipe não perdeu os resultados anteriores porque não existe comprovação que ela utilizou o dispositivo em todas as provas, por isso a desclassificação apenas do GP do Japão.


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