Equipes de F1 que blefaram ou se empolgaram demais na pré-temporada

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O assunto é recorrente todo início de pré-temporada de F1 e aqui mesmo no Projeto Motor já abordamos os cuidados que as pessoas devem ter ao analisar os resultados dos testes pelo fato de cada equipe estar andando com um programa diferente.

Existiram casos ainda dos famosos blefes de times médios e até mesmo grandes, que com o objetivo de atrair atenção da mídia – e assim conquistar algum patrocínio de última hora – ou até de assustar rivais, blefaram durante os treinos antes do campeonato.

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Temos que nos atentar também para as ocasiões em que isso nem aconteceu de propósito, mas às vezes até por uma empolgação exagerada com a tabela de tempos nesta fase da preparação e que se transformou em decepção quando a competição começou para valer.

Precisamos lembrar de apesar de existirem histórias deste tipo em toda história da F1, este tipo de prática de tentar “vencer” a pré-temporada para aparecer se tornou mais apelativa nos anos 2000, quando os testes coletivos começaram a se tornar mais comuns. Assim, os tempos passaram a ser vistos por mais gente pelo fato de passarmos a contar com uma cobertura bem mais extensa. A própria internet ajudou muito na divulgação.

Arrows –2000

A equipe de Tom Walkinshaw vinha de um campeonato de 1999 horrível e ainda vivia uma séria crise financeira. Eles precisavam mostrar aos potenciais patrocinadores que poderiam dar a volta por cima na nova temporada.

Arrows A21 sem patrocínios durante a pré-temporada de 2000
Arrows A21 sem patrocínios durante a pré-temporada de 2000

No meio deste cenário, a Arrows foi para os testes com o seu novo modelo A21 e chamou muito a atenção. Andou na frente quase que o mês de fevereiro inteiro com seu carro todo pintado de preto. Com Pedro de la Rosa e Jos Verstappen ao volante, o time bateu quase todo mundo na pista, ficando com o melhor tempo pelo menos em duas baterias em que se viu uma participação massiva de competidores.

O resultado foi o anúncio entre o final da pré-temporada e o GP de abertura em Melbourne do patrocínio principal com a empresa de telecomunicações Orange e depois ainda com companhia de mídia Lost Boys.

Claro que quando a largada da primeira etapa foi dada, a Arrows não era tudo aquilo. Mas convenhamos também que o carro do time não era horrível e melhorou muito e relação ao ano anterior, principalmente graças à sua velocidade em reta, cortesia do motor Supertec, que nada mais era do que um Renault.

Prost – 2001

Depois de ser a última colocada em 2000, a equipe do francês tetracampeão mundial precisa se mexer. E o agora dirigente precisava de dinheiro urgente para manter seu time vivo também.

Prost P04 na pré-temporada de 2001, todo azul
Prost P04 na pré-temporada de 2001, todo azul

Prost colocou então seu único piloto confirmado, Jean Alesi, para voar na pré-temporada. Em uma bateria de duas semanas consecutivas de testes em Barcelona, entre o final de janeiro e começo de fevereiro, o francês ficou com a segunda melhor marca de todos os dias atrás apenas da Ferrari de Rubens Barrichello.

No dia em que ele fez esse tempo com o modelo AP04, ele meteu quase 1s no segundo colocado da sessão, Giancarlo Fisichella, da Benetton. Achou pouco? Poucos dias depois, Alesi ficou com a melhor marca de uma bateria em que também estiveram Benetton e Arrows, deixando Jenson Button mais de meio segundo atrás.

Tudo bem que a Benetton também não era grande coisa, mas quando o campeonato começou, ficou escancarado que a Prost estava longe do nível parecia ter. A equipe ficou com a nona colocação entre os times da época, com apenas quatro pontos.

Williams – 2009

Assim como Brawn GP e Toyota, a Williams era uma das equipes que apostou no famoso difusor duplo para a temporada de 2009. Por isso, quando os resultados começaram a aparecer nos testes, logo todos a colocaram entre as favoritas.

Nico Rosberg com sua Williams de 2009: muita expectativa e poucos resultados
Nico Rosberg com sua Williams de 2009: muita expectativa e poucos resultados

O mais incrível é que os primeiros resultados na pré-temporada não eram bons. E, de repente, quando mais gente começou a prestar a atenção no que estava acontecendo na Brawn no começo de março, o time de Frank Williams parece que resolveu se mexer.

Em Barcelona, Nico Rosberg foi o terceiro colocado dos quatro dias de treinos, atrás apenas da dupla Button e Barrichello da Brawn. Na semana seguinte, em Jerez, Kazuki Nakajima liderou a bateria, a última antes da estreia na Austrália, com quase meio segundo de vantagem para o inglês e seu carro todo branco.

Quando as luzes se apagaram em Melbourne, o FW31 não se mostrou um carro horrível, de fim de pelotão, mas esteve muito longe de brigar com Brawn GP e Toyota. O time acabou se colocando mais na briga com o segundo pelotão daquele momento, formado por Red Bull, Ferrari, McLaren, BMW e até mesmo Renault.

Durante o ano, sem dinheiro para investir, a equipe inglesa foi engolida, e terminou com uma decepcionante sétima posição entre os construtores com apenas 34,5 pontos.

Sauber – 2010

Era um momento muito difícil para a Sauber. A equipe deixava de ser um time de fábrica da BMW e retornava para aos mãos de Peter Sauber, que tentava apenas desesperadamente salvar sua criação. Sendo assim, o time, sem patrocinadores para bancar a conta, precisava mostrar que ainda contava com algum fôlego, apesar da saída da montadora alemã.

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Sendo assim, os suíços não tiveram vergonha nenhuma de colocar Kamui Kobayashi e Pedro de la Rosa apenas para acelerar o C29 na pré-temporada. Nos primeiros testes, em Valência, os dois ficaram nas terceira e quarta posições, atrás apenas das duas Ferrari.

A F1 seguiu com seu circo para Jerez, no meio de fevereiro, e o japonês repetiu o bom desempenho, em terceiro, por duas baterias seguidas, cada uma com quatro dias de treinos no circuito da Andaluzia.

A última sequência de testes aconteceu no final do mês, em Barcelona, quando os tempos finalmente deram um sinal de alerta, com nenhum dos dois pilotos do time ficando entre os dez primeiros. Como era de se esperar, 2010 foi um ano dificílimo para a Sauber, que marcou seus primeiros pontos apenas na sétima etapa, na Turquia, e terminou o ano com a oitava posição entre os construtores.

McLaren – 2013

Sergio Perez, com sua McLaren, em 2013
Sergio Perez, com sua McLaren, em 2013

A McLaren já vivia tempos conturbados e em 2013 perdia sua principal estrela, Lewis Hamilton, para a Mercedes. Sendo assim, a equipe sabia que precisava acertar a mão e fazer uma boa temporada em 2013 para se manter entre as grandes.

E a pré-temporada foi uma grande gangorra. É difícil saber se a McLaren blefou ou apenas se enganou na dose enquanto os rivais estavam mais conservadores, mas o melhor tempo de Sergio Pérez em Barcelona na segunda das três baterias de testes fez muita gente ficar otimista quanto ao modelo MP4-28.

Só que quando o campeonato começou, todos puderam ver a dura realidade. O time de Woking andou mal na maior parte da temporada, longe dos líderes, e terminou com uma pífia quinta posição entre os construtores, mais próxima da sexta colocada, Force India, do que da quarta, Lotus.

 

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Lucas Santochi

Mais um fanático da gangue que criou vínculo com automobilismo desde a infância. Acampou diversas vezes nas calçadas ao redor de Interlagos para assistir aos GPs e nunca esqueceu a primeira vez que, ainda do lado de fora do autódromo, ouviu o barulho de F1 acelerando pela reta. Jornalista formado em 2004, passou por redações na época da TV Band e Abril, teve experiência na área de assessoria de comunicação esportiva até chegar ao site especializado em esporte a motor Tazio, em 2010. Passou pelas funções de redator, repórter (cobrindo diversas corridas no Brasil e exterior de F1, Indy, WEC, Stock Car, entre outras) e subeditor até o final de 2013, quando o veículo encerrou suas atividades. Trabalhou ainda como redator do UOL Esporte em 2014 até que decidiu se juntar com os outros três membros do Projeto Motor para investir na iniciativa.