Especial 20 anos sem Fangio #4: as 10+ do pentacampeão

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A seção 10+ desta semana do Projeto Motor entra no clima do especial que o site está promovendo nesta semana em celebração à memória de Juan Manuel Fangio, pentacampeão mundial de F1, que morreu exatamente há 20 anos, em 17 de julho de 1995.

Nesta edição, vamos lembrar dez momentos marcantes da carreira do argentino, utilizando a ordem cronológica em vez da usual classificação que segue do 10º ao 1º lugar que normalmente é utilizada nesta série.

E não deixe de entrar nos outros textos publicados durante esta semana em homenagem a o piloto, um dos maiores – se não o maior – de todos os tempos:
#1: o amigável sequestro em Cuba
#2: até o campeão começou como piloto pagante
#3: o maior de todos os tempos é argentino
#5: Na Tela com documentário e entrevista de Fangio

Confira as 10+ de Fangio:

1 – GP DE SAN REMO DE 1949, O CARTÃO DE VISITA

A prova na cidade italiana foi a primeira vitória de Fangio na F1, ainda no período pré-Mundial. Fangio já tinha feito uma prova, em 48, no GP de Reims, em que abandonou com um Simca Gordini. Desta vez, com uma Maserati 4CLT/48 bancada pelo Automobile Club da Argentina, ele dominou com a maestria que lhe era característica as duas baterias realizadas nas ruas de San Remo para ficar com a vitória.

2 – GP DE MÔNACO DE 1950, A PRIMEIRA VITÓRIA NA F1

Em sua primeira vitória no Mundial, Fangio largou na pole e liderou no começo ao fim, inclusive com uma volta de vantagem. Mas, para isso, superou um susto logo nas primeiras voltas: o trecho da Tabacaria foi molhado por uma onda sem que os pilotos percebessem. Vários bateram, mas Fangio seguiu incólume. Na volta seguinte, o local ainda estava um caos, mas o argentino ficou atento ao perceber a reação agitada das arquibancadas. Mais que velocidade, mostrou sensibilidade ao volante.

3 – GP NÃO-OFICIAL DE MONZA DE 1952, O ACIDENTE MAIS GRAVE

Por muito pouco a carreira de Fangio não foi interrompida de forma trágica antes de sua consagração definitiva. Em 52, o argentino disputou uma prova não-oficial em Monza, tendo chegado à pista pouco antes da largada. Isso porque havia perdido um voo e decidiu viajar de carro desde Paris. Cansado, Fangio cometeu um erro na curva Di Lesmo e sofreu um duro acidente, que fraturou seu pescoço e o deixou internado por mais de quatro meses. Por isso, ele ficou afastado de toda a temporada de 52.

4 – GP DA ARGENTINA DE 1954, O SHOW NA CHUVA

Fangio no GP da Argentina de 54, segurando as pontas com o Maserati 250F enquanto as flechas-de-prata não ficavam prontas
Enquanto flecha-de-prata não ficava pronta, Fangio se virava com o Maserati 250F

Enquanto os Mercedes W196 não ficavam prontos, Fangio se virou nas primeiras etapas de 54 correndo pela Maserati. O 250F perdia em velocidade para as Ferrari 625, mas o Maestro deu um show sobre pista molhada na etapa de abertura, em Oscar Gálvez. Com pista seca, não era páreo para Nino Farina e Froilán González, mas, quando veio a chuva, superou os rivais e venceu de forma inesperada.

5 – GP DA BÉLGICA DE 1954, A ÚLTIMA ANTES DE VESTIR PRATA

Fangio venceu em Spa com a Maserati antes de guiar a Mercedes
Fangio venceu em Spa com a Maserati antes de guiar a Mercedes

Em sua despedida da Maserati, Fangio voltou a mostrar sua imponência no circuito de Spa-Francorchamps, na época com 14 km de extensão. Para isso, teve de brigar cabeça a cabeça com as Ferrari de Farina e González, a exemplo do que havia acontecido na prova anterior, na Argentina. O duelo com o italiano foi intenso, mesmo com Fangio enfrentando um problema com a viseira de seu capacete. Com o abandono de Farina, venceu com tranquilidade antes de seguir carreira com as Flechas de Prata.

6 – GP DA INGLATERRA DE 1955, A POLÊMICA COM MOSS

Deixou passar ou não? Fangio levou este segredo ao catafalco: já com o tri praticamente assegurado na rodada de Aintree, quinta e penúltima do certame, passou a prova toda trocando ultrapassagens com o companheiro de Mercedes Stirling Moss. No fim, o britânico recebeu a bandeirada 0s2 à frente, deixando o portenho em segundo (o suficiente para confirmar o título).  Muitos juram que Fangio deixou o colega vencer.

7 – GP DE MÔNACO DE 1956, A MELHOR CORRIDA SEM VITÓRIA

Eleita pelo próprio Fangio a maior atuação em que ele não triunfou. Após perder a ponta para Moss (então na Maserati) na largada, o volante do Lancia-Ferrari D50 rodou tentando perseguir o algoz. Teve de buscar o bólido companheiro Peter Collins nos boxes e reiniciou, de maneira insana, a captura. Em vão: apesar de todo o esforço, a vantagem era imensa e o britânico ficou com a vitória por 6s.

8 – GP DA ITÁLIA DE 1956, A POLÊMICA COM COLLINS

No último páreo de 1956, tanto Fangio quanto Collins tinham chances de título. O troféu do Maestro estava quase assegurado quando, na 18ª volta, a Ferrari #22 sofreu uma falha no braço da direção e teve de parar nos boxes. Com Collins no terceiro posto, o título de Fangio de repente ficou em xeque. No entanto, giros depois, o inglês desistiu de perseguir o líder Stirling Moss e também do caneco. Num controverso ato de altruísmo, Collins deu a #26 a Fangio, que terminou em terceiro e se tornou tetracampeão.

9 – GP DA ALEMANHA DE 1957, A ATUAÇÃO DO SÉCULO

Largando da pole, Fangio perdeu terreno nos metros iniciais do páreo em Nurburgring, mas já no terceiro giro, passou a liderar o pelotão. Um problema então ocorreu na 12ª volta: prejudicado por um serviço ruim da Maserati nos pits, o Maestro caiu para terceiro, 51s atrás de Mike Hawthorn e Peter Collins. Veio então a mágica: Fangio fez um tempo 8s2 mais rápido do que o da pole, passou a virar como um insano na pista e superou os dois adversários juntos na penúltima volta. Com esse magnum opus, garantiu seu pentacampeonato.

10 – AS CORRIDAS FINAIS EM 1958

Fangio, em sua última prova na F1, em Reims (Divulgação)
Fangio, em sua última prova na F1, em Reims (Divulgação)

Fangio se aposentou abruptamente da F1 no verão europeu de 1958. Mas, mesmo às vésperas do retiro, o argentino ainda colecionava pequenas vitórias. No GP da Argentina, fez a pole, mas se enganou na tática de pneus e terminou em quarto. Na França, em seu último páreo, também fechou em quarto. Mas o respeito dos adversários pelo Maestro era tão grande que, no giro derradeiro, o líder Mike Hawthorn freou para não pôr uma volta no argentino. Assim, Fangio pôde encerrar sua trajetória na F1 completando um percurso inteiro de GP.

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