Estrelas há 10 anos, Raikkonen e Alonso entram em decadência perigosa

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Fernando Alonso e Kimi Raikkonen, dois dos nomes mais importantes dos últimos anos da F1, ambos campeões mundiais, estão a cada dia dando sinais que iniciam em 2015 o declínio que marca o final da carreira de qualquer esportista. Os motivos para esta situação são muitos, físico, técnico, ou, em alguns casos, a simples questão de não conseguir estar mais no lugar certo na hora certa.

Há exatos 10 anos, esses dois despontaram como os potenciais grandes nomes da era pós-Schumacher. Após já demonstrarem seu talento em diversas oportunidades, em 2005 eles competiram roda a roda pelo título.

Naquele ano, o espanhol levou a melhor sobre o finlandês. No seguinte, ele venceria o campeonato de novo, desta vez batendo Schumacher. Em 2007, seria finalmente a vez de Raikkonen, se aproveitando da briga interna na McLaren entre o próprio asturiano e o novato Lewis Hamilton.

Os dois, assim, pareciam confirmar as previsões. Só que, a partir de 2008, vieram Hamilton e Sebastian Vettel. O nórdico perdeu o emprego na Ferrari e foi competir no Mundial de Rali, substituído justamente por Alonso. Este, em cinco anos de Maranello, acumulou três vice-campeonatos e muitas frustrações.

Na volta à F1, pela Lotus, Raikkonen voltou a arrastar a atenção dos fãs graças ao seu jeito boêmio e suas respostas monossilábicas, muitas vezes atravessadas aos repórteres. Dentro da pista, ele também mostrou resultados, com vitórias e um desempenho bastante regular, que lhe valeu o terceiro lugar em 2012.

Alonso e Raikkonen em pódio da temporada de 2005 (McLaren/Divulgação)
Alonso e Raikkonen em pódio da temporada de 2005 (McLaren/Divulgação)

Curiosamente, os dois se encontraram em 2014 na própria Ferrari, agora como companheiros. Kimi teve um ano muito, mas muito ruim, enquanto que Alonso, desgastado e mostrando uma certa falta de entrosamento com a nova direção da equipe e da empresa, acabou decidindo sair ao final da temporada, dando lugar a Vettel.

E 2015 começa jogando uma dura realidade na cara dos dois: os bons tempos passaram e ambos podem estar encarando o começo do fim de suas carreiras na F1.

Raikkonen tem contrato apenas até o final do ano e seu desempenho, apesar de alguns brilharecos, como no GP do Bahrein, não é suficiente para justificar sua permanência. Em Montreal, no último domingo, ele começou a prova em terceiro, e pelo ritmo inicial parecia que o pódio era certo. Um erro no hairpin – justificado depois como um problema no mapeamento do motor que deixou o torque acima do desejado para aquele ponto – o tirou completamente da briga pelos dois primeiros lugares. Só que depois, não conseguiu nem incomodar Valtteri Bottas pelo terceiro.

Suas atuações em tomadas de tempo também são decepcionantes. Para se ter uma ideia do desempenho pífio do finlandês, a diferença média dele para o companheiro, Vettel, é de 0s545, a segunda maior do grid, atrás apenas da surra de Will Stevens sobre Roberto Merhi na Marussia. O GP do Canadá foi o primeiro em que ele conseguiu largar à frente do parceiro, mas só porque o alemão teve problemas e não passou do Q1.

No campeonato, ele perde por 108 a 72, isso depois de um 2014 em que tomou 161 a 55 de Alonso. A situação não é das mais promissoras.

E a de Alonso? Considerado por muitos o melhor piloto da categoria há anos, se meteu em confusões de bastidores que lhe custaram os empregos na McLaren ao final de 2007 e o da Ferrari no ano passado. Por mais que fale que ele decidiu voltar ao time inglês, sua situação em Maranello era insustentável.

Agora, perto de completar 34 anos, se vê obrigado a iniciar um novo projeto com a McLaren-Honda, em que os primeiros resultados não são nada animadores. No Canadá, ele já demonstrou parte desta frustração em um rádio flagrado pela transmissão quando a equipe pediu para que ele economizasse combustível.

“Não quero! Não quero! Já tenho grandes problemas agora. Pilotar com isso, parecendo um amador. Então, eu corro e depois me concentro no combustível”.

A questão que muitos já fazem é se Alonso terá paciência para esperar sua equipe e a fornecedora japonesa de motores conseguirem evoluir a ponto de lhe darem uma nova chance de disputar um título. Tudo indica que, se isso acontecer, ele já estará bem mais velho e talvez não mais nas condições físicas e técnicas ideais para isso (acontece com qualquer piloto).

Só que o problema é maior do que esse. Qual outra opção ele tem, a essa altura de sua carreira? Ferrari de novo? Mercedes? Williams? Red Bull? Alonso pode se ver ao final de 2015 ou de 2016 não mais como uma das peças principais no tabuleiro do mercado de pilotos, e sim, como um peão que se move dependendo das novas estrelas, como Hamilton, Vettel e outros que devem surgir (Bottas? Daniel Ricciardo?). E assim, ter que se contentar apenas em novas oportunidades que dependem de apostas.

Por tudo isso, fica cada vez mais evidente que estes dois grandes pilotos, que há 10 anos pareciam que tomariam a F1 de assalto, estão mesmo com seus dias contados. Raikkonen pode já não estar na F1 em 2016. E Alonso corre o grande risco de se tornar apenas mais um no meio do pelotão pelas suas próximas e derradeiras temporadas.

Confira o Debate Motor #2, com análise do GP do Canadá:

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Lucas Santochi

Mais um fanático da gangue que criou vínculo com automobilismo desde a infância. Acampou diversas vezes nas calçadas ao redor de Interlagos para assistir aos GPs e nunca esqueceu a primeira vez que, ainda do lado de fora do autódromo, ouviu o barulho de F1 acelerando pela reta. Jornalista formado em 2004, passou por redações na época da TV Band e Abril, teve experiência na área de assessoria de comunicação esportiva até chegar ao site especializado em esporte a motor Tazio, em 2010. Passou pelas funções de redator, repórter (cobrindo diversas corridas no Brasil e exterior de F1, Indy, WEC, Stock Car, entre outras) e subeditor até o final de 2013, quando o veículo encerrou suas atividades. Trabalhou ainda como redator do UOL Esporte em 2014 até que decidiu se juntar com os outros três membros do Projeto Motor para investir na iniciativa.

  • Erik Luiz

    Discordo com relação ao carro da mclaren, é um carro bom, o GP de Mônaco prova isto, apenas o motor Honda é muito fraco, a Willians que dizem que o carro é bom, depende de seu(BOM) motor Mercedes, o GP de Mônaco prova também que o carro da Willians não é tão bom assim, Raikkonen é atrapalhado por sua vida boêmia e demostra não ter ambição na F1, já Alonso é bom piloto, mas não o melhor da F1 e nem entre os melhores, é reclamão e esteve envolvido em alguns escândalos na F1, casos da batida de Nelsinho Piquet na nos tempos de Renault e o caso de espionagem na Mclaren.

  • Gustavo Segamarchi

    Eu tenho certeza, que o Raikkonen não fica na Ferrari o ano que vem. Quem seria o escolhido, então?

    Valtteri Bottas, ele já tem o seu nome dado como certo na Ferrari, é um piloto arrojado e que ontem conseguiu levar o carro da Williams ao 3º lugar do pódio.

    Quanto ao Alonso, ele ainda é um baita piloto, só não está com um bom equipamento nas mãos. Não acredito que o Alonso esteja entrando em declínio, pois como já citei, o carro não é bom.

    O Raikkonen já passou da hora de parar, mesmo. Mas o Alonso é o Alonso.