Ex-promessa, Nelsinho busca redenção na F-E após 11 anos de decepções

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Considerado uma grande promessa do automobilismo brasileiro nos anos 2000, Nelsinho Piquet acabou não concretizando a expectativa de títulos internacionais que ele mesmo formou com bons desempenhos nas categorias de base.

Só que as coisas não seguiram como o esperado. Seu último título foi em 2004, na F3 Inglesa, categoria que nem mesmo existe mais. No próximo final de semana, no entanto, ele tem finalmente a chance de levar para casa o campeonato da Fórmula E, que mesmo estando apenas em sua primeira edição, já vem chamando a atenção ao redor do mundo e carrega a chancela de “Mundial da FIA”.

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Em entrevista coletiva nesta quinta-feira, questionado sobre o assunto pelo Projeto Motor, o piloto da equipe China explicou que essa seca se deve ao caminho que ele traçou para si mesmo nos últimos anos.

“Eu tomei um caminho diferente para minha carreira do que todo mundo. Não fui para uma Indy ou DTM ou algo assim, algo mais fácil de vencer um campeonato. Escolhi correr de coisas muito mais desafiadoras, como Nascar, RallyCross. Algo mais rápido, muito mais difíceis do que o caminho normal que a maioria dos pilotos toma após deixar a F1”, afirmou.

Apesar do projeto de se tornar um campeão, principalmente na Nascar, não ter dado certo nestas outras categorias, ele afirmou que sua trajetória profissional acabou lhe servindo como uma grande formação.

“É verdade, faz um tempo que eu não venço um campeonato. Mas eu ganhei muita experiência nos últimos anos que eu corri em todos esses campeonatos diferentes. Elas me ensinaram muitas coisas.”

Nelsinho Piquet, em seu carro da Fórmula E (Divulgação)
Nelsinho Piquet, em seu carro da Fórmula E (Divulgação)

Piquet chega à última etapa, uma rodada dupla em Londres, como favorito por estar na ponta da tabela. Seu principal concorrente é um velho conhecido, Lucas di Grassi. Os dois se encontraram em diversos momentos da carreira, inclusive naquele longínquo campeonato da F3 de 11 anos atrás. O suíço Sébastien Buemi, outro ex-F1, também tem chances.

O filho do tricampeão mundial tenta, assim, acabar com sua sequência de decepções que começou desde a estreia na F1. Seu desempenho na categoria foi bem abaixo do esperado por diversos motivos. Uma Renault em decadência e a comparação direta com o companheiro bicampeão Fernando Alonso ainda como novato não ajudaram.

Depois, a cereja no bolo acabou sendo o escândalo do GP de Cingapura de 2008, que o deixou em situação muito difícil para um dia voltar a correr no certame.

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O caminho foi os Estados Unidos, com o objetivo de se tornar o primeiro brasileiro a triunfar na Nascar. Piquet conseguiu três vitórias em categorias de acesso, mas nunca disputou o título e teve que desistir do sonho antes mesmo de fazer uma temporada completa na série principal.

Os anos se passaram e ele, enfim, tem a chance de acabar com essa seca em um campeonato novo, que aposta na novidade dos carros elétricos.

Rivalidade com Di Grassi

Como já foi mostrado aqui no Projeto Motor por Bruno Ferreira, o embate entre Piquet e Di Grassi não vem de hoje e até já prejudicou a carreira de ambos. Na Fórmula E, a história ressurgiu.

Nelsinho afirmou que realmente não faz questão de ser amigo do compatriota por serem “diferentes tipos de pessoa” e terem “tipos de amigos diferentes”.

Depois de tentar apaziguar a questão, porém, ele não perdeu a oportunidade de, mais uma vez, esnobar o rival lembrando antigos embates entre eles nas diversas categorias em que se encontraram.

“Na pista, eu nunca tive problema, eu o bati [Di Grassi] durante a minha carreira inteira, então, nunca foi realmente um problema para mim.”

Sequência na Fórmula E

Nelsinho, que também corre no RallyCross, continuará competindo regularmente na Fórmula E pela sua atual equipe, China Racing, na próxima temporada.

O brasileiro admite que a categoria ainda precisa se consolidar por mais alguns anos, mas que ela já se mostra como um potencial porto seguro para pilotos que querem ser profissionais fora do mercado de F1-WEC-Indy-Nascar.

“Se você faz dinheiro correndo, já é um profissional. Tem muita gente ganhando dinheiro durante o ano [na Fórmula E]. Isso significa que pode ser um caminho. Ainda é um pouco cedo para dizer. Ainda está no começo, ainda não sabemos o que vai acontecer nos próximos dois anos. Tenho certeza que tem muita gente vivendo disso aqui.”

A competição conta com um grid de 20 pilotos, sendo que 10 já correram na F1. Além disso, algumas equipes possuem boas estruturas e experiências de outros campeonatos, e até mesmo apoio de montadoras como Audi e Renault.

Por outro lado, o ex-Nascar explica que a F1 ainda apresenta mais desafios para um piloto por se tratar de um tipo de competição que exige estar mais próximo do limite por mais tempo.

“É diferente. Você não está pilotando no limite do carro o tempo todo, pois aqui você tenta ser eficiente. É menos no limite do que pilotar um carro de F1”, concluiu.

A decisão da Fórmula E acontece com uma rodada dupla neste sábado e domingo, com provas às 11h30 [de Brasília], ambas com transmissão ao vivo do Fox Sports.

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Lucas Santochi

Mais um fanático da gangue que criou vínculo com automobilismo desde a infância. Acampou diversas vezes nas calçadas ao redor de Interlagos para assistir aos GPs e nunca esqueceu a primeira vez que, ainda do lado de fora do autódromo, ouviu o barulho de F1 acelerando pela reta. Jornalista formado em 2004, passou por redações na época da TV Band e Abril, teve experiência na área de assessoria de comunicação esportiva até chegar ao site especializado em esporte a motor Tazio, em 2010. Passou pelas funções de redator, repórter (cobrindo diversas corridas no Brasil e exterior de F1, Indy, WEC, Stock Car, entre outras) e subeditor até o final de 2013, quando o veículo encerrou suas atividades. Trabalhou ainda como redator do UOL Esporte em 2014 até que decidiu se juntar com os outros três membros do Projeto Motor para investir na iniciativa.

  • Gustavo Segamarchi

    Vai Nelsinho, estou torcendo para você ser campeão, cara!