Fatos aleatórios (e esquecidos) da F1 nos anos 2010

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O encerramento da temporada de 2019 da F1 também representou o fim de um período simbólico, já que também foram concluídas as ações da categoria na década de 2010. 

Trata-se de um período incomum pelo fato de que apenas três campeões foram coroados – Sebastian Vettel (2010-2013), Lewis Hamilton (2014-2015, 2017-2019) e Nico Rosberg (2016). Entre as equipes, apenas duas se sagraram campeãs: Red Bull e Mercedes. Nenhuma outra década teve tão pouca variação. 

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Assim, pode-se dizer que a F1 dos anos 2010 foi marcada pelos grandes domínios. Mas, por outro lado, seria raso resumir o período somente a isso, já que houve outros fatos de menor importância que chamaram a atenção, mas que, por uma razão ou outra, acabaram esquecidos.

É disso que falaremos neste artigo: acontecimentos aleatórios da F1 nos anos 2010 e que nem sempre são lembrados de primeira pelos fãs. Caso você tenha alguma sugestão que deixamos passar, comente no espaço abaixo que faremos uma segunda parte! 

Participações inesperadas no grid

Andre Lotterer pela Caterham (Foto: Pirelli)

O tamanho do grid da F1 oscilou durante a década de 2010, indo de 24 carros, descendo até 18 e se estabelecendo nos atuais 20. A eventual limitação de vagas fez com que algumas participações esporádicas e aleatórias, algo tão comum nas décadas de 70, 80 e 90, ficassem mais improváveis de se repetir no atual decênio. Mesmo assim, alguns casos ainda se destacam. 

Em 2014, a F1 retornou de suas férias de agosto com uma notícia surpreendente: Andre Lotterer, três vezes vencedor das 24 Horas de Le Mans e campeão do WEC, estrearia na categoria na Caterham, substituindo Kamui Kobayashi. Antes da notícia ser oficializada, não havia indicativo algum de que Lotterer estava próximo de uma vaga na F1, uma vez que o alemão ainda estava bastante atarefado com suas atividades pela Audi no WEC e na Super Fórmula japonesa. 

Por mais que Lotterer tenha guiado o modelo CT05-Renault pela primeira vez já nos treinos livres de sexta-feira, ele esteve longe de fazer feio. Andou na mesma balada do parceiro, Marcus Ericsson, durante todos os treinos livres, e superou o sueco em uma classificação encharcada. Sua corrida, porém, durou pouco, pois seu motor apresentou falhas ainda no início das ações.

Foi a única participação de Lotterer na F1, já que na corrida seguinte, em Monza, Kobayashi retornou ao volante da Caterham. 

Button em seu retorno pela McLaren (Foto: F1)

Um outro campeão fez uma participação surpresa na F1 em 2017. Jenson Button, que havia se retirado da categoria ao fim do ano anterior, foi convocado pela McLaren para voltar no GP de Mônaco, já que Fernando Alonso se ausentaria da prova para competir nas 500 Milhas de Indianápolis. 

Seria a primeira vez que Button pilotaria os carros da nova geração, mais largos e com mais aderência. E isso aconteceria logo em Monte Carlo, uma pista traiçoeira e com pouca margem para erro. 

Button se adaptou bem às novidades e conseguiu levar o McLaren-Honda ao Q3. No entanto, devido a uma punição por troca de motor, o campeão de 2009 teve de partir do fundo do grid, o que praticamente impossibilitou qualquer chance de bom resultado em Mônaco. Button abandonou as ações na volta 57, quando jogou Pascal Wehrlein aos ares e quebrou sua suspensão. 

Paul di Resta pela Williams (Foto: Williams)

Uma outra participação surpresa aconteceu em 2017. Felipe Massa não se sentiu bem durante as atividades do GP da Hungria e precisou ser substituído pouco antes da classificação, o que resultou no primeiro GP desde 1982 sem brasileiros no grid

Quem foi convocado foi Paul di Resta, que ocupava função de piloto de desenvolvimento da Williams. O escocês, campeão do DTM em 2010 e com passagem pela Force India entre 2011 e 2013, nunca havia guiado o Williams FW40, o que deixou sua missão ainda mais difícil. Mesmo assim, Di Resta fez um trabalho correto: ficou em penúltimo no grid, duas posições e 0s7 atrás do parceiro, Lance Stroll, e andou no fundão até a volta 60, quando abandonou com problemas mecânicos.

Kovalainen na Lotus em 2013 (Foto: Lotus)

Por fim, uma participação que foi mais discreta do que se esperava. Em 2013, Kimi Raikkonen vinha em campanha forte com a Lotus, tão forte que lhe rendeu uma surpreendente segunda oportunidade na Ferrari a partir de 2014. A fim de chegar 100% para sua preparação para Maranello, o finlandês optou por ficar de fora das duas últimas etapas de 2013 para realizar uma cirurgia na coluna.

A Lotus sondou a possibilidade de promover o reserva, Davide Valsecchi, ao cockpit. No entanto, a pouca experiência do campeão da GP2 foi um empecilho, já que a equipe queria pontuar o máximo possível para se manter forte no Mundial de Construtores. 

Desta forma, a Lotus convocou Heikki Kovalainen, que já tinha seis temporadas no currículo, com direito a uma vitória no GP da Hungria de 2008. Mais que isso: o finlandês vinha ativo na F1 em 2013, com sessões de testes com a Caterham, além de conhecer bem as operações de Enstone desde seus tempos de Renault. 

Na pista, o desempenho não agradou tanto. Kovalainen foi superado com folga por seu então parceiro, Romain Grosjean, e terminou tanto o GP dos Estados Unidos quanto o GP do Brasil em 14º lugar, ou seja, fora da zona de pontuação. Não era o tipo de resultado que a Lotus tinha em mente. 

Pilotos atuais em equipes aleatórias

Ricciardo estreou na F1 pela HRT (Foto: HRT)

A década de 2010 viu o surgimento de várias estrelas que agora compõem o grid da F1 na virada para 2020. A trajetória destes pilotos seguiu caminhos distintos, incluindo aparições em equipes que nem sempre são lembradas. 

Protegido da Red Bull de longa data, Daniel Ricciardo vinha se aproximando da titularidade na F1, com testes em 2009 e 2010, além de sessões de treinos livres de sexta-feira pela Toro Rosso durante toda a primeira metade da temporada de 2011. Naquele mesmo ano, porém, a Red Bull julgou que o piloto já estava pronto para estrear de vez na categoria e providenciou uma vaga na pequenina Hispania, 

Ricciardo competiu ao lado de Vitantonio Liuzzi naquela que seria uma fase de adaptação até a chegada do australiano à Toro Rosso em 2012. Com um carro sofrível, Ricciardo pouco pôde fazer: obteve apenas dois 18º lugares como melhores resultados e foi batido por 6 a 4 nos duelos de classificação contra Liuzzi. 

Ocon testando pela Lotus em 2014 (Foto: Lotus)

O parceiro de Ricciardo em 2020, Esteban Ocon, também teve um caminho relativamente penoso até poder se estabelecer na F1. Sua chance só veio em 2016, quando já era um piloto protegido da Mercedes e, assim, conseguiu uma vaga na nanica Manor na fase final da temporada. 

Antes disso, porém, Ocon teve suas primeiras experiências na F1 justamente com a antecessora da Renault, a Lotus. Quando tinha sua carreira gerenciada pelo Gravity Management (de posse do Genii Capital, grupo então proprietário da Lotus), o jovem francês chegou a realizar um treino livre de sexta-feira pela operação de Enstone. Em Abu Dhabi, 2014, Ocon ficou em 16º lugar, 0s3 e uma posição atrás do titular do time Pastor Maldonado. 

(Foto: Haas)

Charles Leclerc, que terminou a temporada de 2019 como o piloto da Ferrari mais bem classificado, iniciou sua trajetória nos fins de semana de GP com uma parceira da escuderia de Maranello. Em 2016, o monegasco alternou sua campanha campeã na GP3 com quatro treinos livres de sexta-feira pela Haas. 

Leclerc atou em Silverstone, Hockenheim, Hungaroring e Interlagos e terminou todas as sessões atrás do titular Romain Grosjean. Apesar de enaltecer o potencial de Leclerc, a chefia da Haas descartou a contratação do monegasco devido à sua falta de experiência.

Pérez flertou com a Ferrari no começo da década (Foto: Ferrari)

Para fechar o tópico, mais uma combinação de piloto e equipe que se torna inusitada com o passar do tempo. Quando surgiu na F1, em 2011, Sergio Pérez era membro da Academia de Pilotos da Ferrari e até chegou a flertar com uma vaga de titular no time – sobretudo pelo fato de Felipe Massa não viver seus melhores momentos. 

Ainda em sua temporada de estreia pela Sauber, Pérez realizou testes de fato pela Ferrari no circuito caseiro de Fiorano. O mexicano guiou o modelo F60, da temporada de 2009, e completou 46 voltas, marcando 1min00s650 como melhor tempo. Em seguida, Jules Bianchi, outro protegido da Ferrari, assumiu o cockpit e baixou o tempo para 1min00s213. 

Pérez posteriormente se desligou do programa da Ferrari para se associar com a McLaren.

Você se lembra deles?

Uma mudança importante na F1 durante a década foi a introdução dos pontos para a obtenção da superlicença – o documento exigido para que um piloto possa competir na F1. Com isso, “aventureiros” endinheirados não podem mais obter uma vaga de titular, a menos que tenham mostrado resultados condizentes nas categorias de base. 

Isso significa que gente do calibre de Gastón Mazzacane ou Alex Yoong, que ocuparam a F1 nos anos 2000 mesmo sem destaque algum na base, tiveram de se contentar a testes ou, no máximo, treinos livres nas sextas-feiras de GP. 

E isso aconteceu bastante na atual década. Vários pilotos de procedências diferentes puderam realizar testes nas equipes, e alguns deles até pilotaram em um fim de semana oficial. Listamos abaixo alguns pilotos aleatórios que chegaram a guiar durante treinos livres de GP. Você se lembra de todos?  

(Foto: Lotus)

Fairuz Fauzy (MAL): Cinco treinos livres pela Lotus na temporada de 2010.

(Foto: HRT)

Jan Charouz (CZE): Um treino livre pela Hispania na temporada de 2011. 

(Foto: HRT)

Ma Qing Hua (CHI): Quatro treinos livres pela Hispania em 2012, um pela Caterham em 2013.

(Foto: Marussia)

Rodolfo González (VEN): Nove treinos livres pela Marussia na temporada de 2013.

(Foto: Sauber)

Adderly Fong (HGK): Um treino livre pela Sauber na temporada de 2014.

(Foto: Force India)

Alfonso Celis (MEX): Nove treinos livres pela Force India entre 2016 e 2017.

(Foto: Red Bull Content Pool)

Sean Gelael (IDN): Cinco treinos livres pela Toro Rosso entre 2017 e 2018. 


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Bruno Ferreira

Sempre gostou de automobilismo e assiste às corridas desde que era criança. A paixão atingiu outro patamar quando viu – e ouviu – um carro de F1 ao vivo pela primeira vez. Depois disso, o gosto pelas corridas acabou se transformando em profissão. Iniciou sua trajetória como jornalista especializado em automobilismo em 2010, no mesmo ano em que se formou, quando publicou seu primeiro texto no site Tazio. De lá para cá, cobriu GPs de F1 no Brasil e no exterior, incluindo duas decisões de título (2011 e 2012), além de edições das 24 Horas de Le Mans e provas de categorias como Indy e WTCC.