F1 decide fechar fábricas dos times e discute adiar novas regras de 21

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A crise do COVID-19 segue trazendo mudanças para a F1. Desta vez, não é no calendário de corridas, mas no adiantamento do fechamento das fábricas das equipes, que normalmente acontece nas férias de agosto.

Nos próximos 21 dias, entre março e abril, nenhum time poderá trabalhar ou fazer qualquer tipo de desenvolvimento em suas sedes. Os funcionários deverão ser colocados em regime de férias. A FIA faz monitoramento on line das fábricas e não permitirá utilização de túneis de vento, sistemas de simulação aerodinâmica e qualquer outro tipo de tecnologia, e até mesmo simuladores para pilotos ou trabalhos mecânicos nos carros.

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Segundo comunicado conjunto da FIA e F1, a mudança, ratificada em modo de urgência pelo Conselho Mundial do Automobilismo, recebeu apoio unânime do Grupo Estratégico e da Comissão da F1. Integram essas duas entidades representantes da Liberty, FIA, Ferrari, Red Bull, McLaren, Mercedes, Williams e a equipe mais bem posicionada no último campeonato que já não faz parte (Renault, no caso), promotores de GPs, alguns dos principais patrocinadores e Pirelli.

A medida tem dois objetivos, aproveitando que as corridas estão paralisadas, no mínimo, até maio: o primeiro é de salvar algum dinheiro para as equipes, que podem colocar os funcionários de férias, não terem que investir em desenvolvimento e retardar gastos com fornecedores e terceiros. A segunda questão é já abrir a possibilidade de aproveitar os finais de semana de agosto para remarcação de algum GP adiado neste começo de temporada por conta da pandemia do coronavírus.

Adiamento da mudança das regras da F1

Também está na mesa para discussão adiar a grande mudança do regulamento da F1 de 2021 para 22. A ação seria uma forma de diminuir o impacto da necessidade de desenvolvimento do novo carro nas equipes, principalmente as do pelotão intermediário.

Fábrica da equipe Mercedes de F1, em Brackley, na Inglaterra
Fábrica da equipe Mercedes de F1, em Brackley, na Inglaterra (Foto: Mercedes)

Como ainda não se sabe quando os times poderão voltar a operar normalmente nas fábricas e a possibilidade de uma sequência de corridas mais intensa no segundo semestre por conta de possíveis remarcações, projeto e fabricação dos novos modelos podem se tornar financeiramente inviáveis para os times com menos recursos.

Ainda não existe decisão sobre isso. A discussão deve ser feita paralelamente à negociação do novo acordo comercial entre F1 e equipes, conhecido como Pacto de Concórdia, em que a Liberty pretende diminuir a diferença da distribuição das verbas da categoria, deixá-la mais justa e conectada à competição, além de mudar a governança do campeonato.

Sem carros nas pistas, as conversas sobre essas questões de bastidores devem ser intensificadas.

Calendário espremido e mais longo

Até o momento, quatro corridas já foram canceladas ou adiadas pela F1: Austrália, Bahrein, Vietnã e China. A própria direção da categoria acredita que outras provas ainda podem ser afetadas por conta da crise do COVID-19, colocando em dúvida a realização dos GPs da Holanda e Espanha, marcados para primeira quinzena de maio.

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Por outro lado, a Liberty pretende remarcar muitas dessas provas e para isso discute não só a possibilidade de aproveitar datas de agosto, mas também de seguir em frente com corridas em dezembro e até mesmo janeiro.

Isso, no entanto, deve acontecer apenas caso o adiamento da alteração das regras fique para 2022. Com um intervalo menor entre a temporada de 20 e 21, a ideia é que as equipes possam até mesmo utilizarem o mesmo modelo no próximo ano. E aí sim, com um calendário normal, os times podem redirecionar recursos (financeiros e técnicos) para a revolução dos carros.  

As equipes cogitam e já conversam, inclusive, o congelamento através de regulamentação de chassi, caixa de câmbio e outras partes mecânicas, deixando em aberto apenas novidades na área aerodinâmica para seguir desta forma para a próxima temporada.


 Comunicar Erro

Lucas Santochi

Mais um fanático da gangue que criou vínculo com automobilismo desde a infância. Acampou diversas vezes nas calçadas ao redor de Interlagos para assistir aos GPs e nunca esqueceu a primeira vez que, ainda do lado de fora do autódromo, ouviu o barulho de F1 acelerando pela reta. Jornalista formado em 2004, passou por redações na época da TV Band e Abril, teve experiência na área de assessoria de comunicação esportiva até chegar ao site especializado em esporte a motor Tazio, em 2010. Passou pelas funções de redator, repórter (cobrindo diversas corridas no Brasil e exterior de F1, Indy, WEC, Stock Car, entre outras) e subeditor até o final de 2013, quando o veículo encerrou suas atividades. Trabalhou ainda como redator do UOL Esporte em 2014 até que decidiu se juntar com os outros três membros do Projeto Motor para investir na iniciativa.