F1 está em Interlagos, mas todo mundo só pensa em 2018 (19, 20…)

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Com o título de pilotos decidido, assim como as quatro primeiras posições do campeonato de construtores, a F1 chegou a Interlagos pensando mais sobre seu futuro do que na competição dentro da pista da etapa brasileira.

É claro que todo fim de ano, boa parte dos times e fornecedores já se dividem no desenvolvimento de seus novos carros e equipamentos para a temporada seguinte, assim como os pilotos, pelo menos os que não têm contrato assegurado, seguem focados em sua renovação. Só que há muito não se via uma F1 tão voltada no que está por vir.

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Além das principais disputas já estarem decididas, nas conversas com dirigentes e jornalistas no paddock, fica clara a atenção e preocupação que está sendo dada às conversas com o Liberty e FIA sobre as regras que devem entrar em vigor nos próximos anos. O mais curioso é ver como os novos donos da categoria terão que rebolar para conseguirem um consenso (se é que eles irão tentar esperar por ele).

Visão de Pierre Gasly, da Toro Rosso, pelo retrovisor (Beto Issa/GP do Brasil)
Visão de Pierre Gasly, da Toro Rosso, pelo retrovisor (Beto Issa/GP do Brasil)

Na Ferrari e Mercedes, as reclamações são sobre os novos motores de 2021, especialmente em relação à padronização de alguns itens. A ameaça do time de Maranello de deixar a categoria, feita há alguns dias por seu presidente, Sergio Marchionne, está fazendo repórteres de todo mundo perguntarem pelo paddock: “Como seria a F1 sem a Ferrari?”. Mas a maioria segue duvidando que isso realmente venha a acontecer.

Do outro lado, entre os times médios e pequenos, a preocupação é outra: dinheiro. Se você entra nos boxes da Force India, por exemplo, time com orçamento curto em relação às grandes potências, o termo “teto orçamentário” é o que mais sai da boca de seus líderes. Só que, por outro lado, o chefe de operações do time, Otmar Szafnauer, critica a padronização de itens do carro para baixar os custos, especialmente no caso dos motores (eles andam de Mercedes).

“Não podemos baixar o trem de força para um ponto em que eles fiquem a mesma coisa. Posso gastar U$ 100 milhões em um piloto por três anos. Por que faço isso? Para ter uma vantagem. Então por que gastar dezenas de milhões em motores? Por que você tem uma vantagem. Você tem que ter os pilotos, a aerodinâmica e os motores. Quem tiver o melhor pacote, vence. Se você tira o motor da equação, os outros dois se tornam mais valiosos. Acho que isso é errado para a F1”, explicou o dirigente, em coletiva em que o Projeto Motor esteve presente.

É curioso ver até mesmo a divisão entre jornalistas. Alguns com medo da F1 se tornar uma competição ao estilo Nascar, com menos foco na tecnologia, enquanto outros se posicionam à favor das novas ideias.

Visão do miolo do traçado de Interlagos (Beto Issa/GP do Brasil)
Visão do miolo do traçado de Interlagos (Beto Issa/GP do Brasil)

O olhar no futuro não para por aí. Na coletiva de imprensa da Pirelli, em 25 minutos de conversa com o diretor técnico Mario Isola, apenas duas perguntas, de uma mesma repórter, foram sobre os compostos deste final de semana. Todos querem saber sobre o que a empresa está fazendo para o ano que vem, seus novos pneus e etc.

Outro assunto que também tem atraído a atenção de muita gente é sobre a permanência do GP do Brasil. Fui questionado por uma jornalista alemã sobre até quando o contrato da prova com a FOM se estende. “2020”, disse. “É, em teoria, né…”, respondeu a experiente repórter.

As informações sobre a diminuição do apoio público (pelo menos em termos de investimento financeiro) com a provável privatização do Autódromo de Interlagos colocaram mais dúvidas na cabeça de muita gente, que já vinham desde o ano passado. A aposentadoria de Felipe Massa, deixando o país sem pilotos no grid de 2018, só aumentou ainda mais o alerta para muitos dos jornalistas, que advertem sobre a fome de diversas outras cidades do mundo em receber o Mundial.

No final das contas, mesmo com os carros na pista nos treinos, pouco se falou de corrida em Interlagos até agora. Resultado de um campeonato decidido precocemente somado a uma F1 cheia de questões a responder.

 

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Lucas Santochi

Mais um fanático da gangue que criou vínculo com automobilismo desde a infância. Acampou diversas vezes nas calçadas ao redor de Interlagos para assistir aos GPs e nunca esqueceu a primeira vez que, ainda do lado de fora do autódromo, ouviu o barulho de F1 acelerando pela reta. Jornalista formado em 2004, passou por redações na época da TV Band e Abril, teve experiência na área de assessoria de comunicação esportiva até chegar ao site especializado em esporte a motor Tazio, em 2010. Passou pelas funções de redator, repórter (cobrindo diversas corridas no Brasil e exterior de F1, Indy, WEC, Stock Car, entre outras) e subeditor até o final de 2013, quando o veículo encerrou suas atividades. Trabalhou ainda como redator do UOL Esporte em 2014 até que decidiu se juntar com os outros três membros do Projeto Motor para investir na iniciativa.