F1 sai da caixinha do isolamento e finalmente se volta aos fãs em Londres

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Quem diria: a F1 realizou no último dia 12 de julho um evento voltado para seus fãs. Não era tão difícil, mas simplesmente não existia a vontade. Não era prioridade. Durante as décadas em que a F1 esteve sob o comando de Bernie Ecclestone, estava bastante claro que o objetivo estava voltado para dinheiro a curto prazo, sem pensar muito na imagem da categoria e, mais do que tudo, em seus seguidores.

Os espectadores de autódromo foram esquecidos. Os pilotos e os carros (sim, os carros também são estrelas deste show) ficavam cada vez mais distante. Coisa de televisão. De televisão fechada, inclusive. E mesmo para os capitalistas de plantão, a ideia de uma F1 forte e rentável em um futuro distante poderia até mesmo ser questionada pelo passo das coisas.

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A chegada do grupo Liberty trouxe um novo ânimo. Logo os comentários e rumores sobre novidades em relação ao evento, de forma mais ampla, animaram os aficionados. Convenhamos que nada parecia que iria mudar tão cedo. Mas, em menos de um ano, a nova direção conseguiu viabilizar um grande show nas ruas de Londres, no país em que a F1 viveu seu primeiro capítulo, em 1950, e que agora pode estar renascendo na relação com seus fãs.

O evento parecia que ficaria para 2018 por conta da complexibilidade de organização. Até leis municipais precisaram ser mudadas. Mas saiu. Todas as 10 equipes participaram. Teve de tudo, música ao vivo, carros do passado, do presente, de dois lugares e, claro, os pilotos. E o público compareceu e curtiu.

A ideia chega a ser quase óbvia. Aliás, já foi até realizada, em 2004, com sucesso absoluto. Mas com a impossibilidade de se repetir em Londres, foi simplesmente abandonada como ferramenta dentro da categoria. Agora é esperar que seja aprimorada e, quem sabe, levada para outros cantos do mundo. Não precisa ser apenas em lugares que já recebem GPs, apesar de ser uma ótima forma de esquentar os locais. Ou vai falar que não babou nas imagens.

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E este tipo de ideia pode ser ampliada. Pilotos competindo em pequenos eventos de kart ou outros carros pelo planeta (seguindo o estilo da Corrida dos Campeões), eventos com monopostos clássicos, nomes do passado e etc. Muita coisa pode ser feita. E parece que a F1 da Liberty está começando a agir, antes do esperado até.

Ainda não sabemos o que mais os proprietários pretendem. Mas este ano já tivemos uma liberdade imensamente maior para pilotos, equipes e patrocinadores atuarem nas redes sociais, entrevistas mais próximas ao público nos autódromos, e a demonstração de um esforço para a permanência de algumas praças importantes no calendário.

Ainda cedo para saber o que mais está na agenda do Liberty e da F1. Mas, convenhamos, parece que começa a entrar nos trilhos no quesito tratamento do público. Importante destacar, por outro lado, que ainda existe muito, muito mesmo a ser feito. O essencial para isso é ter pessoas que pelo menos admitem e têm a vontade de seguir esse caminho. E a categoria pela primeira vez mostra que as tem.

 

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Lucas Santochi

Mais um fanático da gangue que criou vínculo com automobilismo desde a infância. Acampou diversas vezes nas calçadas ao redor de Interlagos para assistir aos GPs e nunca esqueceu a primeira vez que, ainda do lado de fora do autódromo, ouviu o barulho de F1 acelerando pela reta. Jornalista formado em 2004, passou por redações na época da TV Band e Abril, teve experiência na área de assessoria de comunicação esportiva até chegar ao site especializado em esporte a motor Tazio, em 2010. Passou pelas funções de redator, repórter (cobrindo diversas corridas no Brasil e exterior de F1, Indy, WEC, Stock Car, entre outras) e subeditor até o final de 2013, quando o veículo encerrou suas atividades. Trabalhou ainda como redator do UOL Esporte em 2014 até que decidiu se juntar com os outros três membros do Projeto Motor para investir na iniciativa.