Ferrari veloz, Mercedes soma quilometragem: os testes da F1 em números

1

É sempre a mesma coisa: a pré-temporada vai passando e apostas de quem está bem, mal ou que pode surpreender se iniciam. Teremos aqui no Projeto Motor esta oportunidade também antes do início do campeonato, em Melbourne, afinal, especular um pouco sempre é divertido. Mas antes, resolvemos fazer uma análise puramente estatística para tentarmos tirar algumas conclusões , sem a intenção de realizar futurologia baseada em sensações.

Fique ligado em nossas redes sociais: 
Twitter – @projetomotor
Facebook – Projeto Motor
Youtube – Projeto Motor
Instagram – @projetomotor

Ferrari e Mercedes, as duas equipes que rivalizaram na briga pelo título nos últimos anos, passaram quase que todo o tempo em Barcelona separadas por uma boa margem de tempo, com os alemães se aproximando no cronômetro apenas no dia final. Isso fez com que uma chuva de questionamentos sobre o desempenho da Mercedes e um possível favoritismo da Ferrari passasse a pairar no paddock.

Só que se olharmos para a frieza dos números, mesmo que a Ferrari até mantenha certa vantagem, vemos que a pré-temporada da Mercedes não foi tão ruim quanto pareceu.

Hamilton e Mercedes, líderes na quilometragem

(Steve Etherington/Mercedes)

Os atuais pentacampeões mundiais se concentraram em andar o máximo possível e validar o funcionamento de todos os sistemas e nova unidade de potência. Isso ficou mais claro pelo enorme pacote aerodinâmico que foi levado à pista na segunda semana.

Com partes e peças novas quase em todas as áreas do carro, este nível de atualização certamente já estava em processo na fábrica antes do início da primeira bateria de testes, o que significa que o time alemão realmente foi para a semana inicial de testes preocupado basicamente em acumular quilometragem. Apenas nos quatro dias finais, com o W10 andando mais próximo do projeto completo, a escuderia começou a trabalhar em acerto e desempenho.

Com esta visão, podemos dizer que a pré-temporada da Mercedes seguiu o planejado. Mesmo com um problema de motor abertura da segunda semana, com Valtteri Bottas, os alemães acumularam uma enorme distância percorrida no final da pré-temporada, com 900 quilômetros a mais que a segunda colocada na estatística, a Ferrari. E no dia final, quando foi para a pista andar rápido, Lewis Hamilton ficou a apenas três milésimos do melhor tempo dos testes, de Sebastian Vettel.

Do outro lado, a Ferrari pode certamente celebrar uma boa pré-temporada no geral. Foi consistente nos trechos longos (quando os pilotos completam um grande número de voltas em sequências, fazendo uma simulação do comportamento do carro em ritmo de corrida) e cravou tempos muito rápidos.

A primeira semana foi quase perfeita para os italianos, com ótimos tempos e uma quilometragem total muito boa. Na segunda bateria, porém, alguns problemas começaram a surgir. Vettel sofreu um acidente por conta da quebra de uma roda, o que tirou a equipe da pista por um longo período para que a SF90 fosse inteiramente consertada. Depois, o time ainda enfrentou uma falha de escapamento que fez o carro ficar parado na pista, o que mais uma vez encurtou os trabalhos.

Assim, apesar da segunda posição em quilometragem no geral, se olharmos apenas a segunda semana de testes, a Ferrari ficou apenas na oitava posição entre as 10 equipes em distância percorrida. Nada que causa dúvidas quanto à confiabilidade do conjunto, porém, um tempo perdido importante que pode ter permitido a aproximação dos rivais no trabalho.

Quem andou menos

(Divulgação/Racing Point)

Nos números totais, Racing Point e Williams foram as equipes que menos vimos na pista. A ex-Force India ficou na penúltima posição em quilometragem, mas sua situação pode ser ainda pior ao analisarmos que ela andou pouco nas duas semanas de testes.

O time de Lance Stroll e Sergio Pérez foi o segundo pior nas duas baterias com diversos problemas, e longe também das melhores marcas. Um acaba sendo consequência do outro, já que sem tempo de pista, o trabalho em acerto do novo modelo fica comprometido e os tempos demoram mais para vir. Um sinal amarelo para a equipe em um pelotão intermediário que parece estar ainda mais acirrado que na última temporada.

Já a Williams praticamente não acumulou milhagem na primeira semana porque chegou atrasada a Barcelona, porém, foi a quarta equipe que mais andou se levarmos em consideração apenas a segunda sequência de treinos. Isso mostra que o novo FW42 pode ser considerado confiável.

O problema da tradicional equipe de Grove é que sem ter treinado na primeira semana, o cronograma de desenvolvimento ficou atrasado. A comparação de cronômetro chega a ser injusta se pensarmos que a Williams estava trabalhando no final dos testes no mesmo estágio em que as adversárias estavam na semana anterior.

Mesmo assim, esse backlog será levado pela Williams para Melbourne, e o time passa a correr atrás do desenvolvimento das outras, sem ter ainda um comparativo ideal de o quão bom é seu carro (ou se ele é simplesmente ruim), já que por enquanto tudo que podemos dizer é que ele está atrasado.

E a Honda?

(Charles Coates/Getty Images/Red Bull Content Pool)

Entre as curiosidades da pré-temporada, a nova parceria entre Red Bull e Honda era uma das principais. Será que a Honda conseguiu alguma evolução em relação aos últimos anos? Agora com uma sociedade mais íntima com uma montadora, a equipe austríaca ameaça Ferrari e Mercedes?

O que podemos dizer é que a Honda começou bem em quilometragem, já que pela primeira vez nesta atual incursão na F1, ela conta com duas equipes (também tem a Toro Rosso). Mas houve problemas com a Red Bull na segunda semana (acidente de Pierre Gasly e problemas de câmbio com Max Verstappen) que limitaram os testes e a deixaram na lanterna entre as fornecedoras, mesmo que apenas 300 quilômetros atrás da Renault. Veja que a Toro Rosso, que não teve tantos problemas, foi a quarta equipe que mais andou no geral, algo bastante promissor.

De qualquer maneira, Red Bull e Honda passaram longe de ganhar manchetes pelo desempenho, fizeram uma pré-temporada discreta e sem um grande brilho, mas consistente o bastante para esperarmos uma participação importante desde o início do campeonato.

Vettel mais rápido, mas Mercedes próxima

*Todos os tempos do top 10 foram obtidos com pneus C5

Agora chegou a hora de falarmos de velocidade pura. A Ferrari vinha se destacando por seus tempos desde o início da primeira semana. Mesmo quando não ficava com a primeira posição da tabela de cronometragem, no cálculo das marcas levando-se em conta a diferença entre os tipos de pneus, ela se mostrava a mais forte.

Do outro lado, a Mercedes ficou longe da rival quase que o tempo todo, aparecendo mais forte apenas no último dia, como já dissemos, quando Hamilton conseguiu quase que um empate técnico com Vettel, ficando apenas a três milésimos do rival.

Ao destrincharmos as voltas das equipes, encontramos mais alguns dados interessantes. Nas voltas ideais de Hamilton e Vettel no último dia (quando se soma os melhores setores de cada piloto), a diferença entre eles aumentou. Isso pode significar quem sem erros ou tráfego, a Ferrari ainda pode ter alguma vantagem sobre a adversária.

 Setor 1Setor 2Setor 3Volta ideal
Sebastian Vettel21.69528.22126.1241:16.040
Lewis Hamilton21.78228.48325.9221:16.187

Outro ponto que vale destaque é o fato da Mercedes, com Hamilton, ter perdido mais de três décimos nos dois primeiros setores da pista da Catalunha, mas recupera boa parte, pouco mais de dois décimos, no último setor, o mais travado do circuito. É bom lembrar que nos últimos anos, pistas de baixa foram o calcanhar de Aquiles do time alemão, o que levanta mais uma vez a dúvida se a escuderia das flechas de prata não estava fazendo algum tipo de validação bem específica do chassi.

Novo regulamento

A expectativa geral era de que com carros teoricamente limitados aerodinamicamente pelo novo regulamento, eles ficassem mais lentos em 2019. E mais uma vez, os engenheiros da F1 mostraram que sempre encontram um caminho para driblar as restrições.

As equipes no geral evoluíram bastante em relação à pré-temporada de 2018. A Mercedes foi mais de dois segundos mais rápida em tempo de volta, enquanto que a Ferrari “só” melhorou em 0s9. A McLaren foi quem melhorou menos, em 0s8.

A Pirelli considera que a evolução do asfalto de 2018 para cá foi uma grande responsável pela melhora nesses tempos. O asfalto era praticamente novo na pré-temporada do ano passado, e agora, mais maduro, ele forneceu mais aderência para os testes de 2019.

De qualquer maneira, os pilotos em geral disseram que conseguiram andar com um pouco mais de facilidade próximos aos adversários imediatamente à frente na pista, o que, mais do que tudo, era o objetivo principal das novas regras. Se isso vai se confirmar nas corridas e se terá como consequência mais brigas por posição, só teremos certeza com os primeiros GPs da temporada.


 Comunicar Erro

Projeto Motor