FIA Masters Historic, uma ode ao passado clássico da F1

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Talvez não seja exagero dizer que o automobilismo passa por fase crucial em que deve repensar alguns de seus preceitos mais básicos. Nos entremeios da Fórmula 1, discute-se até que ponto a tecnologia deve dar lugar ao espetáculo e como que os pilotos, tidos como grandes protagonistas do negócio, não sejam ofuscados na disputa.

Neste aspecto, nem sempre foi assim. Guerras de bastidores à parte, a F1 já teve momentos em que tudo aparentava estar mais bem definido, mesmo que de forma não intencional, já que as chamadas tendências eram mais compatíveis com o que se esperava de um carro de corrida “puro sangue”. É justamente essa época que é reverenciada na FIA Masters Historic.

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A classe, que conta com a chancela da entidade máxima que regulamenta o esporte a motor mundial, homenageia uma época em que os carros possuíam grande protagonismo. Trata-se de uma competição que engloba veículos de uma era de ouro da F1, com objetivo de celebrar o passado clássico da categoria.

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O Hesketh 308E, de 78, foi uma das atrações do espetáculo (Divulgação)

A disputa surgiu em meados dos anos 1990 e já contava com carros de F1 das décadas de 60, 70 e 80. Hoje, ela adota um regulamento mais segregado, em que competições distintas englobam carros de eras diferentes.

A Masters Historic F1 adota modelos a partir dos anos 1970 e os divide em categorias: a Jackie Stewart conta com carros de 1972 para trás; a Patrick Head, com bólidos pós-1972 com efeito-solo; a Emerson Fittipaldi, com carros pós-1972 sem efeito-solo, e a Niki Lauda com aqueles pós-1972 com assoalho plano.

Contudo, a Historic F1 realiza a maioria de suas provas em conjunto com a Historic Grand Prix Cars Association, que atrai carros ainda mais antigos, das décadas de 50 e 60. Desta forma, praticamente todas as eras clássicas estão cobertas em um mesmo fim de semana, o que representa um deleite para um fã de corridas.

Em 2017, a categoria realizou 15 provas, sendo que o Projeto Motor teve a oportunidade de acompanhar de perto a penúltima delas – o Estoril Classic Festival.

O evento, realizado na antiga sede do GP de Portugal, foi bem versátil para qualquer apreciador de corridas. Além da Historic F1 e da HGPCA, a programação também teve a FIA Masters Sports Cars (com protótipos clássicos das 24 Horas de Le Mans) e o FIA Lurani Trophy, com “charutos” da extinta Fórmula Júnior.

No entanto, o grid tradicional esteve desfalcado, já que, no mesmo fim de semana, a F1 realizou uma apresentação com alguns destes carros históricos nas atividades do GP dos Estados Unidos, em Austin. Mesmo assim, a prova principal contou com dez representantes, incluindo modelos de Lotus, Williams, McLaren e até Copersucar.

Uma rápida caminhada pelo paddock já evidencia a proposta do evento: atividades despojadas e relaxadas, em que o acesso do público era não só permitido, como incentivado.

Acesso aos carros era fácil, fácil! (Projeto Motor)

E não é exagero. A entrada na arquibancada da reta principal era gratuita; já o acesso completo ao paddock estava em torno de 10 € (cerca de R$ 40 na cotação atual). Ali era possível facilmente entrar em todas as garagens e conhecer os carros de perto, tirar fotos e observar atentamente cada detalhe.

Crianças eram ainda mais bem-vindas: mecânicos colocavam os mais interessados dentro dos cockpits para um registro de dar inveja aos marmanjos. Ali era, de certa forma, o passado da F1 contribuindo para sua perpetuação. Será que a própria categoria não deveria olhar para isso com mais carinho?

No fim, a vitória da corrida principal ficou com um Shadow DN5, de 1975, guiado por Nick Padmore, que superou um duelo acirrado com o Copersucar F5A, de Max Smith-Hilliard. Mas, na verdade, isso pouco importa. O objetivo da festa é fazer uma bem-sucedida homenagem a uma F1 que, com suas virtudes e defeitos, ficou no passado.

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Bruno Ferreira

Sempre gostou de automobilismo e assiste às corridas desde que era criança. A paixão atingiu outro patamar quando viu – e ouviu – um carro de F1 ao vivo pela primeira vez. Depois disso, o gosto pelas corridas acabou se transformando em profissão. Iniciou sua trajetória como jornalista especializado em automobilismo em 2010, no mesmo ano em que se formou, quando publicou seu primeiro texto no site Tazio. De lá para cá, cobriu GPs de F1 no Brasil e no exterior, incluindo duas decisões de título (2011 e 2012), além de provas de categorias como Indy, WEC, WTCC e Stock Car.