Formato do grid da F1 nem sempre foi como atual. E pode mudar em breve

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Quem acompanha automobilismo, seja qual for a categoria, está mais do que acostumado a ver a formação dos grids em filas de dois a dois carros. Seja nas largadas paradas, como na F1 e maioria das competições europeias, ou nas em movimento, como Indy (com exceção das 500 Milhas de Indianápolis), Nascar, WEC, Stock Car, entre outras tantas.

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Isso já foi muito diferente, inclusive na F1. E entre as várias questões que estão sendo analisadas para melhoria das corridas no futuro, uma delas é justamente esse ponto.

Como era no passado

Atualmente, a FIA regulamenta as posições e medidas dos grid de largadas em seus códigos esportivos internacionais e leva isso em conta na concessão de licença dos circuitos que ela homologa para suas competições.

Se voltarmos no tempo, encontraremos outro cenário. Até a década de 70, FIA e F1 não tinham regras sobre a questão. Por isso, cada circuito podia fazer o grid da forma como queria. O padrão era uma primeira fila com três carros, lado a lado, seguida por uma segunda de dois, também lado a lado, e assim seguindo esse revezamento de forma consecutiva até o final.

John Surtees, Bruce McLaren e Chris Amon se posicionam na primeira fila do GP da Itália de 1968, em Monza

A distância entre os competidores não era regulamentada, por isso podemos observar em fotos da época largadas em que os pilotos se posicionavam com mais ou menos espaço entre eles.

Isso, porém, nem sempre era seguido. No GP da Inglaterra de 1965 podemos observar quatro carros largando lado a lado em Silverstone. Isso podia ser feito em pistas mais largas, como era o caso do traçado inglês, mas seria impossível imaginar algo semelhante em Mônaco, por exemplo.

Clark, Hill, Richie Ginther e Jackie Stewart na largada do GP da Inglaterra de 65 (Divulgação/Sutton)

A primeira regulamentação das medidas dos grids de largada veio apenas em 1973, ainda com a formação 3×2. No ano seguinte, por questões de segurança, passou-se a adotar as filas 2×2, com os carros emparelhados, com uma distância de 6 metros entre as linhas.

A partir deste momento, a FIA passou apenas a aumentar a distância entre os competidores, sempre com o objetivo de aumentar a segurança no início das provas, quando os pilotos estão muito próximos. Sendo assim, em 1978, a entidade aumentou a distância entre o carro da frente para o de trás para sete metros.

Três anos depois, finalmente foi adotado o sistema atual, com filas em que os carros com melhor posição saem ligeiramente à frente. O problema é que até os anos 80, a direção de prova fazia vistas grossas para onde os pilotos posicionavam seus carros, sendo assim, era comum vermos as distâncias sendo respeitadas, porém, carros em linhas mais dentro ou para fora do traçado.

Largada do GP do Brasil de 1976: grid ligeiramente bagunçado

Aos poucos, a exigência de se respeitar o ponto correto de posicionamento, além até de um endurecimento contra queimadas de largada (algo que era bastante comum e pouco punido até a década de 70), padronizou melhor o visual do início das provas.

E em 1987, a distância entre os competidores aumentou para 16 metros entre o carro da frente e o que está atrás (1º e 3º, por exemplo), sendo oito entre cada posição (1º e 2º, por exemplo), modelo que está em vigor até hoje.

Como é hoje

A FIA exige que os circuitos atuais que recebem a F1 tenham grid com distância de oito metros entre as posições (local do 1º colocado – oito metros – posição do 2º), o que significa 16 metros entre o carro da frente e o que está na mesma linha atrás. Para outras categorias, a distância pode ser de seis metros entre cada posição.

Carros se posicionando no grid do GP da China de 2018

Existem, no entanto, outras medidas observadas. No ponto de largada, por exemplo, a largura mínima de qualquer circuito deve ser de pelo menos 15 metros. No restante do traçado, pode ser de 12. Além disso, recomenda-se uma distância de pelo menos 250 metros entre a linha de largada e a primeira curva, sendo considerado “curva” uma mudança de direção de pelo menos 45°.

Estudos para o futuro

Recentemente, Pat Symonds, ex-diretor técnico de equipes como Renault e Williams e que hoje trabalha para a FOM liderando estudos técnicos para a sugestão de novas regras, explicou que a categoria está considerando um retorno aos grids com carros emparelhados a cada fila.

O dirigente inglês explicou que está sendo utilizado um software de simulação, algo parecido com o game de F1, porém, desenvolvido especificamente para testes de novas regras. A ideia é fazer experimentos virtuais de ideias de forma exaustiva para concluir se a mudança realmente pode gerar uma melhora na corrida e se não aumenta o risco.

Sendo assim, estatísticas estão sendo geradas sobre variações nos pegas durante os primeiros metros de corrida e se a nova formação pode resultar em mais acidentes perigosos para só então uma decisão ser tomada.

Objetivo da mudança no grid é de deixar os carros mais próximos nos primeiros metros da prova, abrindo a possibilidade de mais mudanças de posições.

 

O adeus de Chistian Fittipaldi das pistas:


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Lucas Santochi

Mais um fanático da gangue que criou vínculo com automobilismo desde a infância. Acampou diversas vezes nas calçadas ao redor de Interlagos para assistir aos GPs e nunca esqueceu a primeira vez que, ainda do lado de fora do autódromo, ouviu o barulho de F1 acelerando pela reta. Jornalista formado em 2004, passou por redações na época da TV Band e Abril, teve experiência na área de assessoria de comunicação esportiva até chegar ao site especializado em esporte a motor Tazio, em 2010. Passou pelas funções de redator, repórter (cobrindo diversas corridas no Brasil e exterior de F1, Indy, WEC, Stock Car, entre outras) e subeditor até o final de 2013, quando o veículo encerrou suas atividades. Trabalhou ainda como redator do UOL Esporte em 2014 até que decidiu se juntar com os outros três membros do Projeto Motor para investir na iniciativa.