GP da Austrália de F1 é cancelado por conta da crise do Coronavírus

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Apenas duas horas antes do início dos treinos livres, a F1 anunciou o cancelamento do GP da Austrália por conta da crise do coronavírus. A decisão aconteceu depois de muita pressão das equipes e um dia depois da McLaren divulgar que não participaria da corrida deste final pelo fato de um de seus integrantes ter sido diagnosticado com coronavírus.

A decisão veio após muita discussão entre equipes, dirigentes da FIA e F1, organizadores do evento e autoridades locais. Promotores pareciam seguir com a programação normal e o governo do estado da Vitória, onde fica Melbourne, chegou a emitir um comunicado que a corrida aconteceria sem a presença de público.

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Depois da McLaren, ainda na quinta-feira no horário australiano, a Mercedes veio a público na manhã de sexta local com um comunicado em que pedia à FIA o cancelamento.

“Por conta de uma força maior, eventos como o que estamos presenciando na pandemia do Coronavírus, não nos sentimos mais que a segurança de nossos funcionários possa ser garantida se continuarmos a participar do evento”, comunicou o time alemão, avisando ainda que a equipe já iria iniciar o processo de desmonte dos equipamentos nos boxes de Albert Park para ir embora.

Somente após este novo momento, a F1, FIA e a Corporação do GP da Austrália (promotora do evento) resolveram pelo cancelamento definitivo. “A discussão chegou ao fim com a visão da maioria das equipes de que a corrida não deveria seguir. F1 e a FIA, com total apoio da Corporação do GP da Austrália (AGPC) decidiram então que todas as atividades da F1 estão canceladas”, explicou a F1, em comunicado oficial.

A segunda etapa do campeonato, no Bahrein, está marcada para a próxima semana, no dia 22/03. Por enquanto, a única ação foi a de realizar o evento sem a presença de público, porém, novas medidas ainda podem ser tomadas.

Cenário de incertezas

Durante o dia de mídia, tradicionalmente às quintas-feiras nos circuitos que recebem a F1 em que pilotos e equipes concedem entrevistas, os jornalistas de imprensa escrita tiveram que ficar pelo menos a dois metros dos pilotos e as entrevistas de TV foram cancelas. A própria produção da categoria realizou filmagens de distribuiu para as emissoras. Tudo para evitar aglomeração e contato de pessoas com os competidores.

Um dia antes, na quarta-feira, a Organização Mundial de Saúde (OMS), mostrava o quão séria era a crise ao caracterizar o cenário do coronavírus como uma pandemia, por se tratar de uma disseminação mundial. A última vez que isso tinha acontecido foi em 2009, na crise da influenza H1N1.

Em termos médicos, a classificação não muda muito a visão sobre o coronavírus, porém, pode afetar algumas relações, como as pessoas que estão em viagem (incluindo profissional, como equipes e jornalistas da F1), pois países devem passar a restringir ainda mais as entradas e saídas por suas fronteiras.

Mesmo assim, a programação da F1 em Melbourne parecia seguir normal. Só que após a desistência da McLaren e a explosão de notícias do mundo todo sobre cancelamentos de eventos esportivos ou não, e novas medidas de governos, a categoria ficou sem alternativa.

A McLaren divulgou mais tarde que além do caso confirmado, teve que colocar outros 14 funcionários em quarentena no hotel do time pelos próximos 14 dias, “seguindo recomendação das autoridades de saúde locais”. A equipe ainda afirmou que na chegada à Inglaterra, nenhum dos funcionários que estiveram em Melbourne irão à sede da empresa por 14 dias, seguindo protocolo interno, por questões de precaução.

Coronavírus em outras categorias

A situação acontece enquanto diversas outras ligas, esportes e campeonatos de automobilismo anunciam cancelamentos de eventos por todo o mundo, além de feiras, encontros e fóruns de diferentes áreas da economia mundial também sofrem com mudanças de datas. O medo é de que aglomerações e grandes públicos possam acelerar a disseminação do coronavírus.

No esporte a motor, entre as competições internacionais, a Fórmula E (Sanya, Roma e Jacarta) e MotoGP (Losail, Austin e Argentina) cancelaram ou adiaram três etapas cada, enquanto IMSA adiou as 12 Horas de Sebring e o WEC cancelou sua etapa no circuito da Flórida, as 1.000 Milhas de Sebring.

A Indy anunciou nesta sexta-feira que a abertura de sua temporada, marcada também para este final de semana, em São Petersburgo, na Flórida, irá acontecer sem a presença de público. A Nascar seguiu com a mesma abordagem para suas duas próximas provas, em Atlanta e Miami.

A Stock Car brasileiro também resolveu tomar uma medida e anunciou que apesar de manter a Corrida de Duplas, primeira etapa de seu campeonato 2020, no próximo dia 29/03, em Goiânia, irá proibir a participação de pilotos estrangeiros. Antônio Felix da Costa, Filipe Albuquerque e Laurens Vanthoor eram alguns nomes confirmados.

A expectativa agora é sobre brasileiros que irão competir e que moram no exterior, como Augusto Farfus e Bruno Senna. Além disso, também existe a questão do argentino Matías Rossi, que nesta temporada será piloto regular pela Full Time. Segundo a categoria, esses casos serão analisados diante da evolução da posição das autoridades nacionais de saúde e a ideia é sempre tentar tomar decisões quantos a esses problemas com o maior tempo possível antes das provas para diminuir os prejuízos às equipes.

O Projeto Motor seguirá com sua cobertura trazendo mais informações a qualquer momento sobre a evolução da crise. Siga nossas redes sociais para atualizações em tempo real.


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Lucas Santochi

Mais um fanático da gangue que criou vínculo com automobilismo desde a infância. Acampou diversas vezes nas calçadas ao redor de Interlagos para assistir aos GPs e nunca esqueceu a primeira vez que, ainda do lado de fora do autódromo, ouviu o barulho de F1 acelerando pela reta. Jornalista formado em 2004, passou por redações na época da TV Band e Abril, teve experiência na área de assessoria de comunicação esportiva até chegar ao site especializado em esporte a motor Tazio, em 2010. Passou pelas funções de redator, repórter (cobrindo diversas corridas no Brasil e exterior de F1, Indy, WEC, Stock Car, entre outras) e subeditor até o final de 2013, quando o veículo encerrou suas atividades. Trabalhou ainda como redator do UOL Esporte em 2014 até que decidiu se juntar com os outros três membros do Projeto Motor para investir na iniciativa.