Quatro Rodas

GP da Hungria representará turbilhão de emoções para Massa

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Um dos assuntos mais comentados no GP da Hungria deste fim de semana será o clima pesado de pilotos e equipes para a 10ª etapa da temporada de 2015. Afinal, a F1 desembarcará em Budapeste para o início das atividades da corrida menos de dois dias após o comovente funeral de Jules Bianchi, realizado na última terça-feira (21), em Nice, na França.

Praticamente todos os pilotos do grid já mostraram em suas redes sociais algum tipo de pesar, e é inevitável que o a atmosfera esteja afetada no paddock de Hungaroring. Mas um em especial terá de lidar com um turbilhão emocional, não somente relacionados à tragédia com Bianchi: Felipe Massa.

Ex-colegas na Ferrari, Massa e Bianchi tinham relacionamento próximo (Divulgação)
Ex-colegas na Ferrari, Massa e Bianchi tinham relacionamento próximo (Divulgação)

Apesar de serem de gerações diferentes, com o brasileiro sendo oito anos mais velho, Massa era bastante próximo a Bianchi. Os dois passaram a ter uma relação de amizade muito pelo fato de contarem o mesmo empresário, Nicolas Todt, além de terem dividido a Ferrari em determinado período, com Massa de titular e Bianchi de reserva.

O francês veio ao Brasil por duas vezes, em 2011 e 2013, para prestigiar o Desafio das Estrelas de Kart, prova organizada por Massa. O brasileiro, por sua vez, exaltava as habilidades de Jules, a quem considerava ser “o melhor kartista que já viu”. Não à toa, Massa era um dos pilotos visivelmente mais abalados no velório de Bianchi, e seu apoio à família do francês foi algo enaltecido pelo patriarca, Philippe.

LEIA TAMBÉM: Esta não é a primeira vez que F1 faz um GP em clima de velório

Mas, mesmo quando os primeiros motores forem ligados em Budapeste, as preocupações de Massa estarão longe de terminar. O vice-campeão de 2008 ainda precisará resolver algumas desavenças que ficaram pendentes com sua equipe, a Williams, na última etapa realizada, o GP da Inglaterra.

Na ocasião, Massa ocupava com tranquilidade a terceira posição, mas acabou sendo surpreendido pela eficiente estratégia de Sebastian Vettel, que trocou o pneu na hora certa e roubou-lhe o pódio. Explicamos pouco depois da prova que a Williams não deveria ser crucificada pelo resultado, o que não muda o fato de ter havido tensões entre as duas partes.

E tudo isso acontecerá em um circuito de baixa velocidade como o de Hungaroring, cujas características são prognóstico de pesadelo para os FW37. Sabidamente, os carros da equipe inglesa tendem a render melhor em pistas mais velozes, como aconteceu em Silverstone ou na Áustria; já em Mônaco, um traçado mais lento, o time ficou longe da zona de pontuação.

Contudo, a Williams estreou um grande pacote de atualizações em seu carro há duas provas, evoluindo, sobretudo, a asa traseira, difusor, duto de freios e os defletores. A intenção é minimizar as fraquezas do modelo, e Hungaroring será uma boa oportunidade para ver se as medidas surtiram efeito.

“Este circuito normalmente não casaria bem com nosso carro porque é de baixa velocidade, mas melhoramos bastante o carro nas últimas corridas. Então, deveremos ter mais um fim de semana competitivo”, disse Massa

Por isso, um ponto importante para o GP da Hungria será ver se a Williams terá condições de entrar na briga pelo segundo lugar entre as equipes. A Ferrari teve desempenho discreto na Inglaterra, mas o SF15-T rendeu bem em Spielberg e Canadá. Assim, Sebastian Vettel e Kimi Raikkonen tentarão voltar a se destacar na disputa, e, quem sabe, incomodar as Mercedes.

NA FRENTE, VANTAGEM DEVE SER DE HAMILTON

Com a vitória obtida em Silverstone, Lewis Hamilton voltou a respirar aliviado na liderança do campeonato, com 17 pontos de vantagem para Nico Rosberg. Na Hungria, a tendência é que a vantagem seja ampliada ainda mais, já que o inglês vem em melhor forma e possui retrospecto de destaque no local.

Hamilton venceu sua primeira na Mercedes na Hungria, em 2013 (Divulgação)
Hamilton venceu sua primeira na Mercedes na Hungria, em 2013 (Divulgação)

Em oito participações, Hamilton foi superado por um companheiro de equipe no grid de largada somente uma vez, no ano passado, quando seu carro quebrou no treino classificatório. No total, o bicampeão obteve quatro poles e quatro vitórias no circuito, empatado no primeiro lugar nas estatísticas da prova com Michael Schumacher.

Se voltar a vencer, Hamilton ficará em posição ainda mais confortável em sua busca pelo tri, já que manteria, no mínimo, uma vantagem de 24 pontos. Por isso, Rosberg precisará reagir para não deixar seu companheiro de equipe se distanciar de vez na tabela.

O restante do pelotão também apresentará algumas brigas interessantes. A Red Bull, que temia até ser ofuscada pela Toro Rosso em Silverstone, terá nova chance de apresentar bom rendimento, claro, para os parâmetros estabelecidos em 2015. O circuito da Hungria não é dos mais exigentes com os motores, o que poderá minimizar o prejuízo dos austríacos com a unidade de potência da Renault – a exemplo do que aconteceu em Mônaco, quando conquistou seus melhores resultados no ano.

Outra equipe a ficar de olho é a Force India. O time obteve um bom salto de qualidade desde que trouxe o primeiro grande pacote de novidades para o carro, dando a chance a Nico Hulkenberg e a Sergio Perez de ocuparem a zona de pontuação com mais frequência.

Para a Sauber de Felipe Nasr, a expectativa é de mais um fim de semana discreto. A equipe deverá receber a atualização dos motores Ferrari somente na próxima etapa, na Bélgica, e o chassi C30 será evoluído em setembro. Até lá, chances de pontos serão raras.

Contudo, com os personagens ainda em luto por Bianchi, a corrida em si ficará em segundo plano para todos. Mesmo assim, a F1 tentará, aos poucos, voltar à sua normalidade na pista.

GP DA HUNGRIA – HUNGARORING

Hungaroring_MapaData: 26/07/2015
Extensão do circuito: 4,381 km
Número de voltas: 70
Pneus: macios e médios
Pole position em 2014: N. Rosberg (Mercedes), 1:22.715
Vencedor em 2014: D. Ricciardo (Red Bull)
Estratégia vencedora em 2014: três paradas 

HORÁRIOS

Sexta-feira
Treino livre 1: 5h – 6h30
Treino livre 2: 9h – 10h30

Sábado
Treino livre 3: 6h – 7h
Classificação: 9h – 10h

Domingo
Corrida: 9h

Horários de Brasília

Debate Motor #5 analisa morte de Bianchi e seus desdobramentos na F1:

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Bruno Ferreira

Sempre gostou de automobilismo e assiste às corridas desde que era criança. A paixão atingiu outro patamar quando viu – e ouviu – um carro de F1 ao vivo pela primeira vez. Depois disso, o gosto pelas corridas acabou se transformando em profissão. Iniciou sua trajetória como jornalista especializado em automobilismo em 2010, no mesmo ano em que se formou, quando publicou seu primeiro texto no site Tazio. De lá para cá, cobriu GPs de F1 no Brasil e no exterior, incluindo duas decisões de título (2011 e 2012), além de provas de categorias como Indy, WEC, WTCC e Stock Car.