GP de Mônaco representou calvário para algumas lendas da F1

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Vencer o GP de Mônaco talvez seja a segunda conquista mais valiosa que um piloto pode ter na F1, atrás apenas do título. A prova disputada nas ruas do principado possui um prestígio que se sobrepõe às demais do calendário, é repleta de desafios únicos e conta com tradição que vai além do próprio mundial. As estreitas ruas monegascas já contribuíram para o fortalecimento de figuras já consagradas, como Ayrton Senna, Graham Hill e Michael Schumacher, os maiores vencedores da prova. Enquanto isso, porém, outros pilotos lendários que já se consagraram no mundial nunca tiveram boa sorte na corrida, seja por falhas mecânicas, acidentes ou por pura obra do destino. Assim, relembramos os principais nomes da história da F1 que jamais triunfaram em Monte Carlo – e com outras duas figuras atuais que querem espantar para longe o retrospecto apagado no circuito. Lacuna no currículo de Piquet Tricampeão mundial, Nelson Piquet já venceu em verdadeiros templos do automobilismo, como Hockenheim, Monza, Suzuka e Brands Hatch. Mônaco, no entanto, não faz parte dessa lista.

Piquet chegou perto da vitória na corrida de 1981, mas bateu.
Piquet chegou perto da vitória na corrida de 1981, mas bateu.

Piquet nunca foi exatamente um apreciador das curvas monegascas. Ele, que imortalizou a frase “pilotar em Mônaco é como andar de bicicleta na sala de casa”, acumulou um retrospecto acidentado no circuito, e viu justamente por uma batida sua maior chance de vitória escorregar pelos dedos. Em 1981, ano em que viria a conquistar seu primeiro título, largou na pole position e liderava a prova desde o início. Perto do fim da primeira metade da corrida, Piquet começava a se incomodar com a pressão de Alan Jones, o segundo colocado, que gradativamente reduzia a diferença para a ponta. Na volta 54, o piloto da Brabham, ansioso para se livrar do tráfego, acabou se atrapalhando atrás de uma disputa de retardatários (Eddie Cheever e Patrick Tambay) e passou reto na curva da Tabacaria, batendo e pondo fim às suas chances de vitória. Outra oportunidade clara como essa nunca mais apareceu para Piquet. Mansell também bateu na trave Se Piquet nunca sentiu o gostinho de vencer em Mônaco, ele pelo menos teve como consolo o fato de seu grande rival Nigel Mansell também acumular infelicidades no principado. Assim como aconteceu com o brasileiro, o bigodudo inglês também teve chance clara de vencer a corrida, como na edição chuvosa de 1984, quando bateu, e em 1987, quando quebrou após largar da pole position. Mas o destino quis que isso nunca acontecesse.

Mansell 1992
Mansell acabou derrotado naquela que foi sua maior chance de vencer no principado.

Para Mansell, a oportunidade mais real de levar o troféu foi no ano em que conquistou seu título, em 1992. O inglês largou na pole position e caminhava a passadas largas rumo à vitória, com ampla vantagem para Ayrton Senna, o segundo colocado. Tudo mudou quando o piloto da Williams sentiu a perda de pressão em um pneu a sete voltas para o fim e teve de fazer um pitstop, deixando a liderança para Senna. Com um carro superior e pneus novos, o inglês engoliu em poucas voltas a diferença para o brasileiro, e iniciava-se ali um dos duelos mais icônicos da história da F1. Como todos sabem, a ultrapassagem não aconteceu, e Mansell ficou com o “segundo lugar mais bonito de sua carreira”, como o próprio definiu após a prova.

Enquanto isso, nomes como Jean-Pierre Beltoise (1972), Olivier Panis (1996) e Jarno Trulli (2004) conquistaram suas únicas e improváveis vitórias em Mônaco.

Fittipaldi fez pole, mas nunca liderou

Fittipaldi fez pole para a prova em 1972.
Fittipaldi fez pole para a prova em 1972.

Emerson Fittipaldi é outro que acabou passando em branco em todas as corridas que fez em Monte Carlo. O primeiro brasileiro campeão mundial chegou a fazer pole position e em mais de uma oportunidade subir no pódio, mas nunca conseguiu liderar uma volta sequer no circuito de rua. Em 1972, sob forte chuva, Fittipaldi largou na ponta, mas perdeu a liderança logo nos metros iniciais. O rendimento em pista molhada foi aquém do esperado e o piloto da Lotus recebeu a bandeirada na terceira posição, uma volta atrás do vencedor, Jean-Pierre Beltoise. Fittipaldi ainda terminaria a corrida no segundo lugar por duas vezes, em 1973, quando ficou logo atrás de Jackie Stewart, e em 1975, sendo derrotado por pouco por Niki Lauda. Clark e a maldição de Mônaco Quis o destino que Jim Clark, considerado um dos pilotos mais talentosos de todos os tempos, não tenha vencido uma vez sequer na pista em que seu grande rival, Graham Hill, dominou a ponto de ganhar o apelido de “Mr. Mônaco”.

Clark não teve motivos para sorrir em suas provas em Mônaco.
Clark não teve motivos para sorrir em suas provas em Mônaco.

Na verdade, o caso de Clark com Monte Carlo é um dos exemplos em que parece haver incompatibilidade entre piloto e pista. Só no principado, o “Escocês Voador” largou na pole position quatro vezes em seis participações, mas falhou em convertê-las em vitória ao sofrer falhas mecânicas de diversos tipos. Em 1963, por exemplo, comandava a corrida com folga até abandonar com uma quebra de câmbio; no ano seguinte, novamente estava na ponta até sofrer com uma falha de suspensão. O piloto faleceu de maneira prematura em um acidente na F2, em 1968, e Mônaco acabou nunca vendo uma vitória de Clark. Azar do principado…

Eles estão perto deste grupo…

Sebastian Vettel: No início desta década, Sebastian Vettel e a Red Bull traçaram novos parâmetros de excelência para a F1. Assim, chega a causar estranheza o fato de que o alemão tenha vencido a corrida “somente” uma vez, em 2011, especialmente pelo fato de seu ex-colega de equipe, Mark Webber, ter triunfado em duas oportunidades no principado (2010 e 2012). Agora piloto da Ferrari, Vettel ainda é jovem o suficiente para reverter o quadro, mas uma vitória na edição de 2015 parece improvável diante do claro favoritismo da Mercedes.

Red Bull
Vettel já venceu em Mônaco, mas tem retrospecto apagado nos últimos anos.

Lewis Hamilton: Há alguns anos, era inimaginável pensar que Lewis Hamilton poderia se juntar à lista de desafortunados em Monte Carlo, já que venceu no principado na F3, GP2 e até mesmo na F1 (2008). Porém, desde que triunfou no ano de seu primeiro título, o bicampeão passou por diversos perrengues que transformaram a prova em uma das menos bem sucedidas de seu histórico. Assim como Vettel, Hamilton viu seu companheiro de time, Nico Rosberg, vencer por duas vezes nos últimos dois anos. A edição de 2015 da prova representará uma chance de ouro de redenção.

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Bruno Ferreira

Sempre gostou de automobilismo e assiste às corridas desde que era criança. A paixão atingiu outro patamar quando viu – e ouviu – um carro de F1 ao vivo pela primeira vez. Depois disso, o gosto pelas corridas acabou se transformando em profissão. Iniciou sua trajetória como jornalista especializado em automobilismo em 2010, no mesmo ano em que se formou, quando publicou seu primeiro texto no site Tazio. De lá para cá, cobriu GPs de F1 no Brasil e no exterior, incluindo duas decisões de título (2011 e 2012), além de provas de categorias como Indy, WEC, WTCC e Stock Car.