GP do Brasil e a saga de não ser tão legal assim com o campeonato decidido

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Parece que foi ontem, mas esta será nada menos que a 14ª edição do GP do Brasil realizada na parte derradeira do Campeonato Mundial de F1. Ser reposicionada a tal fase do calendário tem seus prós e contras, como tudo na vida. A maior vantagem é ter tido a oportunidade de sediar decisões que estão entre as mais épicas e dramáticas da história do esporte, como as de 2006, 07, 08 e 12, além de outras nem tão emocionantes assim, mas nem por isso menos importantes, caso de 2005 e 09.

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Do outro lado, corre-se sempre o risco de a categoria chegar com a temporada já decidida, caso que estamos vivendo em 2017. Aí só nos resta curtir o clima de “fim de feira”, já sem o mesmo grau de tensão e pressão. Em outra oportunidade o Projeto Motor contou que é possível assistir a páreos espetáculares mesmo após a definição dos campeões de pilotos e construtores. O problema é que, se o douto leitor ingressar no link sugerido, verá que não há nenhum GP do Brasil nessa lista.

Dói, mas a verdade é esta: quando os títulos já estão consumados a única etapa sul-americana do certame costuma não ser tão legal assim. A chuva não vem, as surpresas ficam escassas… Será que a edição deste ano manterá a pouco empolgante tradição? Colocamos abaixo um resumo dos quatro Grandes Prêmios disputados sob tais condições, para que o douto leitor possa confirmar que, infelizmente, não estamos exagerando.

2004

Montoya-BMW-Williams-FW26-Brazilian-GP-F1-2004-Photo-Williams

Provavelmente a parte mais agitada desta lista, embora seja um pouco forçado classificá-la muito além de “boa prova”. Rubens Barrichello tentava mais uma vez quebrar a rotina dos maus agouros correndo em casa e, partindo da pole position, manteve-se em primeiro após a largada. Entretanto, a pista se encontrava úmida e o brasileiro acabou superado por Kimi Raikkonen, calçado com os mais eficientes pneus intermediários da Michelin.

Conforme o pavimento secava o paulistano recuperava o bom desempenho do princípio, eventualmente dando o troco no finês. Sua alegria durou pouco, contudo: Raikkonen e Juan Pablo Montoya pararam no momento certo para colocar os compostos de pista seca, enquanto Barrichello demorou demais. Resultado: terminou superado por ambos, e sem apresentar ritmo satisfatório o suficiente a fim de alcançá-los na parte final.

Montoya, por sinal, conseguiu ótima ultrapassagem sobre Kimi na saída dos boxes, tirando de seu então futuro companheiro de McLaren o primeiro posto. O colombiano seguiu firme na liderança até consolidar o primeiro e único triunfo da Williams naquela estação, que viria também a ser o último por um período de sete anos e meio – até a inesperada conquista de Pastor Maldonado no GP da Espanha de 2012. Raikkonen cruzou em segundo e Barrichello, em terceiro.

2011

F1 Grand Prix Of Brazil - Practice

Agora chegamos ao definitivo status de pasmaceira. A edição de 2011, já definida em favor de Sebastian Vettel, teve o então bicampeão na pole position seguido do companheiro de Red Bull, Mark Webber. O germânico partiu melhor e disparou na ponta, mas acabou acometido por um “problema” de câmbio (colocamos entre aspas porque até hoje não se sabe se foi mesmo uma falha ou apenas um jogo de equipe sutil) e teve de ceder o primeiro lugar ao colega australiano.

Webber não se fez de rogado e conquistou, somente na derradeira rodada, seu primeiro e único triunfo daquela estação. O momento de maior emoção foi quando Jenson Button superou Fernando Alonso, já na parte final da corrida, em disputa pelo posto final na cerimônia de pódio, resultado que consagrou a excelente campanha de vice-campeonato do inglês.

2013

F1 Grand Prix of Brazil - Race

Dessa vez nem mesmo uma (in)conveniente pane na caixa de marchas foi capaz de impedir Sebastian Vettel de triunfar em Interlagos pela segunda vez na carreira. O teutônico até chegou a perder para Nico Rosberg a primeira colocação durante o giro de abertura do páreo, mas a recuperou antes mesmo do fim da passagem e ali se manteve até a linha de chegada, atingindo o absurdo recorde de nove vitórias consecutivas na categoria.

De saída da F1, Mark Webber ocupou o quinto lugar nas voltas iniciais, mas logo superou Lewis Hamilton, Rosberg e também Fernando Alonso para colocar a Red Bull em posição de dobradinha. O cenário seguiu praticamente inalterado até a quadriculada. No fim, o fato mais marcante acabou ocorrendo após o encerramento da prova, quando Webber tirou o capacete para se despedir do público na volta de retorno ao pit.

2015

GP BRASILE F1/2015

Uma edição tão fraca que praticamente não merece ser lembrada. Com o tri de Lewis Hamilton consumado, Nico Rosberg tentava recuperar a autoestima e partiu da pole position, minando os ataques do parceiro e desafeto de Mercedes nas passagens iniciais. Assim a procissão seguiu até o encerramento, e nem mesmo a mudança tática de Sebastian Vettel, trocando de duas para três trocas de pneus, representou alguma movimentação efetiva na ordem dos primeiros colocados.

DEBATE MOTOR #100 – O que houve com formação de brasileiros para a F1?

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Modesto Gonçalves

Começou a acompanhar automobilismo de forma assídua em 1994, curioso com a comoção gerada pela morte de Ayrton Senna. Naquela época, tomou a errada decisão de torcer por Damon Hill em vez de Michael Schumacher, por achar mais legal a combinação da pintura da Williams com o capacete do britânico. Até hoje tem que responder a indagações constrangedoras sobre a estranha preferência. Cursou jornalismo pensando em atuar especificamente com automóveis e corridas, e vem cumprindo o objetivo: formado em 2010, foi consultor do site especializado Tazio de meados de 2011 até o fim de 2013; desde maio de 2015 compõe o comitê editorial do Projeto Motor.