O guia prático para você entender a pré-temporada da F1 2019

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Vai começar a pré-temporada da F1. Este período do ano sempre

intriga os fãs de automobilismo mundo afora, uma vez que as atividades de Barcelona proporcionarão para valer a primeira experiência dos carros de 2019 dentro pista.

Trata-se de uma boa ocasião para ter uma ideia básica de quem chega com força para o próximo campeonato. De fato, os oito dias de atividades verão os modelos fazendo experimentos de velocidade, consistência e durabilidade, fatores que sempre fazem a diferença com o campeonato em andamento.

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No entanto, isso não é algo necessariamente fácil de ver. Os testes podem pregar algumas peças, então é sempre importante ficar de olho nos aspectos gerais das primeiras atividades do ano.

Por isso, o Projeto Motor desenvolveu um guia básico para você entender os principais fundamentos dos testes de pré-temporada. Confira o nosso material para você tirar algumas dúvidas que podem surgir nesta época do ano.

Como é a programação do dia?

Os testes oficiais de pré-temporada serão realizados em duas baterias, ambas no circuito de Barcelona, na Espanha. A primeira vai de 18 a 21 de fevereiro; a segunda, de 26 de fevereiro a 1º de março.

Conforme estabelece o regulamento esportivo da F1, cada equipe poderá escalar somente um carro por dia durante os testes. Assim, há times que optam por utilizar só um piloto por jornada, enquanto que há outros que podem dividir as atividades – por exemplo, um piloto guia o carro na parte da manhã e outro à tarde.

Cada dia terá oito horas de atividades, das 9h às 13h e das 14h às 18h pelo horário local – lembrando que, na época dos testes, Barcelona está quatro horas à frente em relação a Brasília.

Por terem longas jornadas, os testes nem sempre contam com atividades frenéticas em pista a todo momento. Há pontos no dia em que as equipes optam por recolher seus carros para fazer ajustes nas garagens, ou para trocar peças – falaremos mais sobre isso nos tópicos abaixo.

Além disso, as jornadas podem sempre sofrer perturbações com bandeiras vermelhas. Quando um carro fica parado com problemas mecânicos, atolado na caixa de brita, ou com presença de sujeita/detritos na pista, a sessão é interrompida para que os fiscais resolvam qualquer contratempo.

Isso pode provocar, por exemplo, o encerramento prematuro das atividades, ou até mesmo a prorrogação caso tenha havido alguma bandeira vermelha que prejudicou o bom andamento das atividades por um período maior de tempo.

Por que sempre é em Barcelona?

Pelo quarto ano consecutivo, todas as atividades oficiais de pré-temporada da F1 serão realizadas no circuito de Barcelona, e isso se explica por motivos que envolvem aspectos técnicos, financeiros e logísticos.

Primeiramente, existe um acordo entre as equipes que determina que todos os treinamentos coletivos aconteçam na Europa – as exceções devem ser adotadas sob votação da maioria. Haveria pontos positivos em transferir as atividades ao Bahrein, como aconteceu em 2014, já que seria uma possibilidade de fugir do frio do inverno europeu e das possíveis chuvas. Porém, isso acarretaria em custos elevados, o que doeria no bolso das equipes menores.

Os testes em solo europeu também permitem maior facilidade no transporte constante de peças, já que os times mantêm o “leva e traz” de novidades com os treinos em andamento. Isso é fundamental para fazer qualquer reparo ou melhoria com rapidez, o que tem uma importância ainda maior nos trabalhos iniciais com o carro e em uma pré-temporada tão curta. Uma sessão no Oriente Médio, por exemplo, exigiria um transporte mais demorado, mais caro e com maior burocracia com questões alfandegárias, o que afetaria consideravelmente o ritmo das evoluções.

Tudo bem, mas por que especificamente Barcelona? A Espanha costumeiramente tem condições climáticas mais adequadas para a F1 nesta época do ano. Evidentemente pode haver infelizes contratempos (como em 2018, quando choveu forte e chegou até a nevar na primeira semana de treinos), mas, no geral, trata-se de uma opção mais segura do que locais na Inglaterra ou Itália.

Além disso, o circuito de Barcelona é condizente com os trabalhos que as equipes planejam fazer a esta altura de seu desenvolvimento. A pista possui curvas de alta, média e baixa velocidades, algumas retas mais longas e outros pontos de freada mais fortes. Isto é importante para demonstrar o comportamento dos novos carros em condições distintas, especialmente porque todas as equipes já possuem um extenso banco de dados sobre a pista para medir referências e fazer comparações.

O que devemos observar?

Nesta época do ano, é sempre bom alertar: não se deixe levar somente por aquela tabela de tempos que é divulgada ao fim dos dias para avaliar a relação de forças da temporada. Afinal, estamos falando sobre um treino, e não sobre uma sessão de classificação cujo resultado final reflete com mais de fidelidade quem está mais competitivo.

O formato atual de pré-temporada é muito mais curto do que acontecia anteriormente, então as equipes precisam aproveitar o tempo valioso para fazer todo tipo de verificação. Isso inclui um trabalho extenso de correlação para ver se as simulações feitas durante a concepção do carro batem com a realidade – incluindo, por exemplo, diversas voltas com aero-rake e flow-viz.

Além disso, é uma oportunidade para que as equipes experimentem todos os cinco compostos de pneus que serão utilizados no decorrer da temporada. Então, podemos ter de forma simultânea todo tipo de trabalho: equipes que querem somente compreender a borracha, outras que experimentam o carro em simulação de corrida (com o tanque mais cheio) e alguns que podem andar um pouco mais leves.

Por isso, é importante cruzar o máximo de informações para ter uma noção melhor de qual equipe está em vantagem. A consistência dos carros também é importante, então fique de olho naquele modelo que conseguiu percorrer maior quilometragem do que a concorrência.

Mesmo assim, tenha em mente que o panorama visto dos testes pode mudar consideravelmente para o começo da temporada. Com o passar das sessões, as equipes tendem a compreender mais detalhadamente o comportamento básico de seus carros e pouco a pouco trazem o pacote aerodinâmico com o qual irão iniciar o campeonato. Então, o desenvolvimento é tão importante quanto a consistência.

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Os pneus

Os pneus sempre são um fator importante para entender com um pouco mais de detalhes o trabalho que cada equipe desenvolve nos testes. A Pirelli fornecerá todos seus cinco compostos de 2019 em Barcelona, dos mais duros aos mais macios, então este será um item considerável para a diferenciação de performance.

Neste ano, a Pirelli abandonou o esquema de identificação estilo “arco-íris” e contará com apenas três cores para diferenciar seus pneus. Porém, como os testes se tratam de uma rara ocasião em que haverá cinco compostos diferentes à disposição, e não três como nos GPs, a fabricante estabeleceu uma fórmula diferente para reconhecer cada pneu.

Então, fique de olho: além das cores diferentes, também há a presença da faixa ou não. Entenda qual composto será qual e como que a Pirelli espera que seja o funcionamento de cada borracha na prática. 

A escalação

As equipes divulgarão aos poucos suas escalações oficiais para os testes. Acompanhe na tabela abaixo (a nota será atualizada assim que houver novas informações).

Dia 1 Dia 2 Dia 3 Dia 4
Mercedes Bottas/Hamilton
Ferrari Vettel Leclerc Vettel Leclerc
Red Bull Verstappen Gasly Verstappen Gasly
Renault Hulk./Ricci. Ricci./Hulk. Hulk./Ricci. Ricci./Hulk.
Haas Grosjean Magnussen Grosjean/Fittipaldi Fittipaldi/Magnussen
McLaren Sainz Norris Sainz Norris
Racing Point Pérez Stroll Pérez Stroll
Alfa Romeo Raikkonen Giovinazzi Raikkonen Giovinazzi
Toro Rosso Kvyat Albon Kvyat Albon
Williams - Russell/Latifi Latifi/Kubica Kubica/Russell
*Programação sujeita a mudanças

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Bruno Ferreira

Sempre gostou de automobilismo e assiste às corridas desde que era criança. A paixão atingiu outro patamar quando viu – e ouviu – um carro de F1 ao vivo pela primeira vez. Depois disso, o gosto pelas corridas acabou se transformando em profissão. Iniciou sua trajetória como jornalista especializado em automobilismo em 2010, no mesmo ano em que se formou, quando publicou seu primeiro texto no site Tazio. De lá para cá, cobriu GPs de F1 no Brasil e no exterior, incluindo duas decisões de título (2011 e 2012), além de provas de categorias como Indy, WEC, WTCC e Stock Car.