Hamilton apostou na Mercedes e nele mesmo. E acertou em cheio

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Em 28 de setembro de 2012, Lewis Hamilton surpreendeu a muitos ao anunciar que estava deixando a McLaren para assinar um contrato de três anos com a Mercedes. Ele deixava para trás a equipe pela qual não só estreou na F1 e foi campeão mundial em 2008, mas que o nutriu desde os 13 anos, ainda nos tempos do kart, para seguir para uma organização que vinha há três anos em baixa.

Foi certamente, uma aposta arriscada, que ele tomou não só em sua nova casa, mas em sua própria capacidade de levantar e liderar toda uma empresa que estava por trás daquilo.

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Na época, o movimento do inglês foi estranho para muita gente. Para se ter ideia, alguns meses depois, antes do início da temporada de 2013, o piloto foi ao famoso programa Top Gear, da BBC, e o apresentador, Jeremy Clarkson, fez a seguinte pergunta: “Você acaba de trocar a McLaren pela Mercedes. Isso não é como trocar o Manchester United pelo West Ham?”.

Hamilton comemora título com integrantes da equipe Mercedes
Hamilton comemora título com integrantes da equipe Mercedes

Claro que Hamilton deu aquela resposta meio sem graça, de que ele estava na McLaren há muitos anos e que queria algo diferente, e que era um cara ousado e tal. Lembrou até a mudança de Michael Schumacher para a Ferrari nos anos 90.

A verdade é que o inglês realmente tomou uma decisão corajosa, sem medo. Claro que foi baseada em diversos fatores importantes, inclusive dinheiro, mas, para qualquer um, sair de sua zona de conforto para encarar um novo desafio é sempre algo complicado.

Vejamos os números da temporada de 2012:

– A McLaren venceu sete corridas. A Mercedes, uma.
– A McLaren conquistou oito pole positions. A Mercedes, uma.
– A McLaren fechou o campeonato de construtores na terceira posição, com 378 pontos. A Mercedes ficou em quinto, com 142.

A diferença era brutal. O que levou, então, Hamilton a tomar uma decisão tão radical?

Para começar, claro, dinheiro. O primeiro contrato do inglês com a Mercedes foi de U$ 100 milhões por três temporadas. Nada mal. Segundo, também deve entrar na conta o seu desgaste com o time de Woking.

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O campeão de 2008 estava cansado das regras da equipe, como, por exemplo, de não poder ficar com seus troféus, além das decepções das temporadas anteriores. Em 2012, em especial, o carro era bom, mas o time jogou fora suas chances em erros de pit, estratégia e quebras.

Além disso, a Mercedes estava se mexendo. E uma das principais contratações, que seria anunciada algumas semanas depois da de Hamilton, foi de Paddy Lowe, que também estava trocando a Mclaren pela marca da estrela de três pontas.

Lewis Hamilton e Paddy Lowe celebram o título do inglês no pódio de Austin
Lewis Hamilton e Paddy Lowe celebram o título do inglês no pódio de Austin

Lowe chegou à equipe alemã e tomou o lugar de Ross Brawn como diretor técnico, cargo que ele ocupava em sua equipe anterior. Certamente, o piloto sabia do movimento e isso foi uma motivação para ele. O projeto 2014 como um todo, mesmo na época, já era bastante promissor se olharmos o resto do corpo técnico, com nomes como Aldo Costa e Geoffrey Willis.

Quem estava acompanhando de perto o que a Mercedes estava preparando fora da pista, sabia que ela viria com tudo para aproveitar a grande mudança de regulamento que estava para acontecer. E foi isso que sucedeu.

Hamilton foi premiado por sua coragem de acreditar em um projeto. E sabia que ele seria o líder disso, apesar de ter Nico Rosberg, um piloto talentoso e que já estava no time há três anos como companheiro. O inglês aceitou o desafio e agora colhe os frutos.

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Todo esse caso também foi importante para Hamilton amadurecer como piloto e pessoa. Assumir este risco na carreira fez com que ele se obrigasse a voltar o foco no trabalho, recuperando a concentração que parecia há algum tempo sofrendo um desfoque entre namoradas, mudanças de religião e brigas com seu pai/empresário.

Ele não deixou de cometer seus errinhos aqui e ali, mas as temporadas de 2014 e, principalmente, de 2015 já mostraram que ele está em outro nível em sua pilotagem e de visão de campeonato.

Sim, a Mercedes tem um grande carro, mas nunca é demais lembrar a importância da aposta que Hamilton fez na equipe e nele mesmo para conquistar este bicampeonato (14 e 15).

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Lucas Santochi

Mais um fanático da gangue que criou vínculo com automobilismo desde a infância. Acampou diversas vezes nas calçadas ao redor de Interlagos para assistir aos GPs e nunca esqueceu a primeira vez que, ainda do lado de fora do autódromo, ouviu o barulho de F1 acelerando pela reta. Jornalista formado em 2004, passou por redações na época da TV Band e Abril, teve experiência na área de assessoria de comunicação esportiva até chegar ao site especializado em esporte a motor Tazio, em 2010. Passou pelas funções de redator, repórter (cobrindo diversas corridas no Brasil e exterior de F1, Indy, WEC, Stock Car, entre outras) e subeditor até o final de 2013, quando o veículo encerrou suas atividades. Trabalhou ainda como redator do UOL Esporte em 2014 até que decidiu se juntar com os outros três membros do Projeto Motor para investir na iniciativa.