Hamilton precisa reagir, e o GP do Canadá não podia vir em melhor hora

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As primeiras corridas da temporada indicavam que Lewis Hamilton teria vida tranquila em 2015. O atual campeão, com três vitórias e um segundo lugar nas quatro provas de abertura do ano, estabelecia desde já uma folgada vantagem na pontuação, e, integrado a uma Mercedes W06 veloz e infalível, parecia caminhar a passadas largas rumo ao tricampeonato. Porém, bastaram duas corridas em solo europeu para que o inglês ficasse com o sinal de alerta aceso.

A corrida apagada na Espanha e o erro grotesco da Mercedes em Mônaco deixaram Nico Rosberg, que antes parecia carta fora do baralho, a dez pontos de Hamilton na tabela. Isso significa que uma nova vitória do alemão, mais um terceiro lugar de seu colega de equipe, deixaria a dupla da Mercedes rigorosamente empatada no campeonato.

No entanto, se para Hamilton o cenário parece desfavorável e ameaçador, há um alento: a chance de reação será no circuito de Montreal, no GP do Canadá.

Em Montreal, Hamilton venceu pela primeira vez (Divulgação)
Em Montreal, Hamilton venceu pela primeira vez (Divulgação)

Foi no sinuoso traçado de 4,361 km que Hamilton passou por importantes provações em sua carreira. Em 2007, seu ano de estreia na F1, se portou como veterano e venceu pela primeira vez na categoria com tranquilidade. O mesmo se repetiu em 2010 e 2012, em momentos em que a McLaren, sua então equipe, lutava para se estabelecer na briga pelo título.

Desta vez, Hamilton chega a Montreal com uma missão clara em mente: vencer de forma categórica pela quarta vez no local e frear as ambições de Rosberg. Afinal, um novo resultado positivo do alemão colocaria fogo no campeonato e potencialmente reascenderia seus ânimos, já que, até o momento, Nico não foi páreo para Hamilton em pilotagem pura, com exceção do visto na prova de Barcelona.

Existem alguns indícios, contudo, que transformam Hamilton na aposta mais segura para o fim de semana. Recentes resultados ruins à parte, o inglês segue em forma soberba na pista, sabendo conter seu ímpeto na medida certa, sem deixar com que isso afete sua velocidade. Mas, mais que isso, Hamilton mostrou nas últimas semanas uma evolução naquele ponto que sempre foi seu calcanhar de Aquiles: o aspecto psicológico.

Hamilton reagiu com maturidade ao erro da Mercedes em Mônaco (Divugação)
Hamilton reagiu com maturidade ao erro da Mercedes em Mônaco (Divugação)

Se antigamente Hamilton reagia mal a adversidades, o que já o atrapalhou por várias vezes na conversão de seu potencial em resultados concretos, ele desta vez mostrou maturidade. O erro estratégico da Mercedes em Mônaco, que lhe custou a vitória no principado e pontos preciosos no campeonato, era motivo suficiente para Hamilton despejar críticas ao time prateado. Não foi o que ele fez. Em vez disso, o bicampeão mostrou espírito de equipe, dividiu a responsabilidade e insistiu que o episódio já ficou no passado.

Se é jogo de cena ou não, só o tempo vai dizer. Mas Hamilton, com temperamento equilibrado e focado, como vem sendo tendência desde o fim do ano passado, já mostrou que é difícil de ser batido.

Em sete participações no GP do Canadá, Hamilton obteve três vitórias, um terceiro lugar e três pole positions – aliás, ele só ficou de fora da primeira fila uma vez, em 2011

Apesar da boa fase de sua pilotagem e do histórico vencedor em Montreal, Hamilton ainda precisa ficar de olhos bem abertos para alguns aspectos que poderão afetar a corrida do próximo fim de semana.

O primeiro deles é a dinâmica das corridas realizadas no Circuito Gilles Villeneuve. Com curvas rápidas, asfalto pouco aderente e muros próximos, a pista é o palco perfeito para corridas cheias de reviravoltas. Das última dez edições, em seis o Safety Car foi acionado pelo menos uma vez, e, caso isso aconteça em 2015, poderá exigir decisões rápidas das equipes no que diz respeito à estratégia. Ou seja, a Mercedes teria de provar, na prática, que aprendeu com os erros de Monte Carlo.

O segundo aspecto é a própria pilotagem de Hamilton. Montreal é pista de caráter traiçoeiro, que frequentemente pune pilotos com excesso de confiança – o “Muro dos Campeões” está lá para provar. O inglês não pode se dar ao luxo de repetir erros do passado, o que inclui um acidente infantil no pitlane com Kimi Raikkonen, em 2008.

No ano passado, Rosberg deixou Hamilton para trás no Canadá (Divulgação)
No ano passado, Rosberg deixou Hamilton para trás no Canadá (Divulgação)

Além disso, o desempenho de Nico Rosberg também deve ser observado ao longo do fim de semana. Apesar de não apresentar muita resistência a Hamilton desde a reta final da temporada de 2014, o alemão andou forte na última vez que a F1 desembarcou em Montreal, com direito a pole position e uma quase vitória – inclusive deixando Hamilton para trás.

Resta saber se a briga pelas primeiras posições ficará restrita aos carros prateados ou se haverá algum intruso. Afinal, a Ferrari espera por uma evolução de desempenho após utilizar seus primeiros tokens no desenvolvimento dos propulsores V6 Turbo.

A Williams também procura reagir depois de um fim de semana sofrível em Mônaco. Desta vez, em um circuito de média para alta velocidade, com longas retas, espera-se que os FW37 de Valtteri Bottas e Felipe Massa consigam voltar a ocupar posições de destaque.

Mas, mais uma vez, os holofotes estarão voltados para Lewis Hamilton e a Mercedes, que terão de provar ao mundo que a realidade do time é o desempenho esmagador do início do ano, e não a equipe atrapalhada que foi pega no contrapé em Mônaco. Ingredientes não vão faltar para apimentar o GP do Canadá.

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Bruno Ferreira

Sempre gostou de automobilismo e assiste às corridas desde que era criança. A paixão atingiu outro patamar quando viu – e ouviu – um carro de F1 ao vivo pela primeira vez. Depois disso, o gosto pelas corridas acabou se transformando em profissão. Iniciou sua trajetória como jornalista especializado em automobilismo em 2010, no mesmo ano em que se formou, quando publicou seu primeiro texto no site Tazio. De lá para cá, cobriu GPs de F1 no Brasil e no exterior, incluindo duas decisões de título (2011 e 2012), além de provas de categorias como Indy, WEC, WTCC e Stock Car.