Havaianas no halo da F1: o que pensar da novidade? | Contraponto #4

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Uma novidade que deu muito o que falar durante o GP da Austrália, abertura da temporada de 2018 da F1, veio fora da pista: a Force India anunciou um acordo de patrocínio com as Havaianas, que estamparão seu nome no halo dos carros cor de rosa.

Podemos dizer que era uma bola que estava quicando há muito tempo, só esperando para ser chutada para o gol. As comparações entre o visual do halo com os famosos chinelos eram frequentes na internet, e a equipe anglo-indiana abocanhou o patrocínio da empresa brasileira – que marcará presença em “várias corridas europeias” e no GP do Brasil, segundo disse o próprio time.

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A Force India, aliás, não foi a primeira a fechar um acordo do tipo, já que a McLaren também fez parceria com a empresa inglesa de chinelos Gandys, só para o GP da Austrália, também pensado especificamente no halo.

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A novidade mostra que a F1 vem sendo descolada ou, no fundo, pega mal assumir as semelhanças do carro com os chinelos? O que podemos concluir de tudo isso? Confira o que os membros do Comitê Editorial do Projeto Motor pensam a respeito.

Lucas Santochi: “Se é para rir, que siva para algo”
havaianas
Existem várias dúvidas sobre o halo. Por outro lado, não existe nenhum questionamento – ou pelo menos não deveria existir – sobre a necessidade de um dispositivo de segurança para a cabeça dos pilotos. A F1 acabou escolhendo um caminho que não só desagradou aos fãs, como virou piada pelo seu visual inusitado e que lembra um chinelo. Bem, se o elefante está na sala, por que um dos esportes mais capitalistas do mundo não deveria aproveitar?

Não vejo problemas no patrocínio das Havaianas e Gandys a Force India e McLaren, respectivamente. A questão de só aumentar a “tiração de sarro” em cima da categoria pode até servir para alguma coisa.

Lembro daquela história que ouvia na infância que se alguém está fazendo piada com você sobre algo, a melhor coisa é embarcar na história que ela vai embora. No momento que você fica brigando com isso, as pessoas vão insistir nas paródias.

A F1 precisa estudar e evoluir o conceito do halo para que ele fique esteticamente mais aceitável ao mesmo tempo que aumente a segurança dos pilotos. Não é fácil. Enquanto isso, que se faça algum dinheiro com a brincadeira.

Bruno Ferreira: “Copo meio vazio e meio cheio”
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Como várias outras coisas da vida, o patrocínio pode ser como um copo meio cheio ou meio vazio, já que é possível extrair alguns pontos positivos e outros mais negativos com a novidade.

Em tempos de carenagens cada vez menos preenchidas, é sempre importante ver uma equipe fechando um acordo comercial – especialmente a Force India, que sobrevive aos trancos e barrancos com seu baixo orçamento.

Mais que isso, a chegada dos patrocínios ao halo mostra que a F1 está de olho nos comentários de fora de seu próprio mundo, já que a comparação entre os chinelos e os novos acessórios dos carros era feita há um bom tempo pela internet. Ponto para as equipes que souberam capitalizar.

Porém, a novidade mostra um aspecto mais amplo do que se passa com a categoria. Rir de si mesmo certamente é uma virtude, mas tudo isso também evidencia que ninguém mais tem pudor para tirar um sarro de uma das novidades mais controversas da história da F1. Apesar dos pontos positivos, a ação também ficará marcada na história como reforço do quão triste é o buraco em que a F1 se meteu em termos de imagem.

Modesto Gonçalves: “Expõe que a FIA foi precipitada com o halo”

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O halo parece cada vez mais ter sido uma precipitação. Não se questiona aqui sua eficácia enquanto instrumento de segurança, mas sim o impacto imagético causado pelo item. A forma como a peça tem irritantemente roubado o protagonismo das imagens mostradas por câmeras a bordo evidencia que não houve o estudo nem o preparo (talvez nem o desejo) necessário de torná-lo um elemento mais natural do “circo”.

Dito isso, espanta de maneira ver que quem mais está encarando o “escárnio” em torno do dispositivo sejam os departamentos comerciais das equipes. Sem puritanismo: os times precisam de dinheiro para sobreviver, e se o halo se tornou um caminho tortuoso para arranjar alguns quinhões em patrocínio, que assim seja…

O que mais incomoda, no fim, é saber que se até as equipes e as próprias fabricantes de chinelas entraram na onda de comparar o halo às “alça de havaianas”, é porque a FIA talvez tenha errado a mão ao impor um conceito ainda pouco aperfeiçoado.


E você, o que achou da novidade? Deixe seu comentário abaixo! 

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