Honda testa piloto pela Toro Rosso. E vale ficar de olho

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A Honda promoverá, mais uma vez, um japonês à F1. Tudo bem, trata-se apenas de um treino livre de sexta-feira, mas considerando a tradição do Japão, tanto pela participação de suas marcas como pelos pilotos nos últimos 30 anos, ao ficar sem ninguém ao volante de um carro da categoria por cinco anos, qualquer novidade é de se comemorar.

O piloto que está recebendo esta oportunidade é Naoki Yamamoto. Aos 31 anos, o atual campeão da Super Fórmula Japonesa e do Super GT (em parceria com Jenson Button) terá pelo menos o gostinho de andar com um carro da F1 em frente aos fãs no circuito de Suzuka graças à parceria da Honda com a Toro Rosso.

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Antes de mais nada, não podemos deixar de destacar que a ideia toda não passa – pelo menos em um primeiro momento – de um marketing da Honda. A marca quer um piloto japonês apoiado por ela, conhecido do público local pelos seus títulos e vitórias andando em um F1 na etapa de Suzuka, circuito da montadora.

Não é nada, não é nada, mas pela loucura recente que vem sendo dentro do programa da Red Bull, por que não sonhar com um lugarzinho em 2020, não? É difícil, ninguém está falando o contrário, mas vale ver o currículo para ter a percepção de que Yamamoto merece esta chance de pelo menos mostrar do que é capaz. E queira ou não, é um agrado da Red Bull à sua fornecedora Honda.

Yamamoto toro rosso honda
Yamamoto já prepara assento no cockpit da Toro Rosso (Foto: Red Bull)

Antes do título de 2018, Yamamoto já tinha sido campeão da Super Fórmula Japonesa em 2013. Antes, ele figurou como uma revelação do automobilismo local pelo título na F3 do Japão. Em 2019, ele mais uma vez lidera o campeão da Super Fórmula e já recebeu inúmeros elogios de seu companheiro no Super GT, Button.

“Eu acho que esse cara deveria estar na F1. Se ele quer ou não, é só minha opinião. Vendo o que ele conseguiu na Super Fórmula, que acho que é uma boa base para os fórmulas se você ver Gasly e Vandoorne e tantos outros pilotos. Também pela diversidade da pilotagem dele. Ele é campeão da Super Fórmula e no Super GT. Tem uma experiência em diferentes tipos de corrida, o que ajuda quando você está sob pressão no topo”, declarou o inglês.

Mesmo com apoio da Honda, Yamamoto nunca se aventurou na Europa ou Estados Unidos. Decidiu manter o foco de sua carreira no Japão e assim construiu uma trajetória bastante sólida por lá. Agora, terá uma pequena chance de mostrar do que é capaz.

Cenário para pilotos Honda

Seria uma mudança considerável vermos um piloto à beira de completar 32 anos estreando na F1 em 2020 pela Toro Rosso, que nada mais é do que uma equipe Júnior. Mas a verdade é que a Honda está ansiosa por ver novamente um japonês no Mundial. O último foi Kamui Kobayashi, que teve uma experiência final pela Caterham em 2014, mas que na maior parte de sua estrada no automobilismo levou o suporte da Toyota, a grande rival da Honda.

E uma das coisas que deixa Yamamoto melhor posicionado é que ele já é elegível a uma superlicença para a F1, algo que tanto Honda quanto Red Bull têm enfrentado problemas com seus nomes da base. Nobuharu Matsushita está na F2/GP2 desde 2015, ainda sem sucesso para tirar a “carteira” de piloto para o Mundial. O outro protegido da Honda, Yuki Tsunoda, campeão de 2018 da F4 Japonesa ainda está na F3 FIA e ocupa a nona posição do atual campeonato, o que significa que ele tem um longo caminho pela frente ainda.

Tadasuke Makino e Nirei Fukuzumi, nomes que estavam circulando na F2 e são apoiados pela Honda, foram transferidos para o programa da Super Fórmula e Super GT para defenderem a marca. Mesmo que a categoria de fórmulas japonesa seja um caminho para a superlicença, nenhum dos dois a conquistou a ainda.

Na própria Red Bull não estão sobrando pilotos com superlicença ou à beira de consegui-la. No programa de jovens pilotos da marca, nenhum piloto da base está elegível para uma superlicença para 2020 e apenas Juri Vips, quarto colocado na F3 FIA de 19, está se aproximando para ter chance em 21.

Assim, se não quiser ir ao mercado, a Red Bull por enquanto está meio que presa em seus atuais Pierre Gasly, Daniil Kvyat e Alex Albon nos dois próximos anos (Max Verstappen é incontestável e até um risco de sair em 21). Yamamoto se tornaria uma opção plausível caso agrade em seu trabalho.

A Honda e seus pilotos na F1

Não é de hoje que a Honda tenta emplacar um piloto japonês na F1. A marca tem ligação com o campeonato desde os anos 60, quando criou sua primeira equipe na categoria.

O primeiro piloto que recebeu apoio da Honda para entrar no Mundial foi Satoru Nakajima, que entrou para a Lotus em 1987 como moeda de troca para o time inglês receber os poderosos motores da marca japonesa de então. É verdade que o quase folclórico piloto japonês ficou conhecido por muitas coisas na categoria menos por sua habilidade, mesmo assim, ele foi importante para abrir o mercado ao país a partir do começo dos anos 90.

Nakajima Lotus Honda
Nakajima corre pela Lotus em 1988 (Foto: Honda)

Nos anos 2000, um dos melhores pilotos japoneses a competir em categorias internacionais chegou à F1 pelas mãos da Honda: Takuma Sato. O asiático chegou à Jordan graças à parceria da equipe com a montadora, em 2002. Independente do apoio, o asiático vinha de uma ótima temporada no ano anterior, em que conquistou o título da F3 Inglesa (na época, ainda um dos campeonatos mais fortes e importantes da base europeia), vitória no Masters de F3 e no GP de Macau. Está bom ou quer mais?

Em 2003, a Honda saiu da Jordan e Sato recebeu um upgrade ao ir para a BAR, que se tornava o time oficial da montadora na F1. Por lá, ficou mais três campeonatos, inclusive conquistando seu único pódio na categoria, no GP dos EUA de 2004, além de largar na primeira fila da etapa de Nurburgring do mesmo ano.

O Projeto Super Aguri Honda

Em 2006, a Honda comprou a BAR e assumiu a dupla formada por Jenson Button e Rubens Barrichello. Sato ficaria a pé. Uma pressão pública passou a surgir no Japão para que a Honda ajudasse seu piloto a continuar na F1. Foi então que a marca resolveu investir em uma equipe satélite que seria comandada pelo ex-piloto Aguri Suzuki: a Super Aguri. Desta forma, a Honda passou a ajudar a nova equipe com dinheiro, suporte técnico de seu time oficial, motores e ainda contratou os pilotos.

Sato Super Aguri Honda
Takuma Sato lidera a Honda de Jenson Button durante o GP dos EUA de 2007, em Indianápolis (Foto: Super Aguri Honda)

A Super Aguri durou duas temporadas e meia, deixando a F1 durante o campeonato de 2008, quando a Honda já começava a repensar sua participação no Mundial. No final daquele ano, inclusive, ela acabou deixando a categoria.

Durante seus anos na pista, a escuderia de Suzuki chegou a ter boas apresentações, deixando inclusive a equipe oficial da Honda passando vergonha em alguns momentos. Ela teve como melhor resultado o sexto lugar de Sato no GP do Canadá de 2007. Para se ter ideia, o time terminou aquele mesmo campeonato de construtores com quatro pontos, apenas dois a menos que a Honda, e à frente da Skyper.

A Honda acabou com seus projetos de F1 incluindo equipe, motores e pilotos a partir de 2009 e voltou apenas em 2015. Não é segredo que desde o retorno a marca enfrentou diversos problemas, agora que está voltando a ser competitiva junto com a Red Bull, a ideia de voltar a ajudar pilotos japoneses a entrarem na F1 está normalmente na pauta da marca.

Sato passou a correr ainda com apoio da Honda na Indy em 2010 e está lá desde então. E não pode reclamar. Já acumula cinco vitórias, inclusive uma nas 500 Milhas de Indianápolis.


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Lucas Santochi

Mais um fanático da gangue que criou vínculo com automobilismo desde a infância. Acampou diversas vezes nas calçadas ao redor de Interlagos para assistir aos GPs e nunca esqueceu a primeira vez que, ainda do lado de fora do autódromo, ouviu o barulho de F1 acelerando pela reta. Jornalista formado em 2004, passou por redações na época da TV Band e Abril, teve experiência na área de assessoria de comunicação esportiva até chegar ao site especializado em esporte a motor Tazio, em 2010. Passou pelas funções de redator, repórter (cobrindo diversas corridas no Brasil e exterior de F1, Indy, WEC, Stock Car, entre outras) e subeditor até o final de 2013, quando o veículo encerrou suas atividades. Trabalhou ainda como redator do UOL Esporte em 2014 até que decidiu se juntar com os outros três membros do Projeto Motor para investir na iniciativa.