Hulkenberg pode encontrar no WEC a oportunidade que tanto sonha

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Ele é rápido, consistente, jovem e raramente comete erros ou se envolve em confusões. Fora da pista, é inteligente e articulado. Mesmo assim, não consegue chamar os holofotes para si na busca por uma vaga em uma equipe de ponta na F1, e poderá ter de recorrer ao endurance para continuar competindo em alto nível no automobilismo mundial. O que se passa com Nico Hulkenberg?

O alemão de Emmerich despontou como promessa na segunda metade da década passada, conquistando títulos importantes em todas as categorias de base em que correu (F-BMW, A1GP, F3 e GP2). Mas, depois que chegou à F1, acabou entrando em fase de estagnação por “cometer o crime” de não estar no lugar certo, na hora certa.

Exibições de gala nunca faltaram no histórico de Hulkenberg. Em sua temporada de estreia, pela Williams, conquistou uma insólita pole position no asfalto molhado em Interlagos; dois anos depois, com a Force India, também no GP do Brasil, foi além ao liderar por 30 voltas, lutando cabeça a cabeça contra as McLaren. Em 2013, pela Sauber, cravou uma segunda fila no grid em Monza e teve pilotagem cirúrgica no GP da Coreia, quando segurou por diversas voltas a Mercedes de Lewis Hamilton e a Ferrari de Fernando Alonso até a bandeirada. No ano passado, de volta ao time indiano, mais uma vez mostrou consistência ao pontuar em 15 das 19 corridas do campeonato.

Alemão deixou todos de queixo caído no GP do Brasil de 2012 (Divulgação)
Alemão deixou todos de queixo caído no GP do Brasil de 2012 (Divulgação)

Contudo, “Hulk” nunca alcançou nas negociações o mesmo sucesso que obteve nas pistas. Pelo contrário: em vez de capitalizar seus bons momentos e garantir o cobiçado cockpit de ponta, o alemão parecia sempre tender ao retrocesso. Na Williams, sobrou na dança das cadeiras ao ver Pastor Maldonado chegar com uma enorme mala de dinheiro, o que o deixou sem opções a não ser virar reserva na Force India. Já no fim de 2012, de olho na McLaren, foi preterido em favor do pouco consistente Sergio Pérez, que levou vantagem por seus pódios na Sauber. Para 2014, fracassou nas conversas com a Lotus, que, na época, possuía bom status no grid, e teve de voltar à Force India.

Publicamente, Hulkenberg mostra ter paciência com a situação e diz ter confiança de que a oportunidade ideal na F1 irá aparecer hora ou outra. Entretanto, há alguns aspectos que indicam que este discurso poderá mudar em breve.

Hulkenberg tem 27 anos de idade (completa 28 em agosto) e vê o esporte ser cada vez mais tomado pela nova geração. Além disso, por falta de vagas, não existe a perspectiva realista de vê-lo imediatamente em uma equipe de ponta – a Ferrari, time ao qual já foi especulado no passado, parece pender mais para Valtteri Bottas caso decida substituir Kimi Raikkonen.

“Minha cabeça está pensando na F1 e em um futuro por lá”, diz Hulkenberg. Por enquanto…

O primeiro passo foi dado neste ano, quando o próprio piloto decidiu procurar a Porsche para disputar as 24 Horas de Le Mans. Habituado a competir de monoposto, o alemão ainda precisa se adaptar às nuances das corridas de longa duração, como o tráfego, os extensos turnos, além da tocada com o protótipo em si. Independentemente dos resultados, as duas participações de Hulkenberg no WEC (ele também correu nas 6 Horas de Spa-Francorchamps, em maio) permitirão ao piloto ver o automobilismo de alto nível por outra perspectiva.

Acerto de Hulkenberg é válido para Spa e Le Mans (Divulgação)
Acerto de Hulkenberg é válido para Spa e Le Mans (Divulgação)

O alemão sabe que é dotado de muito talento, e transparece isso em suas entrevistas, indo além daquela simples (e muitas vezes ingênua) confiança habitual que todo piloto possui. Ciente de seu potencial, não seria inimaginável vê-lo desanimar ao se deparar, em sua quinta temporada na F1, novamente lutando no meio do pelotão.

Em sua passagem pela Porsche, Hulkenberg poderá se dar conta de que é possível seguir rumos profissionais e financeiros satisfatórios fora da F1, guiando por uma marca tradicional, em um campeonato bem estruturado e com a possibilidade de lutar por vitórias.

Recentemente, alguns outros pilotos se viram forçados a se desapegarem da F1 e encontraram no endurance um bom refúgio para a continuidade de suas carreiras. Lucas di Grassi, hoje piloto da Audi, e Sébastien Buemi, campeão do WEC no ano passado com a Toyota, são bons exemplos disso.

A situação de Hulkenberg é diferente, já que ele goza de bom prestígio e possui seu espaço na F1. Porém, como todo piloto, o alemão é movido a desafios e vitórias, algo que parece fora de alcance em sua atual situação. Com a Porsche, Hulkenberg pode conseguir dar o passo que não conseguiu na F1 e conquistar as vitórias que seu talento merece.

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Bruno Ferreira

Sempre gostou de automobilismo e assiste às corridas desde que era criança. A paixão atingiu outro patamar quando viu – e ouviu – um carro de F1 ao vivo pela primeira vez. Depois disso, o gosto pelas corridas acabou se transformando em profissão. Iniciou sua trajetória como jornalista especializado em automobilismo em 2010, no mesmo ano em que se formou, quando publicou seu primeiro texto no site Tazio. De lá para cá, cobriu GPs de F1 no Brasil e no exterior, incluindo duas decisões de título (2011 e 2012), além de provas de categorias como Indy, WEC, WTCC e Stock Car.

  • Gustavo Segamarchi

    Agora, que a Williams corre com motores da Mercedes, ela tem sido a terceira força do grid. Se, em 2016 ou 2017 o Bottas for( com certeza, vai) para a Ferrari, o Hulkenberg seria um substituto à altura, pois o Hulk, é um piloto arrojado, mas injustiçado.

    A Force India, é uma equipe média, que não vai conseguir entregar um carro vencedor nas mãos do Hulk.

    E quem garante, que correr em Le Mans vai trazer vitórias para ele?

    • Bruno Ferreira

      Acho que a vaga na Williams para 2016 seria o mais realista no momento para o Hulkenberg, mas convenhamos: pelo que ele vem mostrando na F1, talvez ele mereça mais. Principalmente com a vitória dele em Le Mans, que deve elevar ainda mais a sua reputação.

      Mas acredito que, com o sucesso nas 24 Horas, que deve ter surpreendido até mesmo ao próprio alemão, aquela vaguinha na Porsche deve ter ficado ainda mais tentadora…

      • Gustavo Segamarchi

        Ainda bem que o Hulk ganhou, Bruno!

        Ele já havia mostrado antes, que era um piloto de ponta. Com a vitória em Le Mans, ele só reforça para o pessoal da F1, que ele é um excelente piloto!

        Mas, o Hulk falou, que o foco dele, ainda é a F1.

        Vamos aguardar os próximos 2 anos. Ele poderá estar em uma equipe melhor na F1, ou se firmar como piloto da Porsche.