Igor Fraga: vaga na Red Bull e a virada pelo automobilismo virtual

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Enquanto espera o retorno das atividades do automobilismo internacional, Igor Fraga pode celebrar o começo de 2020 como um novo momento de sua carreira. O piloto, que já veio de um terceiro F-Regional Europeia em 19, venceu em fevereiro o campeonato de pré-temporada Toyota Racing Series (TRS) na Nova Zelândia e fechou contrato com a equipe Charouz da FIA F3, que corre nos mesmos GPs da F1.

A cereja no bolo foi o acordo com a Red Bull para entrar no programa de formação de pilotos da marca austríaca, fechado pouco depois do título da TRS. O contrato abre novas oportunidades e possibilidades para a carreira de Fraga.

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“Na F-Regional, o terceiro lugar no campeonato foi muito bom. Acredito que poderia ter sido melhor, mas eu tive alguns problemas durante a temporada que impossibilitou isso. Mas eu sabia que o potencial estava ali. E indo para o TRS, eu consegui ir para uma equipe bem conceituada lá dentro. O que foi um facilitador. Claro que eu tinha os companheiros de equipe muito fortes. Tinham dois pilotos do Red Bull Junior Team, mas deu tudo certo e consegui ser campeão lá. E isso com certeza abriu portas para mim, e uma delas foi a entrada no Red Bull Junior Team”, analisou o piloto de 21 anos, em entrevista ao podcast do Projeto Motor.

O acerto de Fraga com a Red Bull tem duração de um ano, podendo ser renovado ao final de cada temporada. Ele envolve sessões no simulador ao lado de engenheiros, treinamentos físicos e até custeio de parte do programa na pista para ajudar a encontrar as melhores equipes e oportunidades nos próximos passos de Fraga.

O programa da empresa, que revelou, só entre os pilotos do atual grid da F1, Sebastian Vettel, Daniel Ricciardo, Carlos Sainz, Max Verstappen, Alex Albon, Pierre Gasly e Daniil Kvyat, muitas vezes recebe críticas por ser muito duro com seus jovens integrantes. Caso os resultados não venham rápido, demissões e substituições acontecem. O brasileiro, no entanto, não vê isso como um problema, mas até uma oportunidade dentro do que já viveu no automobilismo.

“Na questão de cobrança, não vejo como uma pressão, pois no passado, em 2018, que foi um dos anos mais difíceis para mim, eu não sabia se ia ter condição de correr a próxima corrida. Se eu batesse, tivesse algum acidente, ia sair do nosso bolso e não tinha de onde sair. E agora eu já consigo ver esse ano e talvez quem sabe o próximo. Isso acrescenta mais motivação para mim.”

Igor Fraga já participou da pré-temporada da FIA F3
Igor Fraga já participou da pré-temporada da FIA F3 em março (Foto: F3)

O contrato foi fechado diretamente com Helmut Marko, responsável pelo programa da Red Bull. A chamada, inclusive, até surpreendeu o piloto, que ainda estava chegando no aeroporto depois do título na Nova Zelândia. O dirigente austríaco ligou em seu celular para parabenizá-lo pelo triunfo e pedir uma reunião dois ou três dias depois na sede da companhia.

Fraga, que estava viajando em direção à República Tcheca, sede da equipe Charouz, seguiu para a Áustria e em poucos dias fechou o contrato. “Eu nem estava acreditando”, admite.

A virada na carreira de Fraga pelo automobilismo virtual

Se a fase atual do brasileiro parece boa e promissora, ele enfrentou diversos percalços pelo caminho. Após o título na F3 Brasil em 2017, ele simplesmente não tinha verba para competir. Um contato com o ex-piloto Roberto Pupo Moreno abriu portas para ele competir na temporada seguinte nos Estados Unidos, na USF2000, campeonato que faz parte do “Caminho para a Indy”.

Fraga, no entanto, continuou atento às oportunidades. E uma pulguinha atrás da orelha que tinha ficado de uns anos antes, de uma competição de automobilismo virtual, lhe fez ficar atento a uma trajetória um pouco diferente da usual.

“Eu sabia que o Gran Turismo poderia me dar uma oportunidade muito grande porque eu tinha visto o projeto deles GT Academy, de tirar pilotos virtuais para o real, como profissional e tudo mais. Eles tiveram esse projeto de 2008 até 2016, mais ou menos. Em 2014, foi quando isso foi expandido globalmente e tentei entrar. Eu consegui passar na classificação, mas eu não tinha idade para participar do evento presencial. Aí resolvi que quando tivesse a idade e a oportunidade, eu iria abraçar de qualquer forma”, contou. “E aí no meio desse ano [2018], eu vi que ia começar o Mundial do Gran Turismo. Corri para comprar o volante, um dos mais baratos do mercado, e entrei.”

Título na Copa das Nações de Gran Turismo impulsionou carreira de Igor Fraga nas pistas
Título na Copa das Nações de Gran Turismo impulsionou carreira de Igor Fraga nas pistas (Foto: Reprodução/Facebook)

O piloto se sagrou campeão da primeira Copa das Nações de Gran Turismo, campeonato chancelado pela FIA. Meses mais tarde naquela temporada, também venceu uma competição promovida pela McLaren.

Seus triunfos no virtual lhe trouxeram visibilidade e um patrocínio do próprio game Gran Turismo para competir no automobilismo real. E foi assim que ele conseguiu a vaga na F-Regional Europeia em 2019. Nela, ele ficou em terceiro lugar na classificação geral, atrás apenas da dupla da equipe Prema, a mais forte do grid, formada por Frederik Vesti e Enzo Fittipaldi. Ele terminou a temporada com quatro vitórias e quatro poles.

Como o automobilismo virtual ajuda no real

Com a evolução dos simuladores, não só aqueles ultramodernos das equipes de F1, mas também dos que qualquer pessoa tem acesso em casa, o automobilismo virtual pode se tornar em algum momento um bom treinamento e até se tornar uma forma de formação de novos pilotos? Fraga acredita que em um futuro próximo sim.

O piloto explicou ao Projeto Motor que uma das contribuições que a prática nos games deu à sua pilotagem no mundo real foi da sensibilidade. Como não existe a simulação de forças e o retorno que o volante dá, por melhor que os equipamentos sejam, não é o mesmo ao que se sente na pilotagem real, isso afinou suas sensações para trabalhar com acertos dos carros.

Igor Fraga, na Toyota Racing Series de 2020. Piloto levou o título da competição neozelandesa
Igor Fraga, na Toyota Racing Series de 2020. Piloto levou o título da competição neozelandesa (Foto: Toyota Racing/Divulgação)

“Quando sentava no carro de verdade, comecei a sentir o feeling, o feedback do carro muito mais fácil. Quando o pessoal mudava o acerto do carro ou para pegar uma pista, o tempo de adaptação passou a ser menor porque esse lado do virtual me ajudou bastante”, explicou.

Fraga disse que tem focado seus treinos e competições na plataforma e campeonatos do Gran Turismo, mas também apontou Assetto Corsa, iRacing e RFactor como bons simuladores para se treinar para as corridas do mundo real, sempre lembrando a importância de se saber configurar bem os carros e usar volantes com bom feedback de forças para ser competitivo.

Agora, é esperar a temporada da F3 voltar quando a pandemia do coronavírus passar para vermos Fraga colocando essa habilidade também na pista. Enquanto isso, você pode conferir a entrevista completa do piloto ao Projeto Motor em nosso podcast:

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Lucas Santochi

Mais um fanático da gangue que criou vínculo com automobilismo desde a infância. Acampou diversas vezes nas calçadas ao redor de Interlagos para assistir aos GPs e nunca esqueceu a primeira vez que, ainda do lado de fora do autódromo, ouviu o barulho de F1 acelerando pela reta. Jornalista formado em 2004, passou por redações na época da TV Band e Abril, teve experiência na área de assessoria de comunicação esportiva até chegar ao site especializado em esporte a motor Tazio, em 2010. Passou pelas funções de redator, repórter (cobrindo diversas corridas no Brasil e exterior de F1, Indy, WEC, Stock Car, entre outras) e subeditor até o final de 2013, quando o veículo encerrou suas atividades. Trabalhou ainda como redator do UOL Esporte em 2014 até que decidiu se juntar com os outros três membros do Projeto Motor para investir na iniciativa.