Inovações da F1 que deixaram os carros com visual bizarro – parte 2

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A F1 já contou com tantas inovações bizarras que sentimos a necessidade de fazer uma segunda parte deste miniespecial. E, desta vez, vamos mostrar que até mesmo as equipes de ponta da categoria não hesitam em “estragar” o visual de seus carros caso a solução adotada de fato contribua de forma positiva para seu desempenho.

Na primeira parte, listamos oito modelos que contavam com alternativas um tanto quanto ousadas. O Tyrrell 025, de 1997, inovou ao criar duas asas extras sobre a carenagem, o que acabou sendo banido no ano seguinte por motivos de segurança. No início de 1969, vários carros usavam uma asa dianteira acima das rodas da frente, que também foi proibida devido ao grande risco do conceito.

Jordan e Arrows tentaram recriar a ideia em 2001, mas foram barradas ainda por questões de segurança. Já 1997, a Williams surpreendeu ao tentar usar nas pistas de alta uma asa traseira semelhante ao visto nos superovais da Indy. Nos anos 1970, Eifelland, March e Ensign produziram alguns dos carros mais estranhos da história da F1, assim como a BMW, que, em 2006, criou uma solução aerodinâmica que provocou arrepios nos mais puristas.

Coincidentemente, a parte 2 do especial também conta com oito carros, sendo que alguns deles até disputaram o título mundial – o que mostra que bizarrice também pode ser sinônimo de velocidade. Mencionamos ao todo 16 modelos, mas sabemos que ainda há vários outros exemplos por aí. Por isso, deixe sua sugestão de carro bizarro para, quem sabe, lançarmos uma terceira parte!

McLaren M26 (1978)

McLaren 1978

Campeões mundiais de dois anos antes, James Hunt e a McLaren testaram um conceito de asa dianteira dupla nos treinos livres para o GP da Bélgica, disputado na época no circuito de Zolder. O motivo, obviamente, era melhorar o rendimento aerodinâmico do carro. Porém, o carro nunca competiu de fato com essa configuração: Hunt, a bordo do modelo convencional, largou em sexto e abandonou a prova ainda na largada.

McLaren MP4-10 (1995)

McLaren 1995

Quase 17 anos mais tarde, a McLaren voltou a apostar em uma “asa dupla”, desta vez na traseira. O primeiro carro da parceria com a Mercedes contava com uma versão embrionária da barbatana de tubarão (voltaremos a mencioná-la logo abaixo), e, sobre ela, uma miniatura do aerofólio posterior. A McLaren chegou a usar o conceito até 1996, mas sem grande sucesso. Na foto acima, Nigel Mansell faz sua despedida melancólica da F1 com um desempenho sofrido no GP da Espanha de 95.

Minardi M195B (1996)

Minardi 1996 

A Minardi foi um pouco mais literal na criação de sua própria asa traseira dupla, inspirada no modelo da McLaren. Em vez de o acessório estar conectado à carenagem do motor, ele estava preso ao aerofólio traseiro, e contava não só com a asa maior, mas também com seus suportes laterais. O conceito foi usado especialmente em pistas de baixa velocidade, como Mônaco e Hungria, mas de pouco adiantou: a Minardi terminou o ano sem um pontinho sequer.

McLaren MP4-20 (2005)

McLaren 2005

A McLaren inaugurou a era dos penduricalhos estranhos que dominou a F1 na metade final da década passada. O competitivo MP4-20 surpreendeu a todos ao contar com uma espécie de “chifres” logo atrás da cabeça dos pilotos, a fim de recuperar parte da força aerodinâmica perdida com as restrições do regulamento que entraram em vigor naquele ano. Não que o MP4-20 tenha ficado feio – o carro, aliás, é frequentemente listado como um dos mais belos já produzidos pela McLaren. Mas demorou para o fã se acostumarem com o novo acessório.

Red Bull RB4 (2008)

Red Bull 2008Antes de se tornar a toda-poderosa da F1, a Red Bull utilizou um conceito que viraria tendência no grid. No início da temporada de 2008, os carros de David Coulthard e Mark Webber utilizavam uma carenagem de motor de perfil prologado, carinhosamente apelidada de “barbatana de tubarão”. A ideia era em diminuir a turbulência do ar para a parte traseira do carro, melhorando a estabilidade nas freadas. O conceito foi copiado por Ferrari, Renault e outras equipes, e, com suas devidas adaptações, foi utilizada na F1 até 2010.

Honda RA108 (2008)

Honda 2008

Intrigada com a falta de competitividade de seus carros, a Honda montou um verdadeiro “Frankenstein” para a temporada de 2008. O RA108 contava com os “chifres” ao estilo McLaren, a “barbatana de tubarão” da Red Bull, além de outras soluções esquisitas encontradas por ela própria. Uma delas, que havia sido testada ainda em 2007, era as “orelhas de Dumbo”, a fim de tentar, de forma desesperada, incrementar a eficiência do carro nas curvas. Em vão. Foi por essas e outras que os fãs agradeceram aos céus pela proibição dos penduricalhos aerodinâmicos a partir de 2009.

Ferrari F2012 (2012)

Ferrari 2012

Os carros da F1 deveriam contar, para a temporada de 2012, com um bico mais baixo, a fim de diminuir os riscos em acidentes em “T”. A solução encontrada por boa parte do grid foi parecida: manteve-se a altura convencional da porção traseira do nariz do carro, utilizando um degrau no meio e a parte da frente mais baixa, como o regulamento pedia. Não é nem preciso dizer que o resultado foi pavoroso.

McLaren MP4-5B (1990)

McLaren 1990

O conceito do “bico de tubarão” já virava febre na F1 do início dos anos 1990, criado pela Tyrrell e aprimorado por outras equipes nos anos seguintes. Até mesmo a McLaren experimentou sua própria versão da ideia, em um teste conduzido por Ayrton Senna em Monza. O estranho neste caso é que não foi só o bico que ficou mais alto, mas o aerofólio também (ao contrário dos outros carros neste conceito, que mantiveram a asa rente ao chão). O resultado não agradou e o modelo nunca competiu com essa configuração.

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Bruno Ferreira

Sempre gostou de automobilismo e assiste às corridas desde que era criança. A paixão atingiu outro patamar quando viu – e ouviu – um carro de F1 ao vivo pela primeira vez. Depois disso, o gosto pelas corridas acabou se transformando em profissão. Iniciou sua trajetória como jornalista especializado em automobilismo em 2010, no mesmo ano em que se formou, quando publicou seu primeiro texto no site Tazio. De lá para cá, cobriu GPs de F1 no Brasil e no exterior, incluindo duas decisões de título (2011 e 2012), além de edições das 24 Horas de Le Mans e provas de categorias como Indy e WTCC.