Investimento tupiniquim #1: Empresas brasileiras que já patrocinaram na F1

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A relação do automobilismo brasileiro com a F1 é conhecida por praticamente todos que apreciam uma corrida de carros. Isso vai desde os 31 representantes do país, incluindo três campeões mundiais, as mais de 40 edições do GP do Brasil nos templos Interlagos e Jacarepaguá, até as equipes, desde a conhecida Copersucar Fittipaldi a mais misteriosa Escuderia Bandeirantes.

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Contudo, não para por aí. O país também teve passagens pela F1 no ramo dos patrocinadores, quando empresas brasileiras optaram por divulgar seus nomes na principal categoria do automobilismo mundial. Em alguns casos, foram construídas parcerias altamente profissionais e frutíferas; em outros, tratou-se de relações inusitadas e bizarras.

São a essas marcas que o Projeto Motor dedica sua homenagem neste artigo, que já adiantamos que terá mais de uma parte. Confira os detalhes!

COPERSUCAR, SKOL E OUTRAS NA FITTIPALDI (1975 A 1982)

copersucar

A iniciativa da família Fittipaldi em sua equipe na F1 trouxe, naturalmente, o investimento de várias firmas brasileiras. A começar pela própria Copersucar, do ramo açucareiro, que deu nome ao time em seus primeiros cinco anos.

Com sua saída do posto de patrocinadora principal, quem assumiu a carenagem dos carros brasileiros foi a cervejaria Skol, o que permaneceu apenas pelo campeonato de 1980. No ano seguinte, a equipe deixou o amarelo de lado, mas seguiu com outros patrocinadores, como a Petrobras, o banco Brasilinvest, o Sal Cisne, a bicicletaria Caloi e o Café do Brasil.

Fittipaldi 1982

ARROWS E A VARIG (1978)

Em sua estreia na F1, marcada por um episódio de espionagem industrial envolvendo a Shadow, a Arrows adotou uma pintura bastante simples: cor integralmente branca no modelo FA1, somente com os adesivos da Goodyear (fornecedora de pneus) e da companhia aérea brasileira Varig.

Arrows Varig

O acordo foi firmado por um motivo de conveniência: foi a parceria com a Varig que garantiu o transporte dos funcionários do time da Inglaterra ao Brasil. Depois de um sexto lugar de Riccardo Patrese em Jacarepaguá, a equipe passou a ostentar, a partir da prova seguinte, uma belíssima pintura dourada da cervejaria Warsteiner, trazida pelo piloto Rolf Stommelen.

FOGO DE CHÃO E OS ACORDOS COM AS NANICAS (1990, 1992 E 1994)

Simtek

Acordo de patrocínio também se ganha pelo estômago. No início dos anos 1990, a churrascaria Fogo de Chão constantemente fazia parceria com equipes da F1 durante o GP do Brasil com princípios bem simples: trocavam o fornecimento de alimentos pela divulgação de sua marca nos carros.

Foi o que aconteceu com a Minardi em 1990, com a Andrea Moda e March em 1992 e com a Simtek em 1994. Foi da última que conseguimos um registro fotográfico – repare só na pequena logo estampada na asa traseira do bólido de Roland Ratzenberger.

FORTI CORSE E A INVASÃO BRASILEIRA (1995)

Forti Corse

A entrada da Forti Corse na F1, em 1995, teve um enorme empurrão brasileiro. Porém, boa parte da “invasão” de patrocinadores do país à carenagem do FG01-95 só se tornou viável graças a uma manobra de bastidores envolvendo uma rede de supermercados.

Abílio Diniz, pai de Pedro Paulo Diniz, um dos pilotos do time, e dono da rede varejista Pão de Açúcar, costurou um acordo com diversas empresas sob a seguinte diretriz: trocava o fornecimento dos produtos às suas prateleiras pela exposição de suas logos nos carros amarelos.

Foi assim que a Forti Corse viu a chegada de diversas marcas, incluindo as brasileiras Sadia, Arisco e Kaiser. Além disso, o time também contou com o apoio da Unibanco, que já acompanhava Diniz nas categorias de base.

BRASILEIROS NA BRAWN CAMPEÃ (2009)

Brawn GP

O BGP-001 que deu o título mundial de pilotos a Jenson Button e o de construtores à Brawn GP estava estampado com empresas brasileiras. O amarelo do Banco do Brasil na asa dianteira, mais as logos da TNT e da Itaipava (marcas da Cervejaria Petrópolis) espalhados por toda a carenagem deram um tom diferente ao carro praticamente “virgem” que havia iniciado a temporada. Mesmo que o acordo tenha sido assinado dois meses antes, ele se mostrou certeiro: o layout foi imortalizado como a combinação campeã.

Não perca as próximas partes!

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Bruno Ferreira

Sempre gostou de automobilismo e assiste às corridas desde que era criança. A paixão atingiu outro patamar quando viu – e ouviu – um carro de F1 ao vivo pela primeira vez. Depois disso, o gosto pelas corridas acabou se transformando em profissão. Iniciou sua trajetória como jornalista especializado em automobilismo em 2010, no mesmo ano em que se formou, quando publicou seu primeiro texto no site Tazio. De lá para cá, cobriu GPs de F1 no Brasil e no exterior, incluindo duas decisões de título (2011 e 2012), além de provas de categorias como Indy, WEC, WTCC e Stock Car.