Do cockpit para a frigideira: 12 pilotos que também foram fritados na F1

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A notícia de que haveria mudanças no quadro de pilotos da Red Bull com efeito imediato pegou muita gente de surpresa nesta semana. Depois de somente quatro etapas na temporada de 2016, Daniil Kvyat perdeu seu lugar na equipe principal da marca de bebidas energéticas e dará lugar a Max Verstappen, ao passo que o russo ocupará o lugar vago do holandês na Toro Rosso.

O que também chama a atenção é o momento no qual alteração ocorreu. Kvyat foi rebaixado justamente após sua corrida de casa, o GP da Rússia, prova na qual cometeu um grande erro na largada e provocou um acidente que eliminou as chances de Sebastian Vettel, de seu companheiro de equipe, Daniel Ricciardo, além de suas próprias.

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A mudança pode ser encarada como uma atitude cruel da Red Bull (isto inclusive foi tema do Debate Motor #26, posicionado ao fim desta postagem), mas está longe de ser novidade na F1. Muitos pilotos já foram demitidos de maneira abrupta, desde campeões mundiais consagrados a novatos que buscavam seu lugar ao sol.

Por isso, o Projeto Motor relembra alguns casos de pilotos que foram “fritados” em suas carreiras. Usamos o termo para definir demissões mais contundentes, na qual o piloto deixou sua equipe pela porta dos fundos, com direito a críticas públicas, com a temporada em questão ainda em andamento. Caso lembre de mais exemplos, conte para nós nos comentários abaixo!

JACKY ICKX (Lotus, 1975)

Ickx

Depois de passagens por Brabham e Ferrari, Ickx assinou com a Lotus em um momento complicado para a equipe de Colin Chapman. O belga “sumiu” no duelo interno contra Ronnie Peterson em 74, e tentaria usar a temporada seguinte como uma oportunidade para se recuperar. Isso não aconteceu: Ickx continuou com dificuldades, foi afastado da equipe com a promessa de que poderia retornar caso houvesse um carro mais adequado ao seu estilo – o que também não aconteceu.

RENÉ ARNOUX (Ferrari, 1985)

Arnoux

Arnoux começou bem sua passagem pela Ferrari, em 83, inclusive incomodando Piquet e Prost pelo título mundial. A partir do ano seguinte, porém, não só ficou mais distante da ponta como também passou a sofrer no duelo interno contra Michele Alboreto. Em 85, fez apenas uma corrida pela Ferrari, com um quarto lugar no Brasil, mas acabou deixando a Scuderia imediatamente para dar lugar a Stefan Johansson.

ROBERTO MORENO (Benetton, 1991)

Grand Prix of Monaco

Moreno entrou “no susto” na Benetton em 90, substituindo o lesionado Alessandro Nannini. Logo de cara, conquistou um pódio histórico ao lado de Nelson Piquet no Japão. Permaneceu no time para 91, mas foi sacado do time em Monza com o mesmo ímpeto no qual entrou: foi substituído por Michael Schumacher, que havia feito sua estreia na F1 na prova anterior, na Bélgica.

ALAIN PROST (Ferrari, 1991) 07/07/1991. GRAND-PRIX DE FORMULE 1 A MAGNY-COURS

Prost chegou perto de tirar a Ferrari do jejum em 90 e esperava que, na temporada seguinte, o título enfim poderia vir. O modelo 642, para sua decepção, deixava muito a desejar em relação a McLaren e Williams. Quando percebeu que se tratava de um ano perdido, Prost passou a criticar duramente o trabalho da Ferrari, o que azedou a relação. Mesmo se tratando de um tricampeão, o francês foi chutado antes mesmo da temporada chegar ao fim.

IVAN CAPELLI (Ferrari, 1992)

ivan capelli ferrari

Depois de boas atuações na March, Capelli entrou na Ferrari com a dura responsabilidade de ser um italiano a bordo da equipe de coração dos tifosi. Mas a ocasião se mostrou a pior possível: o F92A era uma verdadeira bomba, e o próprio piloto teve campanha apagada e acidentada. Capelli acabou dispensado a duas etapas para o fim da temporada, e viu sua carreira na F1 praticamente acabar por ali.

ANTÔNIO PIZZONIA (Jaguar, 2003) Antonio Pizziona of Brazil and Jaguar Racing

O amazonense entrou com moral em 2003, mas não conseguiu se encontrar dentro da Jaguar. Pizzonia sofreu com o carro, com o relacionamento com a equipe e com o bom desempenho de seu colega, Mark Webber. A breve parceria envolveu até mesmo uma gafe promocional, quando o brasileiro capotou um carro de rua quando levava jornalistas a passeio. A passagem do piloto no time durou apenas 11 etapas, e ele foi substituído por Justin Wilson.

JACQUES VILLENEUVE (BAR, 2003, e BMW, 2006)

Villeneuve 

Campeão mundial de 97, Villeneuve se juntou à BAR com status absoluto de primeiro piloto em 99. Afinal, o time era de propriedade de Craig Pollock, seu empresário. O canadense, no entanto, perdeu espaço no time com a troca de chefia, que passou a ter David Richards no comando. Em 2003, ofuscado por Button, Villeneuve deixou a BAR antes mesmo do fim da temporada, dando lugar a Takuma Sato.

Três anos depois, nova demissão. Villeneuve não entregava os resultados esperados na BMW e ainda sofria com a sombra do promissor Robert Kubica, que era, na época, piloto de testes. O canadense deixou a equipe (e a F1) depois do GP da Alemanha, quando abandonou com um forte acidente.

CRISTIANO DA MATTA (Toyota, 2004)

Da Matta

Da Matta teve um desempenho relativamente competitivo em sua primeira temporada na Toyota, em 2003, mas começou a enfrentar dificuldades a partir do ano seguinte. O motivo: o mineiro e Mike Gascoyne, o novo diretor técnico da equipe, possuíam divergências a respeito da metodologia de trabalho. Depois de meses e meses de farpas públicas, Da Matta deixou a Toyota logo após as férias de verão de 2004.

JARNO TRULLI (Renault, 2004) Trulli 2

Este talvez seja o caso mais emblemático de “fritada” das últimas décadas. Trulli vinha batendo o queridinho da casa da Renault, Fernando Alonso, durante a temporada de 2004. Contudo, Flavio Briatore não perdoou o vacilo do italiano no GP da França, casa da equipe, quando foi ultrapassado por Rubens Barrichello na última curva e perdeu um pódio. Depois disso, foram críticas públicas até a sua saída definitiva, depois de Monza. Naquele momento, Trulli estava com um ponto a mais que Alonso.

YUJI IDE (Super Aguri, 2006)

Yuji Ide

Ninguém sabe muito bem por que Ide foi escolhido para correr na estreia da Aguri. Apesar de seu currículo razoável na F-Nippon, o japonês não apresentava condições técnicas de pilotar um F1, e isso foi muito bem visto nas quatro corridas que fez em 2006. Porém, sua lentidão, aliada a um acidente feio provocado por ele em Ímola, o fez ser dispensado da equipe por ter sua superlicença cassada, caracterizando um dos maiores micos da história recente da F1.

SÉBASTIEN BOURDAIS (Toro Rosso, 2009)

BOurdais

O francês chegou cheio de pompa para sua estreia na F1 depois de emendar títulos na finada Champ Car. Tudo começou a dar errado quando começou a sentir dificuldades com o carro e com o relacionamento com a equipe, conforme o próprio piloto admitiu, anos depois, em entrevista à equipe do Projeto Motor (na época, no site Tazio):

“Eles precisavam de um cara experiente como eu, mas, quando me juntei à equipe, disseram o contrário. Era algo como “cale a boca e guie o que você tem”. O carro não era bom o bastante para mim. Era um carro rápido, mas eu não conseguia guiá-lo”

Bourdais não conseguiu fazer frente a Vettel em 2008, sofreu contra Sébastien Buemi em 2009 e foi substituído por Jaime Alguersuari com a temporada ainda em andamento.

NELSINHO PIQUET (Renault, 2009)

Piquet 

Essa fritada foi tão forte que causou queimaduras na própria equipe. Nelsinho flertou com a demissão ainda em seu ano de estreia, em 2008, mas conseguiu manter o emprego. Na temporada seguinte, porém, seu desempenho não melhorou, e Piquet acabou dispensado depois do GP da Hungria. Fora do time, o brasileiro revelou ter batido de propósito em Cingapura para favorecer Fernando Alonso, o que se mostrou um dos casos mais polêmicos da história da F1.

Debate Motor #26 analisa: a Red Bull foi cruel demais com Kvyat? Assista:

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Bruno Ferreira

Sempre gostou de automobilismo e assiste às corridas desde que era criança. A paixão atingiu outro patamar quando viu – e ouviu – um carro de F1 ao vivo pela primeira vez. Depois disso, o gosto pelas corridas acabou se transformando em profissão. Iniciou sua trajetória como jornalista especializado em automobilismo em 2010, no mesmo ano em que se formou, quando publicou seu primeiro texto no site Tazio. De lá para cá, cobriu GPs de F1 no Brasil e no exterior, incluindo duas decisões de título (2011 e 2012), além de provas de categorias como Indy, WEC, WTCC e Stock Car.