Lado a lado: comparação técnica de Toyota e Porsche, as favoritas em Le Mans

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Com a saída da Audi para a temporada de 2017 do WEC, as 24 Horas de Le Mans passaram a contar com apenas duas claras favoritas à vitória. Toyota e Porsche, as duas equipes oficiais remanescentes na classe LMP1, entram na prova deste fim de semana com o mesmo objetivo, por motivos distintos.

Como as favoritas estão armadas para a batalha mais importante do ano? É o que vamos explicar neste artigo do #PMotorEmLeMans!

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Toyota busca quebrar tabu e chutar trauma para longe

A tradição da Toyota em Le Mans já vem de longa data, com participações desde os anos 1990. Mas, desde que retornou à disputa regular no endurance, em 2012, tem a vitória em La Sarthe como o único objetivo que ainda não conquistou – já que o título mundial veio logo em sua terceira campanha.

Em por algumas vezes o troféu de Le Mans esteve perto das mãos da Toyota, mas, por obra do destino, a vitória não veio. O ocorrido em 2016 entrou para a história como um dos momentos mais cruéis da história do automobilismo, quando o time japonês abandonou na última volta enquanto liderava.

Mas as primeiras etapas da temporada de 2017 do WEC mostraram que esta pode ser grande chance para a Toyota. O protótipo #8 venceu as duas rodadas já realizadas, de modo que o conjunto parece sólido para o desafio de resistência em Le Mans.

Aproveitando da maior flexibilidade do regulamento do WEC, a Toyota adotou no TS050 HYBRID um motor V6 biturbo de 2.4 litros, capaz de recuperar 8 MJ durante as frenagens. Essa quantia é repassada aos dois motores elétricos que o protótipo possui, um no eixo dianteiro, outro no traseiro.

Para 2017, houve progressos em diversos aspectos a fim de evitar que os traumas do ano passado se repitam.

“Houve dois fatores que interferem na performance que mudaram. A começar pelo motor, que deu um passo à frente – o que tem grande peso em Le Mans. Depois, o sistema híbrido, que é um processo contínuo. Ano após ano estabelecemos metas e tentamos ultrapassá-las”, explicou Pascal Vasselon, diretor técnico da Toyota, ao Projeto Motor.

O conjunto de baterias do TS050 HYBRID está mais leve e compacto, o que facilitou para que boas soluções aerodinâmicas fossem encontradas com a mudança de regulamento. Em termos de performance, o equipamento tem se mostrado impecável; a atenção permanece, então, na confiabilidade.

TOYOTA TS050 HYBRID
Motor:
Toyota V6 2.4 biturbo, com dois motores elétricos, alimentados pela energia das frenagens
Potência estimada:
1000 cv
Câmbio:
Sequencial de seis velocidades
Combustível:
gasolina (Mobil 1)
Dimensões:
4,65 metros (C) x 1,90 m (L) x 1,05 m (A)

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PILOTOS

#7: Mike Conway (ING), Kamui Kobayashi (JAP), Stéphane Sarrazin (FRA)
#8: Sébastien Buemi (SUI), Anthony Davidson (ING), Kazuki Nakajima (JAP)
#9: Nicolas Lapierre (FRA), José Maria López (ARG), Yuji Kunimoto (JAP)

Porsche quer surpreender e vencer a terceira seguida em Le Mans

Nas primeiras provas do ano, a Porsche deu mostras de ter sentido mais as mudanças de regulamento técnico para 2017 – que afetaram a capacidade aerodinâmica dos LMP1 para diminuir a velocidade dos protótipos e, consequentemente, aumentar a segurança.

O 919 Hybrid apresentou novidades em seu desenho na parte dianteira a fim de deixar o protótipo menos instável com as novas configurações dos splitters e evitar o acúmulo de borracha do asfalto na região.

O motor utilizado é um V4 turbo, de 2 litros, que, aliado ao sistema de recuperação de energia, entrega 1000 cv. Mas o pacote é mais complexo do que o da rival Toyota, já que o objetivo é melhorar a eficiência térmica do conjunto e favorecer a dirigibilidade.

O eixo traseiro é movimentado pela usina a combustão; já o dianteiro é beneficiado pela recuperação da energia dissipada nos freios e no escapamento (em conceito semelhante ao que se vê com o MGU-H da F1). Desta forma, a Porsche consegue reaproveitar a energia tanto durante as freadas quanto nas retas.

PORSCHE 919 HYBRID
Motor: Porsche V4 2.0 turbo, com um motor elétrico, alimentado pela energia das frenagens e do escapamento
Potência estimada: 1000 cv
Câmbio: Sequencial de sete velocidades
Combustível: gasolina (Mobil 1)
Dimensões: 4,65 metros (C) x 1,90 m (L) x 1,05 m (A)

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PILOTOS

#1: Neel Jani (SUI), Andre Lotterer (ALE), Nick Tandy (ING)
#2: Timo Bernhard (ALE), Earl Bamber (NZL), Brendon Hartley (NZL)

Debate Motor #79: agora é a vez das 24 Horas de Le Mans!

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Bruno Ferreira

Sempre gostou de automobilismo e assiste às corridas desde que era criança. A paixão atingiu outro patamar quando viu – e ouviu – um carro de F1 ao vivo pela primeira vez. Depois disso, o gosto pelas corridas acabou se transformando em profissão. Iniciou sua trajetória como jornalista especializado em automobilismo em 2010, no mesmo ano em que se formou, quando publicou seu primeiro texto no site Tazio. De lá para cá, cobriu GPs de F1 no Brasil e no exterior, incluindo duas decisões de título (2011 e 2012), além de provas de categorias como Indy, WEC, WTCC e Stock Car.