Lawrence Stroll: pai protetor ou entusiasta que influenciou o filho?

9

Quando vemos o investimento que Lawrence Stroll vem fazendo na carreira de seu filho, Lance, tanto para ele chegar à F1 como agora para permanecer, inclusive costurando uma parceria entre vários empresários para comprar uma equipe, pode parecer que ele é apenas um pai muito rico tentado impulsionar a carreira de sua prole. Bem, em parte até é, mas a relação do empresário canadense com automobilismo é bem maior que isso.

Fique ligado em nossas redes sociais: 
Twitter – @projetomotor
Facebook – Projeto Motor
Youtube – Projeto Motor
Instagram – @projetomotor

É tranquilo dizer que se Lance Stroll resolveu um dia ser um piloto de corridas profissional foi provavelmente pela influência do pai, e ele não é o único motivo para esse derramamento de dinheiro. Aliás, Lawrence sempre foi um entusiasta do esporte a motor, especialmente a F1, e já colocou muita grana nela antes mesmo do nascimento de seu filho.

Lawrence herdou de seu pai, Leo Strulovitch, um negócio de licenciamento de marcas de moda no Canadá como Pierre Cardin e Polo Ralph Lauren. Mais tarde, ele ainda comprou os direitos sobre produtos da Ralph Lauren na Europa e no final dos anos 80, junto com seu sócio de Hong Kong Silas Chou, adquiriu a Tommy Hilfiger. A partir daí, ele passou a faturar com os lucros de suas várias empresas, além das compras e vendas de seus negócios.

Lotus teve o patrocínio da Tommy Hilfiger, de Lawrence Stroll, em 1992

O mais importante para nossa história aqui, no entanto, é o envolvimento dele com as corridas de carros. E foi justamente através da moda. Lawrence sempre foi um fã do esporte a motor, e quando começou a ter muito dinheiro nos anos 80, teve a chance de se aproximar de sua paixão. Em 1992, ele passou a patrocinar a Lotus com duas de suas marcas: a Hilfiger e a Pepe Jeans.

Um ano depois, ele inclusive teve a chance de andar com um carro de F1 em um evento para grandes patrocinadores. O shakedown do carro, inclusive, foi feito por um jovem piloto inglês da época que hoje é um dos principais dirigentes do Mundial: Christian Horner.

No final dos anos 90, ele conseguiu dar mais um grande passo ao colocar uma de suas empresas, Hilfiger, como patrocinadora da equipe que ele mais admira: a Ferrari. A marca passou a fabricar inclusive parte da indumentária oficial do time. Neste momento, ele também já estava investindo no que se tornaria a maior coleção de Ferraris do mundo na atualidade.

Em 2000, ele mostrou mais uma vez sua paixão por corridas ao comprar e reestruturar o tradicional autódromo canadense de Mont-Tremblant, pista que chegou a receber duas etapas da F1 em 1968 e 70. O circuito, que estava em total decadência, voltou a receber corridas nacionais e até mesmo uma etapa da ChampCar.

Paralelamente aos investimentos, ele ainda encontrou tempo para brincar de piloto. Entre 2003 e 2005, ele competiu na Grand-Am, categoria de endurance americana que anos mais tarde seria a precursora da atual IMSA, e depois, em 2008, fez uma temporada no Ferrari Challenge os Estados Unidos, categoria monomarca organizada pela empresa italiana voltada para clientes que possuem carros da marca de Maranello.

Lawrence Stroll exibe com orgulho alguns modelos de sua incrível coleção de Ferraris

Nos últimos anos, porém, a atenção de Stroll tem se voltado à carreira de seu filho, Lance. Ao perceber que tinha conseguido passar boa parte de seu gosto pelo esporte a motor à cria, ele não poupou esforços para transformá-lo em um piloto da F1. Logo quando Lance saiu do kart, aos 15 anos, o empresário canadense injetou verbas pesadamente na equipe Prema, um dos melhores times de base da Europa, para garantir as melhores condições ao filho em cada estágio da carreira.

Isso abriu as portas para que o garoto fosse campeão da F4 italiana em 2014 e da F3 Europeia dois anos depois, sob muitas reclamações de rivais, que alegavam que não poderiam competir com as condições que eram dadas ao rapaz. Para se ter ideia, pensando em abrir as portas da F1, Lawrence já em 2016 iniciou um relacionamento com a Williams e conseguiu que o time inglês enviasse engenheiros para trabalhar no carro de F3 do filho.

Não é segredo que ele colocou muito dinheiro na equipe de Frank Williams para que ela abrisse as portas a Lance nestas últimas duas temporadas e no paddock sempre se falou que era questão de tempo, tanto pela vontade de ajudar o filho, mas também pela paixão que ele tem por corridas, que Lawrence em algum momento resolvesse se tornar um investidor e comprar parte de alguma escuderia na F1. Aconteceu finalmente em 2018 com a aquisição da Force India.

No final das contas, a história de Lawrence Stroll com automobilismo se mostra muito maior do que de apenas um pai bilionário que investe no filho, mas de um empresário de muito sucesso que adora corridas e que também tem em casa um piloto que resolveu seguir o caminho.

 

Stroll, o injustiçado? | Comentários Debate Motor #131

 Comunicar Erro

Lucas Santochi

Mais um fanático da gangue que criou vínculo com automobilismo desde a infância. Acampou diversas vezes nas calçadas ao redor de Interlagos para assistir aos GPs e nunca esqueceu a primeira vez que, ainda do lado de fora do autódromo, ouviu o barulho de F1 acelerando pela reta. Jornalista formado em 2004, passou por redações na época da TV Band e Abril, teve experiência na área de assessoria de comunicação esportiva até chegar ao site especializado em esporte a motor Tazio, em 2010. Passou pelas funções de redator, repórter (cobrindo diversas corridas no Brasil e exterior de F1, Indy, WEC, Stock Car, entre outras) e subeditor até o final de 2013, quando o veículo encerrou suas atividades. Trabalhou ainda como redator do UOL Esporte em 2014 até que decidiu se juntar com os outros três membros do Projeto Motor para investir na iniciativa.