Loeb, Rossi, Doohan… Seis grandes campeões que já sentiram o gosto da F1

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A F1 é conhecida por contar com os pilotos mais habilidosos do planeta. A principal categoria do automobilismo mundial exige grande nível técnico por parte de seus competidores, sendo que, para se chegar ao topo, é preciso ter o nível técnico mais apurado e refinado possível.

No entanto, há outros vários pilotos que obtiveram grande destaque em demais categorias, seja no rali, na motovelocidade ou em outras competições de monopostos. Alguns deles, inclusive, chamaram os holofotes a ponto de serem convidados por equipes da F1 para testes, o que já rendeu histórias curiosas. Sem mais delongas, vamos relembrar os casos:

SÉBASTIEN LOEB

O multicampeão mundial de rali não só teve a chance de colocar suas mãos em um carro de F1, como também gostou – e muito – da coisa. A primeira vez foi em dezembro de 2007, em Paul Ricard, na França. O piloto e seu então companheiro de equipe na Citroen no WRC, Dani Sordo, deram algumas voltas no modelo R26, da Renault, e se mostraram empolgados com a oportunidade.

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Um ano depois, a relação entre Loeb e a F1 ficou um pouco mais séria. Em novembro de 2008, no circuito de Barcelona, o francês participou de uma sessão oficial de testes na categoria com a equipe Red Bull. E ele não fez feio: ficou com o sétimo tempo entre 17 pilotos, à frente de figuras como Nelsinho Piquet, Nico Hulkenberg e Adrian Sutil.

Empolgado, Loeb e a marca de bebidas energéticas chegaram a cogitar uma participação especial no GP de encerramento da temporada de 2009, em Abu Dhabi. A ideia era que o francês corresse no carro de Jaime Alguersuari, na Toro Rosso. Contudo, a FIA não lhe deu a superlicença, impedindo que o plano ousado se concretizasse.

VALENTINO ROSSI

Na década passada, muito se especulou a respeito de uma transferência do “Doutor” para a F1, o que representaria a presença de um ás da motovelocidade na principal categoria de monopostos do planeta pela primeira vez desde Johnny Cecotto, na década de 80.

Os rumores, que já estavam fortes na Itália, eram alimentados pela relação próxima do piloto com a Ferrari. Isso envolvia diversos testes realizados, seja na pista particular da Scuderia, em Fiorano, ou em baterias oficiais de pré-temporada.

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No começo de 2006, Rossi participou de três dias de treinamentos coletivos em Valência, na Espanha. Seu melhor tempo naquela semana foi 0s7 mais lento que a marca do primeiro piloto da Ferrari, Michael Schumacher. Porém, havia um detalhe importante: Rossi guiou um F2004 com motor V10 em limitação de giros, enquanto que Schumacher esteve a bordo do modelo 248 F1 de 2006, menos eficiente aerodinamicamente e com menor potência com os motores V8, que estreariam na categoria naquele ano.

Mesmo assim, o rendimento de Rossi agradou à Ferrari, principalmente por se tratar de um piloto sem experiência em competições de monoposto. Porém, a sonhada transferência para a F1 nunca aconteceu: o plano dependia de uma possível regra que estipulasse um terceiro para as equipes de ponta.

JEFF GORDON

A Williams realizou uma ação promocional interessante em junho de 2003: colocou seu piloto Juan Pablo Montoya e o tetracampeão da Nascar Jeff Gordon para trocarem de carro no circuito misto de Indianápolis, nos Estados Unidos.

Pouco acostumado a monopostos, Gordon precisou de um tempo para se acostumar com o FW24, especialmente com os freios do modelo. Entretanto, pouco depois pegou o jeito e começou a apertar o ritmo. Nas poucas voltas que completou, fez o tempo de 1min16s5, pouco mais de cinco segundos mais lento do que Montoya virou no treino classificatório da corrida de 2002 com o mesmo carro.

Por se tratar de um evento promocional, Gordon teve a chance de dar poucas voltas na pista americana. Porém, a tocada do piloto intrigou a Williams, que cogitou dar a ele um teste de verdade – mas isso acabou não acontecendo.

TOMMI MAKINEN E MICK DOOHAN

Em abril de 1998, uma patrocinadora da Williams trouxe dois dos grandes pilotos de modalidades totalmente distintas para experimentarem um carro de F1 em Barcelona, na Espanha. Tommi Makinen, então bicampeão mundial de rali, e Mick Doohan, que tinha quatro títulos na motovelocidade, teriam a oportunidade de experimentar o carro da equipe inglesa da temporada anterior, o FW19.

Apesar dos conselhos atenciosos de Jacques Villeneuve, a dupla de lendas apresentou dificuldades no manuseio do carro. Doohan foi pego desprevenido com os pneus frios e acabou rodando em sua primeira volta, ainda na quarta curva do circuito. Makinen também errou na saída de uma curva ao engatar a quinta marcha muito antes do que deveria. Ele rodopiou em direção à grama e bateu no muro.

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Mesmo com os contratempos, Doohan e Makinen se disseram bastante contentes com a experiência, que inclusive acabou dando sorte: ambos foram campeões em suas modalidades em 98, sendo que Makinen ainda faturaria mais um caneco no ano seguinte.

AL UNSER JR

Al Unser Jr fez um teste pela Williams no começo dos anos 90
Al Unser Jr fez um teste pela Williams no começo dos anos 90

Não é raro ver grandes nomes da Indy se arriscarem em um cockpit na F1, como já aconteceu com Michael Andretti, Jacques Villeneuve, Scott Dixon e Tony Kanaan. Mas foi Al Unser Jr que protagonizou uma jornada inusitada em novembro de 1991, no circuito do Estoril, em Portugal.

Campeão do certame americano em 1990, Unser Jr foi convidado para fazer um teste pela equipe Williams, que na época mostrava força com seu carro de eletrônica embarcada. No entanto, a equipe não deu ao piloto a chance de guiar o modelo com a suspensão ativa, o que lhe permitiu registrar um tempo 3s7 pior que Damon Hill, então testador oficial da Williams.

Unser Jr até brincou em entrevistas ao dizer que a Williams lhe impediu de usar o equipamento mais moderno para evitar que ele andasse mais rápido que os titulares do time. Anos depois, porém, corria à boca pequena uma outra explicação: o americano causou desconforto na Williams ao se apresentar completamente fora de forma para o teste, sendo que seu pescoço apresentou fadiga em poucas voltas. Além disso, Unser Jr fumava, o que também desagradou ao time inglês. Assim, a Williams não lhe julgou merecedor de experimentar o cobiçado equipamento. Mais tarde, o piloto chegou a tentar um teste com a Benetton, mas acabou vetado por Flavio Briatore.

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Bruno Ferreira

Sempre gostou de automobilismo e assiste às corridas desde que era criança. A paixão atingiu outro patamar quando viu – e ouviu – um carro de F1 ao vivo pela primeira vez. Depois disso, o gosto pelas corridas acabou se transformando em profissão. Iniciou sua trajetória como jornalista especializado em automobilismo em 2010, no mesmo ano em que se formou, quando publicou seu primeiro texto no site Tazio. De lá para cá, cobriu GPs de F1 no Brasil e no exterior, incluindo duas decisões de título (2011 e 2012), além de provas de categorias como Indy, WEC, WTCC e Stock Car.