Mais do que igualar Senna, 41ª vitória mostra onde Vettel ainda pode chegar

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As manchetes dos principais sites de notícias do Brasil destacaram durante todo o domingo o fato de Sebastian Vettel ter igualado na Hungria o número de vitórias de Ayrton Senna. O feito realmente é importante pela importância que o brasileiro tem na história da F1 e por ser o terceiro em triunfos de todos os tempos, atrás apenas de Michael Schumacher (91) e Alain Prost (51).

Só que mesmo com tanto destaque, às vezes parece que passa despercebido o verdadeiro significado da marca e, mais do que isso, para onde ela aponta a carreira do alemão.

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O piloto da Ferrari conquista sua 41ª corrida não só com menos GPs que Senna (149×158) como também bem mais novo (28×33 anos), o que mostra que ele ainda deve deixar estes números bem para trás. Chama a atenção outra comparação, com Michael Schumacher. O heptacampeão conquistou seu 41º triunfo com menos corridas que Vettel, 140, no entanto, mais velho, aos 31.

Vettel abraça Newey
Vettel abraça Newey

Se pensarmos uma referência atual como Fernando Alonso, que tem 33 e até o ano passado estava competindo em uma equipe que briga pela ponta, digamos que Vettel tem, no mínimo, mais umas cinco temporadas pela frente em grande forma. Mesmo que a Ferrari não se torne um time dominante, com duas ou três vitórias por campeonato, ele, pelo menos, conseguiria superar Prost para se tornar o segundo piloto da história em conquistas com este tempo que lhe restaria.

Para quem já tem quatro títulos no currículo, isso é muita coisa. E essa precocidade só abre mais portas para ele. Cinco anos é tempo para acontecer de tudo, tanto uma queda como um retorno ao nível em que ele estava quando conquistou seus campeonatos. E se o alemão tem mostrado algo nesta temporada é que ele sabe aproveitar as oportunidades.

Por outro lado, como Lucas Berredo bem lembrou durante o Debate Motor do último domingo aqui no Projeto Motor, existem alguns “poréns” nos números de Vettel, principalmente na comparação com Senna.

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Primeiro, o alemão começou muito cedo. Sua estreia na F1 foi em 2007, algumas semanas antes de completar 20 anos de idade. Senna, por exemplo, iniciou a carreira na categoria apenas aos 24. Além disso, em sua segunda temporada completa, em 2009, o atual ferrarista já tinha um carro para brigar pelo título na Red Bull, como realmente conseguiu e ficou com o vice. O brasileiro até teve modelos competitivos na Lotus, mas só na McLaren, em seu quinto ano, tinha chances reais de brigar pela taça.

Vettel celebra vitória no GP da Hungria de 2015, sua segunda pela Ferrari
Vettel celebra vitória no GP da Hungria de 2015, sua segunda pela Ferrari

Além disso, Vettel tem um concorrente muito forte no atual grid, apenas dois anos mais velho, que caminha para se colocar em condições muito parecidas à dele nas estatísticas histórias: Lewis Hamilton.

Aos 30 anos, o inglês tem hoje 38 vitórias e dois títulos mundiais. Não é segredo que ele vive apenas agora uma fase que Vettel teve com a Red Bull de poder guiar o melhor carro disparado da categoria. A tendência é que o piloto da Mercedes não só também chegue aos 41 triunfos ainda em 2015 como supere a marca com alguma facilidade.

Outra vantagem dele é que em 2016 dificilmente a Mercedes não voltará a ter o melhor pacote ou pelo menos um dos dois melhores. E isso deve perdurar até uma nova mudança de regras acontecer, o que pode ser que ocorra em 2017, dependendo das conversas entre as equipes. Ou seja, se computarmos que Hamilton venceu 11 corridas em 2014 e já levou cinco este ano, com ainda mais nove etapas pela frente, existe uma chance considerável de ele alcançar Prost já em 2016, passando das 51 vitórias.

Sendo assim, os números mostram que o caminho natural de Vettel é se consolidar cada vez mais como um dos grandes da história da F1, apesar das críticas e toda desconfiança que enfrenta. Mesmo que não tenha o carro mais competitivo do grid pelos próximos anos, ele ainda tem tempo de sobra para crescer nas estatísticas aos poucos, já “partindo” de uma bela base.

Por outro lado, ele tem uma concorrência forte e precisaria viver uma segunda fase de dominância, como teve entre 2010-13, para conseguir alcançar os números de Schumacher. Talvez ele seja quem mais torça por uma mudança radical no regulamento neste momento.

Confira a análise do GP da Hungria feita pela equipe do Projeto Motor no Debate Motor:

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Lucas Santochi

Mais um fanático da gangue que criou vínculo com automobilismo desde a infância. Acampou diversas vezes nas calçadas ao redor de Interlagos para assistir aos GPs e nunca esqueceu a primeira vez que, ainda do lado de fora do autódromo, ouviu o barulho de F1 acelerando pela reta. Jornalista formado em 2004, passou por redações na época da TV Band e Abril, teve experiência na área de assessoria de comunicação esportiva até chegar ao site especializado em esporte a motor Tazio, em 2010. Passou pelas funções de redator, repórter (cobrindo diversas corridas no Brasil e exterior de F1, Indy, WEC, Stock Car, entre outras) e subeditor até o final de 2013, quando o veículo encerrou suas atividades. Trabalhou ainda como redator do UOL Esporte em 2014 até que decidiu se juntar com os outros três membros do Projeto Motor para investir na iniciativa.

  • Rafael Bustamante

    Interessante o comentário final de que ele tem concorrentes fortes…. Senna não os tinha né.

  • Fernando

    Acho que Ricciardo não queria chegar 2 posições atrás do estreante do pódio e companheiro ‘no 2′, o russo Kvyat. Por isso estava fazendo de tudo para ultrapassar Rosberg. Ele que correu muito na frente de seu ex Vettel, sabia da importância em não ‘comer poeira’ do seu companheiro….

  • Gustavo Segamarchi

    Não sei se todos vão concordar comigo, mas acho o Vettel o sucessor NATURAL do Schumacher, pois não é à toa que o Vettel é conhecido como Baby Schumy.

    O nome do Vettel não é novo na Ferrari como todos pensam. O Schumacher já havia o indicado antes de sofrer o seu acidente e a Ferrari sabia que o “garoto” era bom.

    A contratação do Vettel, é uma das peças que vai ajudar a Ferrari a voltar a vencer.