McLaren azul? Ferrari pelada? Honda preta? Pinturas raras da F1 – parte 2

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Na semana passada, o Projeto Motor iniciou uma seção para lembrar pinturas pouco conhecidas já usadas por escuderias tradicionais da F1. Quer relembrar? Clique aqui. Na ocasião, mostramos uma Ferrari azul e branca usada na gira norte-americana de 1964, a belíssima Jordan preta e dourada do shakedown de 1991, uma versão com bico branco da Williams FW11 e diversas outras raridades.

Chegou a hora de entrar na segunda parte deste especial que, do estranho ao belo (vai das idiossincrasias de cada um), surpreende com as mais excêntricas “roupagens” que esquadras do calibre de Ferrari, McLaren e Williams já utilizaram em GPs oficiais, apresentações afins ou testes em geral. Confira:

Parte 1 – Ferrari azul? Jordan preta? Ligier vermelha?
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1. McLaren Lövenbräu azul (1978 e 79)

Watson Long Beach 1978McLaren e azul. Eis aí dois polos que parecem fadados a se repelir ad eternum. Desde a saída da Marlboro como patrocinadora principal da equipe de Woking, está difícil tirar da cabeça de Ron Dennis que não, seus monopostos não precisam ser um mero festival de tons monocromáticos. Devaneios à parte, o fato é que, para disputar os GPs norte-americanos de 1978 e 79 – Long Beach, Watkins Glen e Montréal (este apenas no primeiro ano) -, Teddy Mayer fechou contrato com a companhia local de cerveja Lövenbräu e encheu a carenagem do M26 e, depois, do M28, com diferentes tons de ciano. Afinal, sabe como é: período de vacas magras e grana curta, era preciso incrementar o orçamento do jeito que dava.

2. McLaren Marlboro Lights (1986)

1986 - McLarenEsta não é uma história tão desconhecida assim, mas vale a menção. Antes do GP de Portugal de 1986, a Philip Morris, gigante conglomerado tabagista que detém a marca Marlboro, resolveu usar o bólido #2 do time britânico no Estoril para divulgar a recém-lançada linha de cigarrros Marlboro Lights. Resultado: ao invés do tradicional branco e vermelho, Keke Rosberg disputou a etapa com uma interessante combinação alva e dourada. Pena que durou só uma prova.

3. Ligier Gitanes camuflada (1993)

1993 - LigierUma das pinturas mais belas já criadas na F1 foi esta usada por Martin Brundle nas duas últimas etapas de 1993: Suzuka e Adelaide. O tradicional azul sólido deu lugar a um esquema em que elegantíssimas manchas brancas invadiam bico e carenagem do motor, “camuflando” as silhuetas da dama negra que representa a marca de cigarros Gitanes. O nome da patrocinadora máster aparecia em um letreiro gigante e quase apagado, em forma de marca d’água, na lateral do chassi.

4. Larrousse Kronenburg (1994)

1994 - LarrousseQuase desprovido de recursos, Gérard Larrousse fechou um providencial acordo de patrocínio com a cervejaria francesa Kronenbourg para toda a temporada de 1994. Em boa parcela das 16 etapas do certame o LH94, segundo e penúltimo carro projetado pelo próprio time, esteve vestido de verde e ostentando a marca da Tourtel, uma das cervejas do grupo. Para as etapas de Aida, Ímola e Monte Carlo, contudo, a companhia preferiu cobrir o monoposto com o xadrez em branco e rubro da própria Kronenbourg. O resultado foi este aí em cima. Um tanto estranho, não?

5. McLaren West laranja (pré-temporada de 1997)

SPAIN - JANUARY 17:  FORMEL 1/MOTORSPORT: TESTFAHRTEN JEREZ/ESP 17.01.97, Mika HAEKKINEN/MERCEDES McLAREN  (Photo by Marcus Brandt/Bongarts/Getty Images)

Após se despedir da longa e profícua parceria com a Marlboro, a McLaren decidiu fazer segredo sobre a nova pintura que usaria a partir do acordo com a também tabagista West. Na pré-temporada de 1997, a solução foi apelar a um MP4-12 banhado em laranja, atitude que ouriçou os entusiastas mais nostálgicos. Como bem sabemos, a sociedade com a Mercedes-Benz levou a operação a optar por uma não menos impactante combinação de prata com preto como pintura definitiva. Ainda bem: foi a única forma de os fãs não ficarem tão decepcionados.

6. Ferrari sem pintura ou patrocínios (pré-temporada de 1998)

1998 - FerrariQualquer Ferrari que não seja escarlate é motivo para arregalar os olhos. Pois a Scuderia do cavalinho rampante provocou tal reação ao fazer o shakedown da F300, modelo que levou Michael Schumacher ao vice-campeonato de 1998, com uma unidade totalmente desprovida de pinturas ou patrocínios. Nesta situação, todos sabiam que a Ferrari “pelada” não passava de um mero “desvio de conduta”, que seria corrigido na primeira oportunidade.

7. BAR azul e cinza (pré-temporada de 1999)

1999 - BARNa apresentação do 01, a BAR chocou a comunidade da F1 ao propor uma equipe nos moldes da Indy: dois carros ostentando cores totalmente diferentes. Os chefões do circo deram um jeito de vetar a brincadeira, e a versão definitiva do livery acabou virando uma bizarra junção entre as duas propostas. Antes de tudo isso, o time da multinacional British American Tobacco realizou seus primeiros testes cobrindo o modelo com esta discreta união de azul com prata e cinza.

8. Arrows preta e sem patrocínios (pré-temporada de 2000)

2001 - ArrowsSem saber quem ocuparia o posto principal no quadro de patrocinadores para 2000 – a petrolífera espanhola Repsol largara o barco e, posteriormente, um acordo com a provedora anglogermânica de internet Orange a levou à coincidência de manter o laranja como sua cor predominante – a Arrows deu início aos treinos coletivos da pré-temporada de 2000 com esta versão quase totalmente preta do A21, trazendo apenas decalques com o nome da escuderia, do bólido e da fornecedora de pneus, Bridgestone.

9. Toyota vermelha e branca pré-F1 (2001)

2001 - ToyotaA Toyota nunca foi muito criativa ao definir suas pinturas. Apresentou uma chocha decoração branca com manchas vermelhas (como se fossem pinceladas avulsas de tinta) na temporada de estreia, em 2002, e morreu abraçada com ela no fim de 2009. Antes, nos ensaios com o TF101, modelo que originou o primeiro F1 oficial da montadora, Mika Salo conduziu um monoposto predominado por uma vestimenta alvirrubra ainda mais sóbria, sem qualquer tipo de rebuscamento, em menção às cores da bandeira japonesa.

10. Arrows Orange especial (pré-temporada de 2002)

2002 - ArrowsEntrelaçada com a Orange por mais um ano, aquele que seria o último de sua história, a Arrows apareceu na pré-temporada de 2002 com uma forma diferente de fazer laranja e negro conversarem. Traços entrecortados e retilíneos, cheios de filetes invasivos de ambas as cores, deixaram o promissor A23 com um ar mais espartano, pronto para uma guerra que a esquadra não conseguiu concluir.

11. Jordan Sobranie (exibição de 2003)

2003 - JordanAssolada pela perda de patrocinadores importantes e do motor Honda, a Jordan ingressou 2003 sem muitas perspectivas. Tendo no EJ13 provavelmente o segundo pior conjunto da grelha (o que acentua ainda mais a vitória de Giancarlo Fisichella no tumultuado GP do Brasil), Eddie Jordan estava topando qualquer negócio para descolar uns trocados. Uma das ações foi colocar o pagante Ralph Firman para fazer uma exibição no circuito de rua de Macau, antes das provas de WTCC e F3, com uma grotesca combinação de amarelo com azul, cortesia da marca russa de cigarros Sobranie.

12. Jaguar “Doze Homens e Outro Segredo” (2004)

Formula One Monaco Grand PrixCom direito a uma pomposa apresentação feita pela modelo americana Bridget Hall, a Jaguar anunciou uma pintura especial para o GP de Mônaco de 2004: bico e capa do motor surgiriam avermelhados em Monte Carlo, anunciando a estreia de Ocean’s Twelve, filme conhecido no Brasil como Doze Homens e Outro Segredo. A inovadora ação seria herdada pela sua sucessora na F1, a Red Bull, nas duas edições posteriores da prova monegasca.

13. Honda negra (pré-temporada de 2007)

2007 - BARAntes de mostrar ao mundo o polêmico livery “Earth Dreams”, formado por um enorme globo terrestre por sobre toda a carenagem do errático RA107, a Honda adentrou o período de ensaios pré-época de 2007 com uma versão predominantemente preta do modelo, muito mais harmoniosa e bonita. Independentemente da cor, o fato é que o carro pilotado por Jenson Button e Rubens Barrichello se mostraria uma verdadeira bomba ao longo de todo o campeonato.

14. Force India vinho (pré-temporada de 2008)

2008 - Force IndiaPrincipal novidade para 2008 entre as esquadras que compunham o campeonato, a Force India debutou com estilo na F1. Com o espólio da Spyker em mãos, pintou o F8-VII B de vinho, branco e dourado, uma das combinações mais interessantes e originais já vistas na categoria. Pena que, posteriormente, a pintura oficial seria formada por uma área muito maior de branco e trocaria o vinho por um vermelho mais cintilante (e menos bonito), o que deixou o VMJ01 com aura de um carro normal (e ruim).

15. Williams azul com estatísticas (pré-temporada de 2008)

2008 - WilliamsA tradição iniciada em 2006 foi retomada pela Williams nos treinos de pré-estação em 2008. Nico Rosberg e Kazuki Nakajima voltaram a guiar um bólido quase todo azul marinho durante o período. Desta vez com uma pimenta extra: estatísticas da vitoriosa história da equipe na F1 compunham os adesivos na carenagem junto com emblemas de patrocinadores.

EXCLUSIVO: Jacques Villeneuve solta o verbo contra F1 atual. Assista:

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Modesto Gonçalves

Começou a acompanhar automobilismo de forma assídua em 1994, curioso com a comoção gerada pela morte de Ayrton Senna. Naquela época, tomou a errada decisão de torcer por Damon Hill em vez de Michael Schumacher, por achar mais legal a combinação da pintura da Williams com o capacete do britânico. Até hoje tem que responder a indagações constrangedoras sobre a estranha preferência. Cursou jornalismo pensando em atuar especificamente com automóveis e corridas, e vem cumprindo o objetivo: formado em 2010, foi consultor do site especializado Tazio de meados de 2011 até o fim de 2013; desde maio de 2015 compõe o comitê editorial do Projeto Motor.