Mercedes realiza ajustes no W11 para tentar inédito hepta da F1

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Em time que está ganhando não se mexe? Se mexe, sim, mas apenas no necessário para manter o que já funciona e aprimorar o que pode ser melhorado. Esta é a mentalidade da Mercedes para a construção do novo W11, carro com o qual tentará um inédito sétimo título consecutivo na F1 em 2020. 

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O modelo foi apresentado na última sexta-feira (14) e já realizou sua estreia dentro da pista com um shakedown em Silverstone, conduzido pelos titulares Lewis Hamilton e Valtteri Bottas. Em uma primeira olhada, o novo carro mantém os principais atributos da estrutura campeã do ano passado – o que é natural, levando em conta as poucas mudanças no regulamento para esta temporada. Mesmo assim, a equipe ainda assim aproveitou a construção de um novo carro para realizar mudanças que precisavam ser feitas. 

De acordo com James Allison, diretor técnico da Mercedes, a aplicação dos novos conceitos permitirá que a equipe mantenha uma curva de desenvolvimento ao longo de toda a temporada. Caso o W11 fosse apenas uma atualização do carro de 2019, o modelo chegaria ao seu limite de evolução com mais rapidez, o que prejudicaria suas ambições de título. Para isso, os aprimoramentos chegaram a todas as partes do carro. 

“Temos uma [melhora]na frente, uma no meio e uma na traseira do carro”, detalha Allison. “Na frente, aceitamos uma maior complexidade estrutural em torno da suspensão e das rodas para fornecer uma entrega mais alta de performance no geral. No meio do carro, seguimos a tendência do grid em mover nossa estrutura anti-impacto um pouco mais para baixo e obter os ganhos aerodinâmicos que isso traz. E, na traseira, fomos para um desenho mais aventureiro na suspensão, o que permite um desenvolvimento aerodinâmico mais livre.”

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“Todos estes três investimentos têm o seu valor próprio, mas seu real efeito é permitir um ganho secundário aerodinâmico tanto durante a pré-temporada, mas também, esperamos, ao longo de todo o campeonato”, completou Allison.

Foco na temperatura do novo carro

Uma das principais fraquezas da Mercedes em 2019, talvez a maior delas, foi no controle de temperatura dos componentes internos. O carro tinha uma tendência a superaquecer sob determinadas condições, o que limitava massivamente o rendimento do carro em circunstâncias específicas. 

A Mercedes espera sanar de vez o problema para 2020. De acordo com Allison, foram realizadas mudanças tanto na aerodinâmica quanto no motor para evitar que a situação se repita. “Nós melhoramos o conjunto de refrigeração”, explicou o diretor técnico. “Criamos uma área maior do radiador de fato, o que é difícil de fazer com a temporada em andamento. Mas, de um ano para outro, é possível fazer sem que isso traga efeitos colaterais, tirando um pouco a mais de peso.”

Do lado do motor, o trabalho realizado pelo departamento da sede de Brixworth (local de funcionamento da Mercedes High Performance Powertrains) permite que a unidade de potência opere de maneira eficiente mesmo com seus fluídos internos em temperatura mais alta. Ou seja, mesmo que os radiadores maiores não aumentem a refrigeração o suficiente, a perda de performance com isso tende a ser menor. 

Andy Cowell, diretor de motores da Mercedes, explicou: “Nas primeiras duas corridas [de 2019], quando ficou claro que não tínhamos capacidade de refrigeração o suficiente, começamos a trabalhar em testes com nossas unidades de potência em temperaturas mais altas.”

“Para este ano, colocamos muito esforço em fazer com que os fluídos de refrigeração da unidade de potência possam trabalhar em temperaturas mais altas. Isso aumenta a diferença de temperatura entre os fluídos de refrigeração e a temperatura ambiente, o que aumenta a eficiência do sistema de refrigeração do carro.”

Uma abordagem mais convencional

A Mercedes garantiu que adotará uma abordagem convencional na pré-temporada de 2020, que será mais curta do que era até 2019 – serão apenas seis dias de testes, em vez de oito. No ano passado, o time iniciou os testes com um conjunto aerodinâmico mais cru, e só apresentou as peças com as quais competiria na fase final da pré-temporada. 

Para 2020, explica James Allison, a tática não se repetirá: a Mercedes fará todos os testes com um conjunto mais próximo do que deverá ser visto na primeira etapa do ano. “Seremos mais convencionais neste ao. Ainda assim teremos alguns upgrades para Melbourne que só serão vistos na segunda semana de testes, mas a abordagem de 2019, de termos um carro inteiramente novo, não será usada.”

“O regulamento está mais amadurecido neste ano, com o desenvolvimento de 2020 estando já no mesmo nível do carro do ano passado no fim da temporada. Então, repetir a mesma abordagem não faria sentido.”

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Bruno Ferreira

Sempre gostou de automobilismo e assiste às corridas desde que era criança. A paixão atingiu outro patamar quando viu – e ouviu – um carro de F1 ao vivo pela primeira vez. Depois disso, o gosto pelas corridas acabou se transformando em profissão. Iniciou sua trajetória como jornalista especializado em automobilismo em 2010, no mesmo ano em que se formou, quando publicou seu primeiro texto no site Tazio. De lá para cá, cobriu GPs de F1 no Brasil e no exterior, incluindo duas decisões de título (2011 e 2012), além de edições das 24 Horas de Le Mans e provas de categorias como Indy e WTCC.