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Monza, o palco da velocidade extrema na F1 | Circuitos Mutantes #4

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Nenhum lugar recebeu a F1 por tantas vezes quanto Monza. O local, aliás, sedia GPs muito antes mesmo da criação do Mundial de Fórmula 1. E o curioso é observar que la Pista Magica sobreviveu a todas as evoluções naturais do esporte por quase um século mantendo a essência de proporcionar altíssimas velocidades.

Em seus anos de história, Monza desafiou ao nível máximo equipamentos e coragem dos pilotos, sediando aquele que, por décadas, foi o GP mais veloz da história da F1, e sendo até hoje a pista mais rápida do calendário. O circuito soube, da forma que a modernidade e as exigências do automobilismo contemporâneo permitiram, permanecer fiel à sua tradição.

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Mas como isso aconteceu? Citaremos abaixo as principais evoluções pelas quais o templo de Monza passou. Em sua existência, a pista teve várias versões distintas, algumas até de importância reduzida, então listaremos aquelas que sediaram corridas que marcaram história.

1922-1933

Extensão: 10,000 km

O circuito de Monza foi inaugurado pouco após a Primeira Guerra Mundial, na tentativa da Itália em ter seu próprio palco para demonstrar o bom momento da indústria automotiva do país. Para isso, foram criados traçados diferentes, com um misto veloz, um oval e uma versão que mesclava os dois conceitos. Foi justamente essa pista mais longa que sediou os primeiros GPs em Monza – e que, infelizmente, também viu as primeiras tragédias no local.

1934

Extensão: 4,329 km

Algumas fatalidades, incluindo o pior acidente da história de Monza, em 1928 (em que um piloto e mais de 20 torcedores faleceram), provocaram mudanças. Na década de 30, foi inaugurada uma versão alternativa do circuito, chamada de Florio (falaremos dele logo abaixo), em que havia uma junção entre a pista mista e a oval em outro ponto, o que reduzia significativamente a velocidade.

No GP da Itália de 1934, porém, houve o ponto fora da curva da história de Monza. Uma versão curta e lenta da pista foi usada, que incluía trechos com mudanças implantadas na criação do traçado Florio. Teve quem disse que a versão só foi usada para diminuir a vantagem em retas apresentadas pelos carros alemães. De qualquer forma, não se tratou de uma solução muito presente.

1935-1937

Extensão: 6,952 km

Em 1935, a versão Florio ganhou espaço. O traçado contava com uma guinada à esquerda na reta oposta para ligar a pista ao oval pouco antes da Curva Sul, que também contava com uma chicane. Mas, desta vez, havia algumas pequenas modificações, com pontos de redução de velocidade em setores de alta espalhados por toda a pista.

1938-1954

Extensão: 6,292 km

Já esta versão foi criada em 1938, mas só foi usada pela primeira vez em um GP em 1949. A reta oposta foi estendida para a implementação de duas curvas um pouco mais fechadas à direita, chamadas de Vedano. As curvas Di Lesmo, no canto superior esquerdo do mapa, também foram suavizadas, sendo que as chicanes no meio do traçado foram removidas. Foi com essa versão que o Mundial de F1 teve suas cinco primeiras edições do GP da Itália.

1955-1961

Extensão: 10,000 km

O antigo traçado oval havia sido demolido, mas foi reconstruído em 1955, desta vez ficando ainda mais inclinado do que antigamente. No entanto, a presença da estrutura exigiu a extinção da Vedano, reduzindo novamente a reta oposta e posicionando uma curva mais suave. Foi assim que nasceu a lendária Parabolica.

Assim, Monza voltava a ter opções distintas de traçado. Houve GPs de F1 usando somente o misto, mas também outras edições que contavam com o traçado completo. Já o oval sediou ocasiões interessantes, como a famosa Monzanápolis.

1957-1971

Extensão: 5,750 km

Porém, a versão que conta somente com o traçado misto foi adotada em definitivo em 1962, após a tragédia que matou Wolfgang von Trips e mais de uma dezena de torcedores. Sem o trecho no oval, a velocidade foi significativamente reduzida, mas ainda assim a pista se destacava neste quesito. Em 1971, a F1 sediou aquela que foi, por mais de 30 anos, a corrida mais veloz de sua história – Peter Gethin triunfou com velocidade média de 242.616 km/h.

1972-1975

Extensão: 5,775 km

Monza passou a ter várias chicanes espalhadas pelo traçado para reduzir a velocidade. A Parabolica passou a ter uma saída levemente mais fechada, o que direcionava os carros à reta que antigamente era utilizada pelo trecho oval no circuito completo. Os carros, então, faziam uma chicane ainda na reta dos boxes. Também foi instalada a Variante Ascari no local em que faleceu o último italiano campeão mundial – o ponto foi alterado em 1974 para aumentar a área de escape, ganhando o perfil que tem até hoje.

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1976-1999

Extensão: 5,800 km

Nesta atualização, a pista passou a ter um perfil mais próximo do atual. Foi feita a instalação de duas chicanes de perfil idêntico ao fim da reta dos boxes, além da criação da Della Roggia, imediatamente antes das curvas Di Lesmo.

Por mais de três décadas, a pista passou apenas por pequenos ajustes. Em 1994, como uma das consequências da morte de Ayrton Senna, a segunda Di Lesmo ficou mais fechada para reduzir a velocidade; no ano seguinte, houve suavizações na Curva Grande e repaginadas no trecho da Della Roggia às Di Lesmo, o que deixou a pista 30 metros mais curta.

2000-HOJE

Extensão: 5,793 km

A última mudança realizada em Monza transformou a Variante Rettifilo em um ponto mais lento: saíram as duas chicanes anteriores para dar espaço a uma curva mais fechada, à direita, seguida de outra à esquerda que traz de volta ao caminho à Curva Grande. O autódromo recentemente cogitou alterar de novo o ponto, mas o plano, por ora, foi abandonado.

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Bruno Ferreira

Sempre gostou de automobilismo e assiste às corridas desde que era criança. A paixão atingiu outro patamar quando viu – e ouviu – um carro de F1 ao vivo pela primeira vez. Depois disso, o gosto pelas corridas acabou se transformando em profissão. Iniciou sua trajetória como jornalista especializado em automobilismo em 2010, no mesmo ano em que se formou, quando publicou seu primeiro texto no site Tazio. De lá para cá, cobriu GPs de F1 no Brasil e no exterior, incluindo duas decisões de título (2011 e 2012), além de provas de categorias como Indy, WEC, WTCC e Stock Car.