Motor da Ferrari sob suspeita! Entenda a polêmica

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Desde os testes de pré-temporada, a Ferrari sempre se mostrou em 2019 muito forte em pontos de alta velocidade. O conceito do carro é algo importante no geral, mas cada vez mais os motores do time italiano têm levado crédito pelo desempenho. Só que os rivais estão desconfiados.

Os desenhos e evolução dos propulsores da Ferrari já geram questionamentos dos adversários, em especial Mercedes e Red Bull, desde 2018. A princípio, existia uma polêmica sobre a queima de óleo misturada no combustível, o que tem uma limitação de 0,4 litro a cada 100 km. Usando de uma forma disfarçada uma mistura mais “rica”, o motor consegue passar mais tempo em mapas que economizam menos gasolina e geram mais potência.

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Outro ponto que há mais de ano é alvo de controversa no equipamento da equipe italiana é o desenho do sistema elétrico da unidade de potência da Ferrari, que utiliza duas baterias. Segundo adversários, desta forma, a escuderia estaria conseguindo burlar a fiscalização da corrente que passa da bateria para o motor elétrico que gera potência extra ao carro. Desta forma, o time estaria utilizando mais dos que os 120 Quilowatt (que ajuda em cerca de 160 cavalos) vindos do MGU-K (sistema de recuperação de energia cinética.

Entenda o regulamento

A unidade de potência atual da F1 é dividida em duas partes. Uma é o tradicional motor a combustão formado de um V6 turbo com 1,6 litro. A outra é o elétrico. Este também tem dois sistemas.

O primeiro é o MGU-K, sistema de recuperação de energia cinética, que reaproveita a energia que seria dissipada pelo carro nas freadas através de um gerador acoplado no virabrequim. O segundo é o MGU-H, que aproveita a energia gerada pelo giro da turbina do turbo, resultado da passagem dos gases que sairiam pelo escape e são utilizados no turbo.

motor f1
Atual unidade de potência da F1 tem um motor a combustão e um elétrico

Toda esta energia vai para uma bateria que alimenta um motor elétrico. Este é o responsável pelos 160 cavalos a mais de potência do carro. Durante uma corrida, a bateria pode ser carregada e descarregada 70 vezes. Segundo dados da Mercedes, a energia média que seria desperdiçada e que é recuperada pelo sistema durante um GP de apenas um carro de F1 poderia energizar a casa de uma família de classe média inglesa com quatro pessoas durante 24 horas.

O que está pegando para a Ferrari

Não é segredo para ninguém que a Ferrari apostou em 2019 em velocidade de reta. Quando uma equipe faz isso, não é apenas uma questão de potência de motor, mas toda a engenharia aerodinâmica e mecânica de suspensão e configuração de caixa de câmbio, entre outros pontos.

O problema é que a diferença para os outros carros começou a ficar muito grande. Mercedes e Honda, principalmente, começaram a desconfiar. A coisa tomou uma proporção a partir do último GP da Itália, quando Charles Leclerc se defendeu nas retas do ataque de Lewis Hamilton, mesmo com o inglês vindo a menos de um segundo do adversário, aproveitando o vácuo e com asa móvel aberta.

Hamiklton atrás da Ferrari de Leclerc em Monza
Hamilton persegue a Ferrari de Leclerc durante o GP da Itália de 2019, em Monza (Foto: Joe Portlock / LAT Images / Pirelli)

A Mercedes chegou a divulgar que mesmo com todos estes artifícios a favor, o seu piloto se aproximava em média apenas dois metros, o que é algo totalmente fora do padrão. Isso fez com que os adversários resolvessem questionar a FIA  e pedir explicações, o que até agora não gerou nenhuma nova investigação. “Nova” por que em 2018 a entidade já chegou a instalar um sensor de energia extra no sistema de baterias da Ferrari para verificar se algo estava fora dos limites estabelecidos e nada foi encontrado.

Por que esta vantagem da Ferrari não fez a diferença antes

Se olharmos desde a volta da F1 das férias de agosto, no GP da Bélgica, a Ferrari conquistou todas as cinco pole positions até então e venceu três corridas. E os pilotos da escuderia de Maranello tiveram boas chances de ganhar as provas da Rússia e Japão, mas perderam por problemas mecânicos, estratégicos ou erros dos pilotos, nada relacionado ao desempenho dos carros.

Antes disso, no entanto, a Ferrari estava enfrentando problemas com o conceito do carro que ela tinha escolhido. Se por um lado o carro tinha uma ótima velocidade máxima, por outro, enfrentava dificuldades para colocar os pneus na faixa de temperatura ideal. Isso prejudicava o desempenho do carro principalmente nas classificações. Nas corridas, o problema era por conta do alto desgaste dos pneus, já que com menos pressão aerodinâmica, o carro deslizava mais nas curvas.  

Leclerc, da Ferrari, à frente de Hamilton e Vettel em Singapura
Leclerc lidera o começo do GP de Singapura enquanto seu companheiro de Ferrari, Vettel, ataca Hamilton pelo segundo lugar (Foto: Zak Mauger / LAT Images / Pirelli)

Com as atualizações pós-Monza, no entanto, a Ferrari encontrou uma forma de manter sua ótima velocidade de reta com um equilíbrio melhor do chassi. A evolução nas sessões de definição de grid é incontestável e, mesmo que ainda perca para a Mercedes, a administração dos pneus nas corridas também melhorou.

Mas o campeonato já não acabou?

Verdade. A Mercedes já conquistou o título de construtores e apenas sua dupla ainda briga pelo de pilotos. A questão é que o campeonato de 2020 já está em disputa. Sem grandes mudanças de regulamento para a próxima temporada, quem tiver encontrado o caminho das pedras no final deste ano, começa bem encaminhado para o próximo.

Assim, as adversárias já tiram hoje dúvidas com a FIA sobre os recursos que possivelmente a Ferrari está utilizando. Caso a entidade não consiga encontrar problemas, a tendência, como sempre acontece na F1, é de cópia nos projetos do ano que vem. Afinal, ninguém quer ficar para trás.


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