Motores independentes #5: Repco-Brabham, a curta união que dominou a F1

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A Repco é uma empresa de engenharia mais conhecida pela fabricação de peças sobressalentes e partes de motores no setor automotivo. Mas na década de 60 se envolveu com o automobilismo e, com um empurrão do campeão Jack Brabham, acabou se tornando um nome famoso nas pistas da F1.

A aventura australiana começou quando foi criada na Oceania a Tasman Series, em 1964. No primeiro ano, a Repco trabalhou na preparação de um 4 cilindros de 2 litros da inglesa Coventry Climax, uma das principais fabricantes da F1 da época, com diversos títulos em parceria com a Lotus.

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Só que a companhia queria mais, e estava interessada em começar a fabricar o seu próprio equipamento para o ano seguinte. Foi quando ela foi abordada por Jack Brabham, que sugeriu um projeto baseado no modelo Oldsmobile de 6 cilindros em linha, que depois de ser utilizado por um tempo nos Estados Unidos, foi abandonado pela Chevrolet por questões de custo de produção. A Repco projetou novos cabeçotes, virabrequim e correu com seu produto em 65, trazendo inclusive para sua linha o engenheiro ex-GM Frank Hallam para participar da empreitada.

repco-brabhamSó que paralelamente, na Europa, uma grande mudança estava por vir na F1. Em 63, a FIA divulgou que iria dobrar a capacidade de deslocamento dos motores do Mundial dos então 1,5 litro para 3 litros em 66. A Coventry Climax, então, decidiu abandonar a categoria, deixando diversas equipes, principalmente as britânicas, em problemas. Muitas delas tiveram que recuperar o obsoleto 2.7 litros da Climax de 4 cilindros, que não vinha sendo utilizado.

Já a Brabham, com sua equipe própria, propôs uma parceria ainda maior com a Repco, e passou a trabalhar com a empresa em uma versão de 3 litros do propulsor que estavam utilizando na Austrália. Assim nasceu o modelo 620, um V8, com cilindros um pouco alongados em relação ao antecessor, construído em Melbourne pela nova empresa Repco-Brabham.

As italianas Ferrari e Maserati também partiram para novos projetos de 3 litros, só que com 12 cilindros. Na comparação de potência, o equipamento da Repco, com cerca de 315 cavalos, perdia para as duas concorrentes, mas compensava por ser mais leve, compacto e confiável. Além disso, por ter um peso menor, exigia menos do chassi, suspensão e pneus.

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Com este equipamento, Brabham, que participou ativamente do projeto e desenvolvimento tanto do carro como do motor, se tornou o primeiro e até hoje único piloto a conquistar um título da F1 com sua própria equipe, com uma vantagem confortável de 14 pontos para o vice, John Surtees, da Ferrari. O time australiano ainda bateu a Ferrari no campeonato de construtores.

Jack Brabham à frente de Jim Clark no GP da Holanda de 1966
Jack Brabham à frente de Jim Clark no GP da Holanda de 1966

Em 67, os rivais estavam melhor preparados. A Cosworth colocou na pista seu aclamado modelo DFV, um V8 de 3 litros produzido em parceria com a Ford. A BRM agora também tinha um propulsor de 3 litros e a Ferrari manteve a evolução de seu equipamento.

Por outro lado, a Repco não ficou parada. Redesenhou o bloco de seu motor e manteve a principal característica de seu produto, a confiabilidade, enquanto a Cosworth, apesar de já conseguir mostrar uma grande evolução, ainda sofria um pouco com quebras.

Denny Hulme, no GP da Inglaterra de 1967
Denny Hulme, no GP da Inglaterra de 1967

A regularidade, principalmente de Denny Hulme, levou mais uma vez a equipe de Brabham ao título tanto entre pilotos, desta vez com o companheiro no topo e o dono do time em segundo, como de construtores.

A evolução do Cosworth DFV, no entanto, deixou Brabham convencido de que apenas confiabilidade não seria suficiente para manter sua equipe no topo. Ele passou a trabalhar com a Repco em um projeto para aumentar a potência do motor para 68.

O novo modelo, no entanto, foi um fracasso. O objeto de ultrapassar os 400 cavalos nunca foi alcançado e a Brabham marcou apenas 10 pontos na temporada, apesar das duas poles conquistadas por Jochen Rindt.

A distância entre a base da equipe na Inglaterra e da Repco na Austrália dificultou o desenvolvimento para uma volta por cima durante o ano, mesmo que a Brabham liderasse a parceria. A empresa também ficou desconfortável com os altos custos que passou a ter sem conseguir novos clientes na categoria, situação que fez a companhia desistir, ao final de sua terceira temporada, de manter o projeto na F1.

A Brabham passou a correr em 69 com motores da Cosworth e os únicos Repco que foram para a pista estavam em dois modelos do time antigos inscritos por clientes que andaram sem sucesso na abertura do campeonato, na África do Sul.

Apesar da rápida passagem, a participação da Repco pela F1 foi marcada pelo sucesso. Claro que ela é intimamente ligada ao poder de desenvolvimento e visão de Jack Brabham, que soube conduzir a empresa para os triunfos nos carros de sua própria equipe.

 

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Lucas Santochi

Mais um fanático da gangue que criou vínculo com automobilismo desde a infância. Acampou diversas vezes nas calçadas ao redor de Interlagos para assistir aos GPs e nunca esqueceu a primeira vez que, ainda do lado de fora do autódromo, ouviu o barulho de F1 acelerando pela reta. Jornalista formado em 2004, passou por redações na época da TV Band e Abril, teve experiência na área de assessoria de comunicação esportiva até chegar ao site especializado em esporte a motor Tazio, em 2010. Passou pelas funções de redator, repórter (cobrindo diversas corridas no Brasil e exterior de F1, Indy, WEC, Stock Car, entre outras) e subeditor até o final de 2013, quando o veículo encerrou suas atividades. Trabalhou ainda como redator do UOL Esporte em 2014 até que decidiu se juntar com os outros três membros do Projeto Motor para investir na iniciativa.