Na Tela #18: Williams revela como desenvolveu o massacrante FW14B

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Dez vitórias. Quinze pole positions. Título mundial de pilotos para Nigel Mansell na 11ª de 16 etapas. Campeonato de construtores confirmado na rodada seguinte. Essa foi a história do Williams FW14B, bólido que massacrou a concorrência em 1992 e escancarou que a era da eletrônica chegara com força à F1.

Um carro que, de tão tecnológico, inaugurou uma verdadeira crise de identidade quanto ao papel de pilotos e engenheiros na categoria, algo que jamais foi completamente resolvido até hoje. O Projeto Motorcontou a história dos impactos que esse modelo e seu sucessor, o FW15C, provocaram na competição.

No último fim de semana, aproveitando o gancho dos 25 anos da conquista de Mansell e dos 40 anos da fundação da atual Williams, a escuderia publicou um mini-documentário em que narra os detalhes do desenvolvimento do FW14B. A peça do YouTube que aparece ao topo deste artigo é um mero teaser, embora já bastante informativo.

Só que o legal, de verdade, é assistir à peça completa, de 25 minutos. A equipe deixou o material “escondido” e pede aos interessados em conhecê-la que se cadastrem para receber o link por e-mail. Vamos facilitar a vida de quem não quer passar por esse processo: infelizmente não há uma forma de incorporá-lo diretamente, mas basta clicar aqui para ser feliz.

No vídeo, apresentado (em inglês) pelo ás Karun Chandhok, diversos personagens que participaram do desenvolvimento daquele carro contam detalhes e bastidores que ajudam tudo a fazer sentido. Há depoimentos de pilotos – os titulares, Mansell e Riccardo Patrese, e o reserva, Damon Hill; do diretor técnico, Patrick Head; do projetista-chefe, Frank Dernie; do chefe da área eletrônica, Paddy Lowe. Não vamos ficar aqui dando spoiler, mas alguns pontos valem destaque:

1) A explicação de Dernie sobre a origem do conceito de suspensão ativa (que já vinha sendo desenvolvido desde meados dos anos 80 pela Lotus).
2) Por que Mansell se adaptou tão bem e Patrese, tão mal àquele carro (apesar de ter alcançado o vice-campeonato, sua melhor posição final em um Mundial).
3) Como os engenheiros administraram o uso do controle de tração, ainda em fase de desenvolvimento, para garantir a dobradinha no páreo de abertura do certame, na África do Sul.
4) Mansell esclarecendo o quanto o sistema poderia ser perigoso caso falhasse, e o que a equipe fez para resolver esse problema.
5) A importância do sempre subestimado Damon Hill no desenvolvimento das soluções, ainda em 91.
6) O inesperado comportamento das suspensões ao final do primeiro GP oficial, em Kyalami, e o “jeitinho” que Paddy Lowe teve de dar para que os monopostos não fossem desclassificados.

Prepare a pipoca e desfrute!

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Modesto Gonçalves

Começou a acompanhar automobilismo de forma assídua em 1994, curioso com a comoção gerada pela morte de Ayrton Senna. Naquela época, tomou a errada decisão de torcer por Damon Hill em vez de Michael Schumacher, por achar mais legal a combinação da pintura da Williams com o capacete do britânico. Até hoje tem que responder a indagações constrangedoras sobre a estranha preferência. Cursou jornalismo pensando em atuar especificamente com automóveis e corridas, e vem cumprindo o objetivo: formado em 2010, foi consultor do site especializado Tazio de meados de 2011 até o fim de 2013; desde maio de 2015 compõe o comitê editorial do Projeto Motor.