Na Tela #3: Schumacher faz stint mais insano da história da F1 na Hungria

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As polêmicas condutas anti-desportivas e o retorno abaixo do esperado pela Mercedes fizeram com que muitas pessoas apagassem da memória o que Michael Schumacher era capaz de fazer em seu auge. O Projeto Motor não esqueceu. Aproveitando o fim de semana do GP da Hungria, o Na Tela desta semana mostra uma das maiores demonstrações de talento puro do alemão em sua carreira (e também na história da F1): a vitória no GP húngaro de 1998.

Ocupando uma insossa terceira posição em um cenário no qual precisava descontar 16 pontos do rival Mika Hakkinen na tabela de pontuação – e, mais do que isso, tinha que achar alguma forma de driblar a superioridade técnica do McLaren MP4-13 frente à sua Ferrari 300 -, o então bicampeão mudou totalmente o plano tático no meio da prova: coordenado pelo estrategista Ross Brawn, partiu para uma tentativa suicida de três pitstops, enquanto os dois adversários prateados, confortáveis na ponta, partiriam para duas paradas.

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A virada começou a acontecer na volta 44, quando Schumacher saiu de seu segundo e, teoricamente, último reabastecimento. Contrariando os prognósticos, a Ferrari fez um trabalho extremamente rápido, indicando que ele não teria combustível para seguir até o fim sem procurar os boxes de novo. A partir dali, o germânico deu início a uma sequência absurda de voltas mais rápidas, tomando as posições de Mika Hakkinen e David Coulthard quando estes pararam, respectivamente um e dois giros mais tarde.

Das passagens 45 a 61, Schumacher virou sempre, exceto na volta 52, na casa de 1min19s baixo, contra 1min20s alto registrado por seus oponentes. O ritmo era tão insano que, justamente na 52ª passagem, o volante cometeu um erro na última curva e escapou da pista, perdendo 3s267 para Coulthard. Não fez mal: tirando aquele deslize, cada vez que Schumi cruzava a linha de chegada ele abria, em média, 1s7 do escocês. Quando ele procurou os pits de novo, no giro 62, tinha vantagem suficiente para voltar ainda ocupando a liderança.

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Para sua sorte, Hakkinen enfrentou problemas mecânicos, ficou lento na pista e cruzou só em sexto. Assim, com a vitória, o alemão descontou nove pontos de uma só vez, algo inimaginável numa pista em que a McLaren se mostrava totalmente dominante desde os ensaios de sexta-feira.

Quer curtir Schumacher pilotando em mais alto nível durante 17 voltas seguidas? É só dar o play na sequência de vídeos abaixo e apreciar sem moderação. O stint começa em 2min50s do primeiro vídeo e vai até o fim do segundo.

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Modesto Gonçalves

Começou a acompanhar automobilismo de forma assídua em 1994, curioso com a comoção gerada pela morte de Ayrton Senna. Naquela época, tomou a errada decisão de torcer por Damon Hill em vez de Michael Schumacher, por achar mais legal a combinação da pintura da Williams com o capacete do britânico. Até hoje tem que responder a indagações constrangedoras sobre a estranha preferência. Cursou jornalismo pensando em atuar especificamente com automóveis e corridas, e vem cumprindo o objetivo: formado em 2010, foi consultor do site especializado Tazio de meados de 2011 até o fim de 2013; desde maio de 2015 compõe o comitê editorial do Projeto Motor.