Não é só Alonso: 5 histórias para ficar de olho nas 24H de Le Mans de 2018

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A menos que você seja aficionado especificamente por corridas de longa duração e esteja inteirado das disputas regulares do WEC, a grande história de destaque das 24 Horas de Le Mans de 2018 para a maioria do público é a epopeia de Fernando Alonso rumo a mais uma joia da tríplice coroa do automobilismo.

Sua busca começou a ganhar destaque em 2017, quando o espanhol, duas vezes vencedor do GP de Mônaco de F1 (2006 e 2007), deixou de participar da prova no principado para se aventurar nas 500 Milhas de Indianápolis. A vitória não veio, mas desde ali seu desejo ficou claro pelo triunfo nas três provas mais prestigiadas do planeta.

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Muitos podem não dar bola pra isso e argumentarem que Alonso apenas seguiu por esse caminho para tentar se manter relevante em meio a uma má fase aparentemente interminável na F1. Seja isso ou não, trata-se certamente de uma história a ser observada, já que o espanhol está determinado a se juntar a um grupo seletíssimo – tão seleto que só conta com um integrante.SITE
Mas, evidentemente, uma das corridas mais importantes do calendário do automobilismo não se resume só a isso. Há muitos outros pontos interessantes a serem observados – então, se você acompanha o endurance de forma casual, listamos cinco pontos para ficar de olho nessas 24 Horas de Le Mans de 2018, prova que o Projeto Motor acompanha in loco mais uma vez!

1 – Toyota e a missão de evitar um mico históricoToyota
Para a Toyota, vai muito além de simplesmente fornecer o carro para Alonso fazer sua história pessoal. Para a marca japonesa, a vitória se trata quase de uma obrigação a fim de evitar uma derrota que seria vergonhosa para sua reputação.

Em sua passagem por Le Mans, a Toyota coleciona reveses dramáticos – com destaque para a edição de 1994, quando quebrou na hora e meia final enquanto liderava, ou em 2016, que incluiu uma sofrida quebra nos metros derradeiros também enquanto ponteava. O ano passado também não foi nada legal: fez a pole position, mas viu seus três protótipos desperdiçarem a chance com problemas.

Só que, para 2018, a situação mudou consideravelmente. A concorrência, antes formada pelos igualmente poderosos (e também híbridos) Porsche e Audi, desapareceu. Agora, a Toyota é a única equipe de fábrica da classe LMP1 e tem somente as equipes privadas – como Rebellion e SMP Racing – como potenciais oponentes.

Nakajima 2016
Derrota da Toyota em 2016 foi uma das mais dramáticas da história do automobilismo

Ocorre que a organização do WEC implementou medidas de equilíbrio de performance aos protótipos que proporcionassem que os modelos privados andassem em ritmo mais próximo ao dos híbridos. Contudo, essas mesmas medidas, se seguidas à risca, preveem que os híbridos ainda assim tenham vantagem confortável de performance – se não for o caso, a organização entenderia que os parâmetros iniciais foram violados, o que poderia resultar em uma punição à equipe privada que andar mais veloz do que o esperado.

Bizarrice de regulamento à parte, é praticamente nula a chance de vermos uma equipe privada incomodando a Toyota em ritmo puro. Este cenário já foi visto na abertura do campeonato, em Spa-Francorchamps, quando os modelos japoneses foram confortavelmente mais velozes na classificação e venceram com duas voltas de vantagem para a “melhor do resto”.

Dito isso, é seguro dizer que a Toyota só perde para si mesma na edição de 2018. Mas, como estamos falando de uma cruel corrida de um dia inteiro de duração, o cenário não pode ser completamente descartado. “Para terminar em primeiro, primeiro é preciso terminar”, diria o ditado, e a própria Toyota sofreu retumbantemente com isso no ano passado.

Evidentemente, a equipe japonesa poderá ter um conservadorismo redobrado em 2018, já que não precisa conciliar confiabilidade com um ritmo tão veloz como tinha de ter ao disputar com Porsche e Audi. Mas não adianta esconder: essa é a corrida para a Toyota não perder.

Imagine só se, durante o GP dos Estados Unidos de 2005, Michael Schumacher e Rubens Barrichello ficassem pelo caminho e vissem um triunfo de Tiago Monteiro e de sua Jordan? Pois é…

2 – A briga de foice na LMP2LMP2
Assim como aconteceu no ano passado, a disputa na classe LMP2 acaba sendo até mais intrigante do que na categoria principal, mesmo que o apelo seja compreensivelmente menor. Ao todo, são 20 protótipos inscritos, ocupados por alguns nomes de destaque bastante conhecidos do público – falaremos deles mais abaixo.

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As equipes munidas do chassi Oreca 07 ainda acabam por ter uma vantagem de performance – como a G-Drive Racing, vencedora da abertura do campeonato, em Spa, ou a Jackie Chan, que triunfou em Le Mans em 2017.

Porém, a organização da categoria quer emparelhar essa disputa, possibilitando que as outras fabricantes – Dallara, Ligier e Riley – fizessem modificações aerodinâmicas a fim de diminuir o déficit de performance. Os Oreca ainda são considerados os favoritos, mas vale uma atenção especial para qualquer surpresa.

3 – Grid de estrelas invade Le MansButton
Por ser uma das provas de maior prestígio do mundo, as 24 Horas de Le Mans naturalmente contam com um grid estelar. Mas, desta vez, a escalação vai além de nomes como André Lotterer, Neel Jani ou Sebastien Buemi, tradicionais astros consagrados do endurance, ou do próprio Alonso.

Na edição de 2018, vários outros pilotos condecorados nas pistas do mundo pisarão no solo sagrado do Circuit de La Sarthe: temos Jenson Button, Juan Pablo Montoya, Scott Dixon, Tony Kanaan e Sebastien Bourdais, entre outros.

Button debutará em Le Mans pela equipe SMP Racing, da classe LMP1, sendo que sua participação se estenderá à campanha regular do WEC. Ele dividirá o time com o também ex-F1 Vitaly Petrov e Mikhail Aleshin, com o objetivo realista de brigar contra Rebellion, ByKolles e companhia pelo título de “melhor do resto”.

Já Montoya também fará sua estreia em Le Mans, última corrida que lhe falta para completar a tríplice coroa do automobilismo. Porém, como é apenas a vitória na classificação geral que conta para esta estatística, sua ambição tem de ser a de se sobressair na disputa da LMP2 com a equipe United Autosports – ele dividirá o #32 com Will Owen e Hugo de Sadeleer, sendo que o protótipo irmão também contará com um ex-F1, Paul di Resta, ao lado de Phil Hanson e Filipe Albuquerque.

Os multicampeões do automobilismo americano Dixon, Bourdais e Kanaan estão na escalação da Ford na classe GTE – falaremos dela mais abaixo.

4 – Esquadrão brasileiro marca presençaSenna
Mais uma vez os pilotos brasileiros ocuparão em peso o grid de Le Mans, com representantes nas três principais categorias da prova – apenas a GTE-Am estará sem nomes do país.

Pensando na classificação geral, Bruno Senna é quem tem melhores possibilidades. O campeão mundial da LMP2 em 2017 é o único piloto brasileiro na divisão principal, já que seu time, a Rebellion, retornou à LMP1 para a supertemporada de 2018/2019. E ele estará em ótima companhia, ao lado de Jani e Lotterer.

Na LMP2, chama a atenção a estreia de Felipe Nasr. O brasileiro, ex-Sauber na F1, parece determinado a investir seus esforços nas corridas de longa duração, já que conciliará sua participação na IMSA com a temporada da ELMS, uma espécie de versão europeia do WEC, pela italiana Villorba Corse.

Na mesma categoria, André Negrão tentará o bom resultado que lhe escapou pelos dedos em 2017. Ele permanece na equipe Signatech, com um Alpine A470 (que é um Oreca 07 rebatizado), agora ao lado de Nicolas Lapierre e Pierre Thiriet.

Descendo pelas classes, chegamos à GTE-Pro. Daniel Serra parte em busca de defender seu título de 2017 de casa nova – ele trocou a Aston Martin pela AF Corse-Ferrari, dividindo a Ferrari 388 GTE EVO #51 com Alessandro Pier Guidi e James Calado. No outro carro do time, o #52, Pipo Derani divide os trabalhos com Toni Vilander e Antonio Giovinazzi.

Por fim, dois veteranos em duas tradicionais marcas. Tony Kanaan encara Le Mans pelo segundo ano seguido com a Ford, enquanto que Augusto Farfus volta à prova depois de sete anos neste retorno da BMW.

5 – Quem se sobressai nos GTE?GT
Talvez de todas esta seja a classe que está mais em aberto para a edição de 2018. Ao todo, são seis marcas de grande tradição (Ferrari, Corvette, Ford, BMW, Porsche e Aston Martin), sendo que é difícil apontar um favorito claro.

Para Le Mans, a organização fez ajustes no sistema de equilíbrio de performance, o que envolveu mudanças no peso, no volume de combustível e no uso do motor dos diferentes modelos a fim de deixar a disputa mais franca.

Por exemplo, a Aston Martin, que enfrentou dificuldades nos testes livres para as 24 Horas, pôde obter um ganho a mais no rendimento de seu propulsor. Já BMW, Corvette e Ford ficaram 13, 10 e 13 kg, respectivamente, mais pesados do que vinham até então.

Claro, muitos podem contestar a prática de equalização de performance nesta maneira, mas também é difícil de negar que elas cumprem com seus objetivos. Na rodada de abertura do WEC, em Spa, a disputa foi bastante parelha, com vitória da Ford; já nas 24 Horas de Le Mans de 2017, o Aston Martin de Daniel Serra levou a melhor em um duelo que durou até os instantes finais. Se o brasileiro, atual campeão e líder da Stock Car, conseguir repetir o feito em um carro diferente, será um feito e tanto.

AO VIVO COM FELIPE NASR NAS 24 HORAS DE LE MANS

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Bruno Ferreira

Sempre gostou de automobilismo e assiste às corridas desde que era criança. A paixão atingiu outro patamar quando viu – e ouviu – um carro de F1 ao vivo pela primeira vez. Depois disso, o gosto pelas corridas acabou se transformando em profissão. Iniciou sua trajetória como jornalista especializado em automobilismo em 2010, no mesmo ano em que se formou, quando publicou seu primeiro texto no site Tazio. De lá para cá, cobriu GPs de F1 no Brasil e no exterior, incluindo duas decisões de título (2011 e 2012), além de provas de categorias como Indy, WEC, WTCC e Stock Car.