Não foi só Bianchi: relembre outras carreiras promissoras interrompidas por tragédias

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A F1 ainda tenta se recuperar do baque com a trágica morte de Jules Bianchi. Aos 25 anos, o francês era considerado uma das grandes promessas de sua geração, inclusive sendo apontado como possível piloto da Ferrari em questão de poucas temporadas.

Infelizmente, Bianchi não é o primeiro piloto que perde a vida antes de conseguir concretizar seu potencial nas pistas. O Projeto Motor selecionou alguns casos de competidores que tinham tudo para atingir o status de estrela, mas que viram tudo ser interrompido de maneira trágica. Confira:



STEFAN BELLOF

Bellof também foi destaque no GP de Mônaco de 84
Bellof também foi destaque no GP de Mônaco de 84

Por um tempo, acreditava-se que o piloto de Glessen poderia ser o primeiro alemão a enfim triunfar no Mundial de F1. Desde cedo Bellof mostrava que tinha o talento necessário para se tornar um piloto de ponta, com títulos na Fórmula Ford Alemã e desempenhos de destaque na F2 e no Endurance.

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Mas foi já na F1, no GP de Mônaco de 1984, que Bellof se consolidou como promessa. Na mesma prova em que Ayrton Senna brilhou pela primeira vez, o alemão da Tyrrell, que largou em último, voou baixo sob chuva e obteve uma posição no pódio, em terceiro. Ao fim do ano, porém, foi desclassificado de todas as provas, pois a Tyrrell contava com uma irregularidade em seus carros.

Bellof morreu em setembro de 1985, aos 27 anos, ao sofrer um acidente nos 1000 km de Spa. Na ocasião, o alemão tentava ultrapassar Jacky Ickx na Eau Rouge, mas os carros se tocaram e Bellof bateu forte. Ele morreu pouco depois do acidente.

MARCO CAMPOS

Marco Campos faleceu ainda muito jovem, em 1995
Marco Campos faleceu ainda muito jovem, em 1995

O paranaense surgiu como um dos grandes talentos das pistas brasileiras no início dos anos 90, quando conquistou títulos pan-americanos e sul-americano de kart. Em 94, mudou-se para a competitiva F-Opel Europeia e foi campeão logo de cara. Para o ano seguinte, deu um salto grande e transferiu-se diretamente para a F3000, último degrau antes da F1, pulando a F3, que seria seu próximo passo natural.

Sem contar com um equipamento competitivo na equipe Draco, Campos fazia campanha discreta em 1995, apenas beliscando alguns bons resultados. Na etapa final do campeonato, em Magny Cours, na França, o brasileiro tentava uma ultrapassagem sobre Thomas Biagi que valeria a nona posição da prova, mas acabou sendo vítima de um acidente bastante infeliz.

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Campos tentou colocar por dentro antes do hairpin, mas, sem espaço, tocou com sua roda dianteira esquerda na traseira direita de Biagi, decolando imediatamente. Seu carro foi em direção à mureta interna, e, após colidir, virou-se de cabeça para baixo, o que fez com que o capacete do piloto atingisse em cheio o concreto.

Campos resistiu por um período no hospital, mas faleceu no dia 15 de outubro de 1995, aos 19 anos de idade. Foi o único acidente fatal em 20 anos de existência da F3000 Internacional.

RICARDO RODRIGUEZ

Um dos "Hermanos Rodriguez", Ricardo morreu com 20 anos, em 62
Um dos “Hermanos Rodriguez”, Ricardo morreu com 20 anos, em 62

Irmão mais novo de Pedro Rodriguez, piloto que venceu dois GPs, Ricardo sempre foi precoce nas pistas. Com 18 anos de idade, foi segundo colocado nas 24 Horas de Le Mans de 60, e, assim, não demorou para que chamasse a atenção das equipes de F1.

Sua estreia na categoria aconteceu em Monza-1961, quando tinha apenas 19 anos e seis meses – recorde absoluto de precocidade na época e superado por somente três pilotos desde então. Logo em sua primeira prova, impressionou ao colocar sua Ferrari no segundo lugar no grid, batendo, inclusive, Phil Hill, que conquistaria o título naquele fim de semana.

Em novembro de 62, quando tinha 20 anos, sofreu um acidente durante prova extracampeonato, justamente no México, na temida curva Peraltada. Sua morte provocou comoção nacional, já que Rodriguez era forte candidato a ser campeão mundial no futuro. Pouco depois, o autódromo mexicano foi batizado em homenagem a ele e seu irmão como Hermanos Rodriguez.

JEAN-PIERRE WIMILLE

Astro no fim dos anos 40, Wimille provavelmente seria o primeiro campeão mundial de F1 (Divulgação)
Astro no fim dos anos 40, Wimille provavelmente seria o primeiro campeão mundial de F1 (Divulgação)

O parisiense Jean-Pierre Wimille tinha todas as credenciais para se tornar um herói. Fora a promissora carreira de piloto no pré-guerra, Wimille foi um dos três pilotos de GPs – os outros foram William Grover-Williams e Robert Benoist, ambos vencedores de corridas – que se juntaram à Resistência Francesa contra os nazistas, em meados dos anos 40. Infelizmente, ele foi o único que sobreviveu.

Logo no fim da guerra, Wimille se tornou o principal ás da sua época. Entre 1946 e 1948, como piloto nº 1 da Alfa Romeo, o ex-combatente venceu os GPs de Suíça, Bélgica e Itália, além de triunfar duas vezes no GP da França. Isso sem contar vitórias em corridas menores.

Em janeiro de 1949, enquanto participava de um treino livre para uma prova menor em Buenos Aires, Wimille bateu forte. O acidente é um mistério até hoje: alguns afirmam que ele tentou desviar o carro de espectadores que se aproximaram da pista para vê-lo; outros dizem que foi cegado pela luz solar. De qualquer forma, ele morreu na hora e, com isso, a embrionária F1 perdeu sua principal estrela e, por que não, seu provável primeiro campeão.

A ‘GERAÇÃO BRITÂNICA PERDIDA’

Tony Brise foi eleito por Graham Hill para pilotar em sua equipe
Tony Brise foi eleito por Graham Hill para pilotar em sua equipe

A Grã-Bretanha, que revelou campeões mundiais como Jim Clark, Jackie Stewart e James Hunt entre os anos 60 e 70, viu alguns de seus pilotos mais promissores perderem a vida de maneira trágica em um período de somente quatro anos.

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O primeiro foi Gerry Birrell, que acabou nem mesmo chegando à F1. O escocês, que se destacou pelo seu conhecimento técnico acima da média, trilhou seu caminho pela Fórmula Vê, Fórmula Ford 1600 e F3 inglesas, além da F2. Paralelamente, trabalhava como piloto oficial da Ford em competições de turismo, o que fez com que a relação entre a montadora e o piloto se tornasse muito próxima. Birrell era cotado para substituir Stewart na Tyrrell em 1974, mas acabou morrendo tragicamente em uma etapa da F2 em Rouen, na França, quando passou reto na Virage Six Frères e acabou indo por debaixo de um guard-rail, sendo decapitado imediatamente.

Birrell chegou a ser cotado para substituir Stewart na Tyrrell
Birrell chegou a ser cotado para substituir Stewart na Tyrrell

Outro foi Roger Williamson, campeão da F3 Inglesa em 71 e 72. Sua estreia na F1 foi em 73, aos 25 anos, em sua corrida de casa, em Silverstone. Se classificou em 22º, mas se envolveu logo no começo em uma batida múltipla. Na prova seguinte, protagonizou um dos acidentes fatais mais dramáticos da história: seu carro capotou e começou a pegar fogo, e, sem que ninguém conseguisse conter as chamas, morreu asfixiado.

Já Tony Brise despontou como um dos grandes talentos britânicos nos anos 70, sendo campeão da F3 Inglesa em 73. Fez estreia na F1 em 75, no controverso GP da Espanha, marcado pela falta de segurança do circuito de Montjuic. Pouco depois, foi contratado por Graham Hill para substitui-lo em seu próprio time, Embassy Hill, onde fez nove provas,, com um sexto lugar como melhor resultado. No entanto, aos 23 anos, morreu em um acidente de avião na Inglaterra, que também vitimou quatro engenheiros da equipe e o próprio Graham Hill, que pilotava a aeronave.

Tom Pryce
Tom Pryce perdeu a vida em bizarro atropelamento de fiscal

Por fim, o galês Tom Pryce foi o que teve passagem mais longa pela F1, tendo feito 42 corridas entre 74 e 77. Chegou a fazer uma pole position, no GP da Inglaterra de 75, e obteve dois pódios, na prova da Áustria do mesmo ano e no GP do Brasil de 76. Contudo, acabou perdendo a vida em um acidente feio: no GP da África do Sul de 77, atropelou um fiscal de pista a cerca de 270 km/h e acabou batendo com a cabeça no extintor que este carregava.

Colaborou Lucas Berredo

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Bruno Ferreira

Sempre gostou de automobilismo e assiste às corridas desde que era criança. A paixão atingiu outro patamar quando viu – e ouviu – um carro de F1 ao vivo pela primeira vez. Depois disso, o gosto pelas corridas acabou se transformando em profissão. Iniciou sua trajetória como jornalista especializado em automobilismo em 2010, no mesmo ano em que se formou, quando publicou seu primeiro texto no site Tazio. De lá para cá, cobriu GPs de F1 no Brasil e no exterior, incluindo duas decisões de título (2011 e 2012), além de edições das 24 Horas de Le Mans e provas de categorias como Indy e WTCC.