Nascar é a primeira a arriscar uma volta às pistas em meio à pandemia

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Enquanto a maior parte disparada das grandes categorias do automobilismo pelo mundo seguem paradas por conta da crise do novo coronavírus, a Nascar resolveu retornar com seu campeonato no último final de semana com uma corrida da Cup Series, sua principal divisão, em Darlington.

A prova foi vencida por Kevin Harvick, que chegou ao 50º triunfo na Nascar, mas a manchete principal do domingo certamente não foi essa. E sim, todo o esquema montado para a etapa e a mensagem que o retorno passou.

Logo de cara é possível destacar algumas imagens que marcam essa volta. Para começar, é claro, as arquibancadas vazias no autódromo. Outra, da celebração do vencedor usando máscara, o que mostra que a situação ainda exige muitos cuidados em todo o mundo e nos Estados Unidos.

Protocolos de segurança da Nascar

Para retornar, a Nascar tomou algumas decisões importantes e adotou uma série de protocolos. Para começar, Darlington não foi escolhida à toa. A categoria está planejando para este primeiro momento uma série de corridas tanto na pista da Carolina do Sul como em Charlotte porque ambas ficam próximas às sedes da maior parte das equipes.

Kevin Harvick venceu a primeira etapa da Nascar durante a pandemia
Kevin Harvick venceu a primeira etapa da Nascar durante a pandemia (Foto: Nascar/Facebook)

A Nascar limitou ao máximo o número de pessoas dentro do autódromo. Cada equipe poderia levar apenas 16 pessoas por carro, contanto pilotos, spotters, chefes de equipe, mecânicos e time de pit stop. Todos eles receberam acompanhamento na semana antes da prova, com testes rápidos a cada dois dias, e durante o evento com medição de temperatura e verificação de possíveis sintomas causados pela infecção do Covid-19.

Todos que estiveram no autódromo foram obrigados a passar informações constantes para a Nascar e seus médicos sobre contato com outras pessoas no período de um dia antes da corrida. A ideia é identificar possíveis focos, no caso de algum sintoma de parentes ou amigos.

Apenas a Cup correu neste domingo. A Xfinity, segunda divisão da Nascar, irá para a pista na terça-feira. A ideia aqui é diminuir a quantidade de pessoas no autódromo e o tempo do evento. A etapa também não teve treinos nem classificação. O grid foi decidido em um sorteio. O objetivo todo é que equipes e carros chegassem no domingo de manhã, corressem e fossem embora o mais rápido possível. O veículos, inclusive, se quer foram para garagens, indo direto para o pit lane, onde passaram pelas inspeções técnicas.

Todos no paddock deveriam utilizar máscaras e comissários da Nascar foram orientados a fiscalizar o respeito ao distanciamento ao máximo. Os spotters deveriam ficar espalhados e distantes um do outro nas arquibancadas, algo que não foi acatado durante a prova e a própria categoria admitiu que tentará melhorar para a próxima corrida.

A imprensa também praticamente não esteve presente. A corrida foi televisionada e somente quatro repórteres foram permitidos na pista: um de pool de veículos que cobrem normalmente a categoria, dois indicados pela Associação Nacional de Jornalistas de Automobilismos dos EUA e um pela própria Nascar. E mesmo assim, entrevistas estavam proibidas. As conversas com pilotos e dirigentes foram todas feitas por um sistema de teleconferência adotado pela Nascar.

Próximos passos

A Nascar considerou que esta primeira etapa em meio à pandemia do novo coronavírus foi um sucesso. Com alguns ajustes, a categoria já tem um calendário para as próximas corridas durante este mês:

19/05 (terça-feira) – Xfinity – 200 milhas – Darlington
20/05 (quarta-feira) – Nascar Cup – 500 km – Darlington
24/05 (domingo) – Nascar Cup – 600 milhas – Charlotte
25/05 (segunda-feira) – Xfinity – 300 milhas – Charlotte
26/05 (terça-feira) – Truck Series – 200 milhas – Charlotte
27/05 (quarta-feira) – Nascar Cup – 500 km – Charlotte

Desta forma, a categoria espera retomar aos poucos as atividades e manter um número próximo a 36 etapas até o final de 2020.

Nascar serve de exemplo para outras?

É importante destacar que o fato da Nascar retornar agora com suas corridas não significa que outras competições deveriam ou irão seguir o mesmo caminho nas próximas semanas. A categoria americana de stock cars tem uma concentração de equipes em uma região específica dos Estados Unidos e pelas características de sua competição (menos engenheiros, mecânicos e estrutura de cada de time no geral), consegue diminuir drasticamente o número de pessoas no paddock.

Nascar corre em Darlington com arquibancadas vazias por conta da pandemia do novo coronavírus (Imagem: Reprodução)

A F1, por exemplo, tem uma centralização de equipes na Inglaterra, porém, também tem times na Itália e Suíça, além de fornecedores importantes na Alemanha e França. O número de pessoas para a operação de cada escuderia é consideravelmente maior também, vindas de vários lugares da Europa. E para completar, as corridas são internacionais, passando por diversos países e precisando na maioria delas de viagens de avião.

Por isso, inclusive, a categoria vem considerando para seu retorno duas etapas consecutivas em Silverstone, autódromo mais próximo da maioria das equipes, o que deve no geral diminuir os deslocamentos.

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E mesmo assim, o retorno da Nascar tão cedo também é questionável. O número de casos nos Estados Unidos, apesar de uma leve queda nos últimos dias, ainda é bastante alto. No sábado (16) 24.527 novos casos foram confirmados e no domingo, dia da corrida, 19.731. Na Carolina do Sul, estado onde a prova aconteceu, o sábado teve o segundo maior número de casos na série, com 254. Já na Carolina do Norte, onde fica a maior parte das equipes, a curva continua se acentuando, com recorde no último dia 16 com 859 casos.


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Lucas Santochi

Mais um fanático da gangue que criou vínculo com automobilismo desde a infância. Acampou diversas vezes nas calçadas ao redor de Interlagos para assistir aos GPs e nunca esqueceu a primeira vez que, ainda do lado de fora do autódromo, ouviu o barulho de F1 acelerando pela reta. Jornalista formado em 2004, passou por redações na época da TV Band e Abril, teve experiência na área de assessoria de comunicação esportiva até chegar ao site especializado em esporte a motor Tazio, em 2010. Passou pelas funções de redator, repórter (cobrindo diversas corridas no Brasil e exterior de F1, Indy, WEC, Stock Car, entre outras) e subeditor até o final de 2013, quando o veículo encerrou suas atividades. Trabalhou ainda como redator do UOL Esporte em 2014 até que decidiu se juntar com os outros três membros do Projeto Motor para investir na iniciativa.