No lugar certo, na hora certa, Gasly recebe chance da sua vida na Red Bull

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Diante da inesperada decisão de Daniel Ricciardo em se juntar à Renault na temporada de 2019 da F1, a Red Bull seguiu sua velha receita para fazer a fila andar: promoveu Pierre Gasly, hoje na Toro Rosso, à sua equipe principal para formar dupla com Max Verstappen.

Esta certamente se trata de uma notícia e tanto para o francês, que garantiu uma transferência para um time de ponta somente com 22 anos de idade e antes mesmo de ter uma temporada completa de F1 em seu currículo.

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Apesar de se tratar de uma cara relativamente nova no pedaço, a confirmação é algo que certamente não surpreende ninguém. A equipe Red Bull possui política bem definida para escolher seus representantes, já que, desde que a Toro Rosso começou a desempenhar o papel que se esperava, apenas os pilotos que passaram pelo time satélite pularam posteriormente para a operação principal.

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Em sua primeira temporada completa, Gasly tem mostrado bons resultados na Toro Rosso (Red Bull)

Foi assim com Sebastian Vettel, Daniel Ricciardo, Daniil Kvyat e o próprio Max Verstappen: primeiro a Toro Rosso, depois a Red Bull. É uma forma com que Helmut Marko, Christian Horner e companhia consigam trazer pilotos já conhecidos (ou seja, minimizando a chance de surpresas desagradáveis), qualificados e sem precisar desembolsar uma bolada com multas rescisórias ou salários astronômicos. É uma fórmula controversa, mas que funciona.

Assim que Carlos Sainz teve sua transferência confirmada para a McLaren, a chegada de Gasly a Milton Keynes passou a ser encarada como mera formalidade. O curioso é que o caso do francês mostra a importância do timing de marcado mesmo dentro do mundo fechado da Red Bull. Estar no lugar certo, na hora certa, é algo que pode fazer toda a diferença.

A promoção de Gasly ao assento da Red Bull tem um lado irônico, já que, no passado, a própria marca de bebidas energéticas mostrou certo receio em apostar todas suas fichas no piloto. Em 2016, o francês se sobressaiu em um duelo contra seu parceiro de equipe na Prema, Antonio Giovinazzi (cria da Ferrari), para conquistar a taça na GP2. Com o título no bolso, o piloto havia obtido, portanto, a conquista máxima na base, o que fazia com que uma vaga de titular na F1 não fosse nada além do próximo passo natural.

Contudo, a Red Bull insistiu em manter na Toro Rosso um visivelmente desgastado Kvyat para a temporada de 2017, realocando Gasly para um incomum passo na Super Fórmula japonesa. A equipe, que não pensa duas vezes antes de dar espaço aos pilotos em quem acredita (basta ver a velocidade com que promoveu Verstappen e o próprio Kvyat à F1), agiu de forma diferente com Gasly, o que transparecia uma certa desconfiança.

Gasly foi campeão da GP2, mas isso não foi suficiente para uma promoção imediata à F1
Gasly foi campeão da GP2, mas isso não foi suficiente para uma promoção imediata à F1

Veio em seguida a campanha competitiva no Japão e, com um Kvyat para lá de apagado, Gasly conquistou sua vaga na F1 ainda em 2017. Passado o tempo de adaptação, o piloto se destacou na primeira fase da campanha de 2018, com os pontos altos no quarto lugar no Bahrein (então o melhor resultado da Honda desde seu retorno à categoria) e no sexto na Hungria.

Mas, por mais que Gasly venha ganhando seu espaço dentro da pista, a Red Bull deixou claro em todo momento que sua prioridade era manter Ricciardo e Verstappen como seus titulares. Só que faltou combinar com o australiano, e a consequência direta das mudanças de mercado foi uma promoção a Gasly que não estava nos planos.

Gasly, que demorou para ter sua chance na F1, teve com uma rapidez maior do que a esperada sua promoção a um time de ponta. Pura questão de timing. Isso pode ser uma ótima notícia para ele, já que a oportunidade de guiar em uma operação com títulos mundiais em seu passado representar a plataforma ideal para que sua carreira deslanche – mesmo que a própria Red Bull venha a passar por seu próprio período de transição com a adoção dos motores Honda.

Kvyat foi promovido à Red Bull em circunstâncias parecidas
Kvyat foi promovido à Red Bull em circunstâncias parecidas

O ponto a se observar, porém, é que o tal timing pode consagrar ou destroçar a carreira de qualquer piloto, e já houve exemplos de ambos os lados da moeda dentro do próprio universo da Red Bull na F1. Kvyat teve uma promoção inesperada ao time principal, em contexto parecidíssimo ao de Gasly. O russo ainda não tinha uma temporada completa e estava iniciando sua trajetória na categoria, sendo que o plano oficializado era de que ele permaneceria na Toro Rosso para a temporada de 2015 a fim de ganhar mais experiência.

Só que aí Vettel anunciou que deixaria a Red Bull para se juntar à Ferrari. Kvyat, na ocasião, foi agraciado com a vaga no time principal, até porque seu então companheiro de equipe, Jean-Eric Vergne, que era mais experiente e vinha conquistando os melhores resultados do time em 2014, já havia sido descartado para a temporada seguinte.

A princípio, foi uma grande notícia para Kvyat, que, mesmo em uma Red Bull com dificuldades, anotou dois pódios e ganhou espaço dentro da F1. Mas não durou muito. Assim que Verstappen surgiu e se mostrou preparado, a Red Bull dispensou Kvyat também de forma repentina, o que praticamente sepultou seu psicológico e, consequentemente, sua carreira na F1.

Por isso, Gasly chega à Red Bull com uma missão clara em mãos. Diante de um osso duro de roer em Verstappen e com um time em fase de transição, sua meta é mostrar o serviço suficiente para que ele não seja visto apenas como um tapa buraco de emergência após a saída de Ricciardo. Terá, portanto, de conquistar a confiança da chefia com maior afinco do que fez em sua passagem pela base.

Sua situação é ligeiramente diferente à de Kvyat em 2015, já que, atualmente, a equipe ainda não possui uma outra cria imediata que possa fazer sombra ao francês. Isso, certamente, dará ao piloto uma tranquilidade adicional. Mesmo assim, os episódios passados mostram que o desafio de Gasly está só começando. Cabe ao francês ficar de olhos bem abertos para que a oportunidade dos sonhos não suma de suas mãos com a mesma velocidade com a qual lhe apareceu.


Plantão Motor analisa transferência de Ricciardo à Renault em 2019:


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Bruno Ferreira

Sempre gostou de automobilismo e assiste às corridas desde que era criança. A paixão atingiu outro patamar quando viu – e ouviu – um carro de F1 ao vivo pela primeira vez. Depois disso, o gosto pelas corridas acabou se transformando em profissão. Iniciou sua trajetória como jornalista especializado em automobilismo em 2010, no mesmo ano em que se formou, quando publicou seu primeiro texto no site Tazio. De lá para cá, cobriu GPs de F1 no Brasil e no exterior, incluindo duas decisões de título (2011 e 2012), além de provas de categorias como Indy, WEC, WTCC e Stock Car.