Novo calendário mostra que 2016 será maratona intensa para a F1

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No fim da última semana, a Federação Internacional de Automobilismo (FIA) anunciou, após reunião do Conselho Mundial, aquele que deverá ser o calendário da F1 para a temporada de 2016. Há mudanças em relação à lista deste ano, que, mesmo sutis, poderão geral algum tipo de impacto e responder questões importantes para o futuro da categoria.

O que primeiramente chama a atenção é o número de etapas. Com 21 GPs agendados, a F1 terá o calendário mais longo de sua história, com uma corrida a mais do que em 2012. Ultrapassar a barreira das duas dezenas de corridas anuais é um desejo antigo do certame – em 2014, por exemplo, foi inicialmente anunciado um calendário de 21 provas; para 2015, o número foi de 22. Alguns problemas, no entanto, impediram que isso se concretizasse, sobretudo com o imbróglio do GP de Nova Jersey e a situação obscura da corrida na Coreia do Sul.

GP da Alemanha está de volta em 2016 (Divulgação)
GP da Alemanha está de volta em 2016 (Divulgação)

Mas a agenda de compromissos da F1 para 2016 não vai ser somente longa, mas também intensa. Pela primeira vez desde 1988 o GP de abertura será depois do fim de março, no dia 3 de abril, o que significa que o calendário será bastante compacto. Para se ter uma ideia, o campeonato do próximo ano terá duração de 35 semanas, três a menos que em 2015 e duas a menos em relação a 2012. Resumindo, haverá muito mais corridas em muito menos tempo.

F1 terá sete “dobradinhas” em 2016: Austrália-China, Bahrein-Rússia, Inglaterra-Áustria, Alemanha-Hungria, Bélgica-Itália, Cingapura-Malásia e Estados Unidos-México

De fato a F1 precisava corrigir algumas falhas do calendário de 2015, que, por coincidência das férias de agosto, mais a queda do GP da Alemanha, fez com que houvesse um espaço de sete semanas com apenas uma corrida sendo realizada, na Hungria. Com problemas de popularidade, a categoria não pode se dar ao luxo de ficar tanto tempo inativa e longe dos noticiários, mas será que o calendário de 2016 não passou do ponto?

A compactação do Mundial é um agravante em um calendário cuja estrutura já desgasta bastante aqueles que seguem a categoria pelo mundo. Em 2016, será mantida a maratona “além mar” na reta final do campeonato, com sete provas sendo disputadas na Ásia e na América em pouco mais de dois meses.

Levando em conta que equipes e pilotos têm como base a Europa, as longas viagens no fim da temporada não deixam de ser um teste de resistência. Por essas e outras que Fernando Alonso montou residência em Dubai, que usa como refúgio em épocas de provas fora do solo europeu.

Ao menos o calendário de 2016 conta com algumas “correções logísticas”, como a inversão das datas das corridas da Malásia e da Rússia. A etapa de Sepang foi jogada para setembro, uma semana depois da prova nas ruas de Cingapura, sendo que os locais dos GPs são separados por menos de 400 km.

O GP da Rússia de 2016 será o primeiro a ser realizado em um 1º de maio desde San Marino-1994

GP da Malásia deverá ser menos afetado pela chuva em setembro (Renault)
GP da Malásia deverá ser menos afetado pela chuva em setembro (Renault)

Isto, claro, também envolverá fatores que poderão afetar o desenrolar das corridas. A prova malaia retornará à fase final do campeonato, assim como era em seus primeiros anos na F1, em 1999 e 2000. O clima em Kuala Lumpur tende a ser quente e úmido por praticamente o ano inteiro, mas a chuva repentina, presente na cidade sobretudo entre outubro e março, e que já atrapalhou corridas no passado, como nas edições de 2001 e 2009 na prova, poderá dar uma trégua no próximo ano. Na Rússia, pouca coisa deve mudar, já que a média de temperatura diária, a possiblidade de chuva e a umidade do ar são praticamente equivalentes entre a data antiga e a nova.

A NOVIDADE

A temporada de 2016 promoverá a estreia de uma nova corrida, na cidade de Baku, capital do Azerbaijão. A etapa, disputada em um circuito de rua, será chamada de GP da Europa, agendada para acontecer no dia 17 de julho.

GP em Baku é a nova aposta de Bernie Ecclestone (Divulgação)
GP em Baku é a nova aposta de Bernie Ecclestone (Divulgação)

Ao lado de Brands Hatch, Nurburgring, Donington Park, Jerez de la Frontera e Valência, será o sexto circuito a receber o GP da Europa. O nome, geralmente utilizado como uma alternativa quando determinado país recebe duas etapas em um mesmo ano, foi dado à primeira corrida no Azerbaijão como recurso para fortalecer a relação de imagem entre o país e o continente, afastando-se da relação com a Rússia por ter sido integrante da União Soviética.

O traçado da pista já foi divulgado: será mais uma obra do arquiteto Hermann Tilke, com seis quilômetros de extensão, 20 curvas e percorrido no sentido anti-horário. Ela não possui relação com o outro circuito de rua que recebeu provas internacionais de GT.

A pista terá início em uma longa reta em frente ao mar, passando também pela parte antiga da cidade e com um extenso trecho em subida. Calcula-se que a velocidade média durante uma volta fique em torno dos 208 km/h, algo parecido ao que acontece no veloz circuito do Canadá.

Circuito de Baku é a novidade para 2016 (Divulgação)
Circuito de Baku é a novidade para 2016 (Divulgação)

Quem também está de volta é o GP da Alemanha, que ficou de fora da lista de 2015 após os problemas financeiros de Nurburgring e a falta de tempo hábil para Hockenheim organizar a prova. A FIA não confirmou o local onde a corrida será realizada, mas os indícios apontam que voltará a ser em Hockenheim, autódromo responsável pelas provas em anos pares com base na política de revezamento que havia.

O mais longo – e, ao mesmo tempo, compacto – calendário da história da F1 acaba agradando tanto o pessoal da velha guarda, com o retorno de uma das provas mais tradicionais, quanto aquele que gosta de ver novidades, com a maior categoria do automobilismo explorando diferentes mercados. Bom mesmo é para quem o fã, que terá 21 fins de semana para apreciar as corridas.

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Bruno Ferreira

Sempre gostou de automobilismo e assiste às corridas desde que era criança. A paixão atingiu outro patamar quando viu – e ouviu – um carro de F1 ao vivo pela primeira vez. Depois disso, o gosto pelas corridas acabou se transformando em profissão. Iniciou sua trajetória como jornalista especializado em automobilismo em 2010, no mesmo ano em que se formou, quando publicou seu primeiro texto no site Tazio. De lá para cá, cobriu GPs de F1 no Brasil e no exterior, incluindo duas decisões de título (2011 e 2012), além de edições das 24 Horas de Le Mans e provas de categorias como Indy e WTCC.