Numerama #15: Rosberg faz o que nem Fangio, Senna e Prost conseguiram

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Mais uma vez Nico Rosberg foi o grande nome de uma corrida de F1. No GP do Bahrein, o alemão da Mercedes fez bom proveito da primeira fila, assumiu a liderança nos metros iniciais e anotou mais uma vitória dominante para seu livro de estatísticas.

Rosberg, aliás, tem se tornado um destaque cada vez maior no registro de números da F1. A vitória em Sakhir representou uma série de marcas positivas para o filho de Keke, como uma delas indicando que, no que depender de retrospecto estatístico, há boas chances de vermos um novo campeão ao término da temporada de 2016.

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O GP do Bahrein também representou uma chance desperdiçada pela Mercedes, consagrou o bom desempenho de Kimi Raikkonen nas provas noturnas, deu as boas-vindas a Stoffell Vandoorne e mais uma vez consagrou a estreia surpreendente da Haas. Sem mais delongas, vamos às principais estatísticas pós-GP do Bahrein com a edição #15 do NUMERAMA:

Rosberg e Moss, os melhores não-campeões

A vitória noturna em Sakhir representou a Nico Rosberg seu 16º triunfo na F1, o que o coloca em igualdade numérica com Stirling Moss, considerado o maior piloto da história a nunca conquistar um título. Apenas campeões mundiais conquistaram mais que 16 vitórias em suas carreiras.

Alguns nomes, em compensação, obtiveram mais triunfos antes de levarem para casa seus primeiros títulos, como aconteceu com Nigel Mansell (29 vitórias antes de se sagrar campeão em 92), Alain Prost (21) e Damon Hill (20).

Mais um a vencer cinco seguidas

Rosberg 2

Ao receber a bandeira quadriculada em Sakhir, Rosberg entrou em um grupo seletíssimo de pilotos que conseguiram vencer cinco corridas consecutivas na F1. E o alemão é o único entre eles a nunca terem conquistado um título mundial.

Até hoje, apenas oito nomes venceram meia dezena seguida de corridas em sequência: Sebastian Vettel (nove seguidas), Alberto Ascari (7), Michael Schumacher (6), Jack Brabham, Jim Clark, Nigel Mansell, Lewis Hamilton e, agora, Rosberg (5 cada).

Repare como o grupo tem ausências importantes, como alguns dos maiores vencedores da história da F1. Ayrton Senna e Alain Prost não conseguiram passar de quatro vitórias seguidas, enquanto que o pentacampeão Juan Manuel Fangio obteve como recorde três triunfos em sequência.

Será que o título finalmente vem?

Se considerarmos o retrospecto estatístico, a chance é considerável. Em toda a história da F1, 78% dos pilotos que venceram as duas primeiras provas de uma temporada se consagraram campeões ao fim do ano.

Rosberg 3

Isso já aconteceu em 14 oportunidades: Alberto Ascari-1953*, Juan Manuel Fangio-1954* e 1957, Jackie Stewart-1969, Ayrton Senna-1991, Nigel Mansell-1992, Michael Schumacher-1994, 2000, 2001 e 2004, Damon Hill-1996, Mika Hakkinen-1998, Jenson Button-2009 e Sebastian Vettel-2011.

Já Emerson Fittipaldi (1973), Niki Lauda (1976), Jacques Laffite (1979) e Alain Prost (1982) venceram as duas corridas de abertura do campeonato e ficaram sem o título nos anos em que isso aconteceu. Em qual time Rosberg vai entrar?

* Em 53 e 54, Ascari e Fangio, respectivamente, venceram a primeira e a terceira corridas da temporada. Entre elas havia as 500 Milhas de Indianápolis, que contabilizavam pontos para o Mundial, mas não tinham a participação dos pilotos regulares da temporada.

A chance desperdiçada da Mercedes

No GP da Austrália, a Mercedes chegou a cinco dobradinhas consecutivas e estava prestes a bater o recorde absoluto no quesito. Contudo, a má largada e o toque na primeira curva de Lewis Hamilton impediram que isso acontecesse.

Assim, a equipe alemã permaneceu empatada na liderança de estatísticas de 1-2 seguidos. Cinco dobradinhas consecutivas já aconteceram em outras três oportunidades: uma com a própria Mercedes, de Malásia-14 a Mônaco-14, e duas com a Ferrari, entre Bélgica-52 e Holanda-52, e Hungria-02 a Japão-02.

Raikkonen, o rei da noitada

Raikkonen

Calma, não é isso que você está pensando. Com o segundo lugar no GP do Bahrein, Raikkonen marcou seu quarto pódio seguido em corridas noturnas, sendo que isso aconteceu em cinco de suas últimas seis aparições entre os três primeiros.

O finlandês também obteve o 81º pódio de sua carreira, ficando em quinto lugar isolado nas estatísticas. Ayrton Senna e Sebastian Vettel anotaram 80, mas levam vantagem no percentual relativo às corridas disputadas: 50,3% para o alemão, 49,6% para o brasileiro, 34,7% para o finlandês.

Vandoorne quebra longo jejum belga

Atual campeão da GP2, Stoffel Vandoorne estreou na F1 com grande destaque no GP do Bahrein. O belga superou Jenson Button no treino classificatório, cruzou a linha de chegada em décimo e anotou seu primeiro ponto na categoria.

Pontuar na prova de estreia não é algo exatamente raro, já que outros oito pilotos do atual grid obtiveram feito semelhante. Para Vandoorne, no entanto, a marca teve um gostinho especial: ele foi o primeiro belga a marcar pontos desde Thierry Boutsen e seu quinto lugar no GP da Austrália de 1992.

Haas volta a impressionar nos pontos

Por fim, mais um grande resultado para a novata equipe Haas, que, com os 10 pontos marcados por Romain Grosjean no Bahrein, assume o quinto lugar entre as equipes. Na história da F1 é extremamente raro ver times 100% estreantes pontuando em suas duas primeiras provas na categoria.

Desde que o Mundial de Construtores foi criado, em 1958, isso só aconteceu algumas vezes. A primeira foi com a Lotus, que obteve dois sextos lugares com Cliff Allison em suas duas primeiras corridas.

Depois foi a vez da Tyrrell, que se desvencilhou da Matra na temporada de 1970 e era uma das equipes que contavam com o chassi da March (que também estreava na categoria). Já em 1973, a Shadow, curiosamente também com raízes americanas como a Haas, pontuou com George Follmer em suas duas primeiras corridas na F1, incluindo um pódio na Espanha.

Décadas mais tarde, a Prost repetiu o feito em 1997, embora se tratasse de uma equipe que era a continuação da Ligier. Casos semelhantes aconteceram em sequência: Red Bull em 2005, como substituta da Jaguar; Honda em 2006, que era a continuação da BAR, e com a Brawn em 2009, um novo time que se criou a partir do espólio da Honda.

* Colaborou Leonardo Felix

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Bruno Ferreira

Sempre gostou de automobilismo e assiste às corridas desde que era criança. A paixão atingiu outro patamar quando viu – e ouviu – um carro de F1 ao vivo pela primeira vez. Depois disso, o gosto pelas corridas acabou se transformando em profissão. Iniciou sua trajetória como jornalista especializado em automobilismo em 2010, no mesmo ano em que se formou, quando publicou seu primeiro texto no site Tazio. De lá para cá, cobriu GPs de F1 no Brasil e no exterior, incluindo duas decisões de título (2011 e 2012), além de provas de categorias como Indy, WEC, WTCC e Stock Car.

  • Filipe Prando Russo

    Mas, eu ainda estou para achar uma matéria que explique tudo esse lance da Haas e da Ferrari… ouvi dizer que existem boatos de que a Haas tem 75% de uma Ferrari. Alguém tem alguma materia para me indicar?

  • Fábio Brandão

    A equipe Shadow teve um início parecido com o da Haas, com George Follmer sendo 6º colocado em Kyalami e 3º colocado em Montjuic, nas duas primeiras corridas da equipe que estreou na 3ª etapa de 1973

    • Bem observado, Fábio. Vamos acrescentar este exemplo em nosso teto também. Obrigado pelo toque!