Numerama #17: Rosberg liderou 185 voltas na F1 em 2016; Hamilton, só uma

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Se jornalistas, torcedores e o próprio Lewis Hamilton estavam esperando pelo início da reação, o GP da Rússia, realizado no último domingo (1º), representou um belo e gelado balde d’água jogado contra a face de todos. Um problema na unidade de potência do #44 ceifou as chances do tricampeão logo na segunda fase da classificação, deixando-o em décimo na grelha de partida.

Sem a ameaça do inglês nem a de Sebastian Vettel, punido com a perda de cinco posições na ordem de largada por trocar a caixa de câmbio, Nico Rosberg se viu livre para fazer aquilo que vem praticando com maestria nesta temporada: dominar mais uma corrida de maneira categórica, vencendo sem sofrer sustos ou ameaças. Confira na 17ª edição do Numerama o que o resultado da quarta etapa da F1 em 2016 representou para os anais estatísticos da categoria:

Rosberg 185 x 1 Hamilton

SOCHI (RUSSIA) - 01/05/2016 © FOTO STUDIO COLOMBO PER PIRELLI MEDIA (© COPYRIGHT FREE)

O teutônico liderou 185 das 223 passagens completadas ao longo do ano até aqui. Um domínio ainda mais avassalador quando convertido ao universo relativo: 83%. O calvário do badalado companheiro Lewis Hamilton também está manifesto neste bojo: o britânico ponteou uma única volta em toda a temporada, a 40ª do GP do Bahrein. Fica, assim, atrás de Sebastian Vettel (32), Kimi Raikkonen (três) e até Daniel Ricciardo (duas).

Sétima vitória seguida

Sétimo triunfo consecutivo para Rosberg, um feito impressionante que o coloca num panteão muito especial, ao lado de Alberto Ascari (entre 1952 e 53, levando em conta que as 500 Milhas de Indianápolis faziam parte do calendário) e Michael Schumacher (2004). Acima deles consta apenas o tetracampeão Vettel, detentor de nove glórias seguidas atingidas em 2013.

A maior diferença de pontos

Em pouco mais de três temporadas como parceiro de Hamilton na Mercedes, Rosberg nunca conseguira impor uma distância tão grande ante o rival na tábua de pontuação como agora. São 43 pontos de frente: 100 vs. 57. Antes, as maiores diferenças a seu favor haviam sido auferidas nos GPs da Áustria e da Bélgica de 2014, quando o alemão acumulou gordura de 29 tentos. Hamilton, por sua vez, chegou a abrir 80 pontos em relação ao germânico no GP dos Estados Unidos do ano passado, o páreo que lhe confirmou o tricampeonato.

Quatro triunfos em quatro tentativas

SOCHI (RUSSIA) - 01/05/2016 © FOTO STUDIO COLOMBO PER PIRELLI MEDIA (© COPYRIGHT FREE)

Há duas semanas, após o GP da China, o Projeto Motor atentou para o fato de que nunca na F1 um piloto faturou as três primeiras rodadas de um certame e ficou sem o título ao final dele. Bem… Agora Rosberg foi além, alcançando a marca de quatro vitórias em quatro provas. Somente outros três ases atingiram tamanha hegemonia: Ayrton Senna, em 1991; Nigel Mansell, no ano seguinte; e Michael Schumacher, por duas vezes, em 94 e 2004. Não é preciso frisar que os três concluíram todos esses certames como campeões. Jim Clark pode ser mencionado aqui com um asterisco: o escocês angariou seis triunfos consecutivos na campanha do bi, em 65, mas ficou de fora do GP de Mônaco porque estava disputando as 500 Milhas de Indianápolis, fato que maculou sua fenomenal sequência.

Primeiro grand chelem de Rosberg

O GP da Rússia representou o primeiro grand chelem (pole position, vitória com todas as voltas lideradas e giro mais rápido) da carreira de Rosberg. Clark é o maior neste quesito, com absurdos oito, acompanhado por Alberto Ascari e Michael Schumacher (cinco cada). Entre os competidores em atividade, Vettel é que aparece mais acima, empatado com Jackie Stewart, Ayrton Senna e Nigel Mansell na quarta posição (quatro para cada). Hamilton possui dois e Fernando Alonso, um.

Trigésima dobradinha da Mercedes

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Trigésima dobradinha da Mercedes na categoria, o que a mantém em quarto lugar no geral e no encalço da Williams, terceira colocada com 33. É a 10ª liderada por Rosberg frente a Hamilton, enquanto o inglês esteve à frente em 15. Juan Manuel Fangio foi o ganhador em outras quatro e Stirling Moss em uma, a do famoso GP da Inglaterra de 1955 (em que até hoje não se sabe se o pentacampeão argentino cedeu ou não a vitória). A construtora que mais obteve 1-2 na história é a Ferrari, com 81. A McLaren detém 47.

Décima vitória consecutiva da esquadra

Décima vitória consecutiva da Mercedes, o que o deixa em segundo lugar no geral, empatada com a Ferrari (que emplacou a mesma sequência entre as etapas do Canadá e do Japão de 2002). Resta só um triunfo para igualar o mágico triunvirato formado por Senna, Alain Prost e McLaren MP4-4, responsável por 11 láuras seguidas entre os GPs do Brasil e da Bélgica de 88.

Ferrari alcança 700 pódios

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Terceiro lugar de Kimi Raikkonen representou o 700º pódio da Ferrari na F1, um recorde absoluto. Vale lembrar que, nessa estatística, quando dois volantes de um mesmo time participam juntos da cerimônia de premiação, as duas presenças são contabilizadas. O finlandês, sozinho, é responsável por 31 pódios vestindo o macacão escarlate. Seu companheiro Sebastian Vettel, ingressante na escuderia em 2015, já possui 15. Fernando Alonso, apenas por comparação, contabilizou 44 entre 2010 e 2014. O rei neste quesito, como seria de se esperar, é Schumacher, dono de impensáveis 116 pódios como ás do Cavallino Rampante. Os brasileiros Rubens Barrichello e Felipe Massa aparecem com 55 e 36, respectivamente.

McLaren encerra maior hiato em 19 anos

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Com o sexto posto de Alonso e o décimo de Jenson Button, a McLaren voltou a colocar dois carros na zona de pontos após hiato de 12 GPs, iniciado na rodada da Hungria de 2015 (Alonso quinto e Button nono). Tamanho intervalo não se repetia desde 1997, quando a escuderia passou 15 etapas (da segunda rodada, em Interlagos, à penúltima, em Suzuka) sem conseguir fazer David Coulthard e Mika Hakkinen pontuarem juntos numa mesma corrida. Àquela época, porém, vale lembrar que só os seis primeiros colocados de cada prova recebiam pontos.

 Comunicar Erro

Modesto Gonçalves

Começou a acompanhar automobilismo de forma assídua em 1994, curioso com a comoção gerada pela morte de Ayrton Senna. Naquela época, tomou a errada decisão de torcer por Damon Hill em vez de Michael Schumacher, por achar mais legal a combinação da pintura da Williams com o capacete do britânico. Até hoje tem que responder a indagações constrangedoras sobre a estranha preferência. Cursou jornalismo pensando em atuar especificamente com automóveis e corridas, e vem cumprindo o objetivo: formado em 2010, foi consultor do site especializado Tazio de meados de 2011 até o fim de 2013; desde maio de 2015 compõe o comitê editorial do Projeto Motor.