Numerama #18: Acidente impede Mercedes de alcançar marca histórica

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O amigo leitor que acompanhou o GP da Espanha de 2016 pode ter certeza de que testemunhou um momento histórico na F1. A prova em Barcelona cumpriu todos os pré-requisitos para uma corrida épica, com direito a ultrapassagens, disputas ao longo do pelotão, acidentes controversos e um vencedor para lá de improvável.

Verstappen nasceu na Bélgica, mas é de nacionalidade holandesa (Divulgação)
Verstappen nasceu na Bélgica, mas é de nacionalidade holandesa (Divulgação)

De longe o piloto mais jovem a largar na F1, Max Verstappen mostrou que toda a expectativa sobre o seu nome não é por acaso. Mesmo fazendo apenas sua primeira prova com o carro da Red Bull, o jovem holandês mostrou velocidade, maturidade incrível e inteligência para conquistar sua primeira vitória em GPs.

Mas, como dissemos, as emoções da corrida na Espanha foram muito além disso. Um acidente entre Nico Rosberg e Lewis Hamilton logo na quarta curva da corrida deixou os espectadores boquiabertos e impediu que a Mercedes atingisse recordes ainda mais impressionantes na história da categoria.

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Mas, chega de conversa mole: vamos às principais estatísticas pós-GP da Espanha com mais um NUMERAMA! Se você percebeu algo que deixamos passar, fique à vontade para mencionar nos comentários abaixo.

Recordes e recordes de precocidade

Passando o bastão: Vettel parabeniza Verstappen pela quebra do recorde (Divulgação)
Passando o bastão: Vettel parabeniza Verstappen pela quebra do recorde (Divulgação)

É difícil colocar em palavras o quão impressionante e histórico foi o feito de Verstappen em Barcelona. Talvez, ao mencionar o número de recordes que o garoto quebrou, é possível ter uma ideia mais precisa do que aconteceu no último domingo (15).

Verstappen venceu pela primeira vez na F1 aos 18 anos, 7 meses e 15 dias de idade. Ele bateu, com muita folga, o recorde neste quesito, já que a marca até então era de 21 anos, 2 meses e 11 dias de Sebastian Vettel em Monza-2008.

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A questão vai ainda além. Nenhum outro piloto da história da F1 além de Max havia sequer participado de uma prova na categoria aos 18 anos de idade (o segundo mais precoce é Jaime Alguersuari, que estreou aos 19). Assim, naturalmente, o holandês também bateu recordes de precocidade nos quesitos pódio e voltas lideradas na F1.

Este recorde ele não bateu

Verstappen conquistou sua improvável primeira vitória na F1 em sua 24ª largada na categoria. É uma marca bastante impressionante, de fato, mas este recorde ele ficou longe de bater. Do grid atual, os multicampeões Lewis Hamilton (6) e Sebastian Vettel (22) precisaram de menos participações para vencer pela primeira vez.

Alonso venceu na estreia na Ferrari, em 2010 (Divulgação)
Alonso venceu na estreia na Ferrari, em 2010 (Divulgação)

Além disso, Verstappen triunfou logo em sua primeira corrida pela Red Bull. Trata-se do 15º caso em que um piloto vence em sua estreia por uma escuderia, como já aconteceu no passado com: Giuseppe Farina* (Alfa Romeo, Inglaterra-1950), Juan Manuel Fangio (Mercedes, França-1954, e Ferrari, Argentina-1956), Stirling Moss (RRC Walker, Argentina-1958), Maurice Trintignant (RRC Walker, Mônaco-1958), Giancarlo Baghetti (Ferrari, França-1961), Mario Andretti (Ferrari, África do Sul-1971), Jody Scheckter (Wolf, Argentina-1977), Nelson Piquet (Williams, Brasil-1986), Nigel Mansell (Ferrari, Brasil-1989), Alain Prost (Williams, África do Sul-1993), Giancarlo Fisichella (Renault, Austrália-2005), Kimi Raikkonen (Ferrari, Austrália-2007), Jenson Button** (Brawn, Austrália-2009) e Fernando Alonso (Ferrari, Bahrein-2010).

* Primeira corrida da história da F1.

** Button “permaneceu” na equipe que assumia o espólio de sua antiga escuderia, a Honda. Para efeitos estatísticos, a prova é contabilizada como uma estreia em uma equipe nova.

GP da Espanha, a terra de ninguém

Quem diria que o GP da Espanha, outrora considerada uma das etapas mais previsíveis de todo o calendário, seja marcado por um revezamento inédito entre as corridas atuais. O troféu de Barcelona passou de mão em mão feito batata quente por nada menos de dez pilotos nos últimos dez anos, sendo que nenhum deles conseguiu repetir uma vitória na prova de 2007 para cá.

Nas últimas dez edições da corrida, os seguintes pilotos triunfaram na Espanha: Kimi Raikkonen, Felipe Massa, Jenson Button, Mark Webber, Sebastian Vettel, Pastor Maldonado, Fernando Alonso, Lewis Hamilton, Nico Rosberg, e, agora, Max Verstappen.

Holanda, seja bem-vinda ao clube dos vencedores

Jos Verstappen (direita) subiu no pódio na Hungria, em 94
Jos Verstappen (direita) subiu no pódio na Hungria, em 94

Depois de 286 largadas na F1, a Holanda enfim consagra seu primeiro vencedor. O país se tornou o 22º a ter um representante no topo do pódio, empatado, agora, com Polônia (Robert Kubica, Canadá-2008) e Venezuela (Pastor Maldonado, Espanha-2012). O líder absoluto é a Grã-Bretanha, com 247 vitórias, lembrando que a estatística engloba ingleses, escoceses e norte-irlandeses.

Até então, um holandês havia subido no pódio da F1 somente uma vez, com o pai de Max, Jos Verstappen, cruzando em terceiro no GP da Hungria de 1994. Na corrida seguinte, na Bélgica, o piloto cruzou a linha de chegada em quarto, sendo promovido a terceiro com a desclassificação de Michael Schumacher. Como isso só veio a acontecer horas depois da prova, Verstappen não participou da cerimônia oficial.

Fim de longa sequência para a Alemanha

O triunfo de Verstappen e da Red Bull coloca um ponto final a uma sequência curiosa para a Alemanha: o país teve, nas 30 corridas anteriores, seu hino nacional tocado em todos nos pódios da F1.

Do GP da Itália de 2014 ao GP da Rússia de 2016, a F1 teve apenas três vencedores: os alemães Nico Rosberg e Sebastian Vettel e o inglês Lewis Hamilton, o que também trazia junto o hino da Alemanha por se tratar de um representante da Mercedes.

Oportunidades desperdiçadas para a Mercedes

O controverso acidente entre Lewis Hamilton e Nico Rosberg na volta de abertura do GP da Espanha impediu que a Mercedes igualasse uma marca histórica na F1. O time alemão parou em dez vitórias consecutivas na categoria, uma a menos do que o recorde absoluto, imposto pela McLaren de Ayrton Senna e Alain Prost na temporada de 88.

Spanish F1 Grand Prix

Mais do que isso, o abandono duplo colocou fim a uma série de incríveis 62 GPs seguidos com pelo menos um carro da Mercedes na zona de pontuação. A última vez em que nenhuma Flecha de Prata ficou entre as dez primeiras de uma prova havia sido no distante GP dos Estados Unidos de 2012. Neste quesito, a Ferrari lidera, com 81 provas (Alemanha-2010 a Cingapura-2014), à frente da McLaren, com 64 (Bahrein-2010 a Mônaco-2013).

Com isso, apenas dois pilotos conseguiram pontuar nas cinco provas de 2016 já realizadas: Valtteri Bottas e Felipe Massa. Entre as equipes, Williams e Ferrari foram as únicas a marcar pontos em todas as etapas.

Prêmio de consolação aos outros protegidos da Red Bull

Você pode ter certeza de que, tirando Verstappen, todos os outros pilotos Red Bull saíram de Barcelona com a cabeça inchada pela vitória do jovem holandês. No entanto, dois deles puderam ir para casa com marcas positivas para seus currículos.

Carlos Sainz fez corrida bastante sólida em seu país natal. A Toro Rosso #55 chegou a ocupar a terceira colocação no início da prova, e, depois de 66 voltas, recebeu a bandeirada na sexta posição – sua melhor colocação em sua carreira na categoria.

Já Daniil Kvyat foi mais discreto e acabou superado pelo espanhol por todo o fim de semana. Mesmo assim, o russo registrou, na 53ª passagem, a melhor volta da prova, a primeira em seu currículo.

Colaborou Leonardo Felix

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Bruno Ferreira

Sempre gostou de automobilismo e assiste às corridas desde que era criança. A paixão atingiu outro patamar quando viu – e ouviu – um carro de F1 ao vivo pela primeira vez. Depois disso, o gosto pelas corridas acabou se transformando em profissão. Iniciou sua trajetória como jornalista especializado em automobilismo em 2010, no mesmo ano em que se formou, quando publicou seu primeiro texto no site Tazio. De lá para cá, cobriu GPs de F1 no Brasil e no exterior, incluindo duas decisões de título (2011 e 2012), além de edições das 24 Horas de Le Mans e provas de categorias como Indy e WTCC.