Numerama #19: GP de Mônaco condena brasileiros a seca histórica na F1

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A F1 continuou com a maré de provas movimentadas e viu mais uma etapa cheia de alternativas em Mônaco. Daniel Ricciardo partiu da pole position e parecia destinado a vencer, mas viu um erro da Red Bull durante um pitstop abrir caminho para a primeira vitória de Lewis Hamilton em 2016.

Monte Carlo, além de ver a primeira pole da carreira do australiano, também representou o fim de um jejum para a Red Bull e de outro para Hamilton em Mônaco. Felipe Massa se manteve como o “rei da consistência” de 2016, mas, em contrapartida, os brasileiros inevitavelmente chegarão a uma marca negativa histórica na F1.

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Vamos então às principais estatísticas pós-GP de Mônaco com mais um NUMERAMA! E, como sempre, se você percebeu algo que deixamos passar, fique à vontade para mencionar nos comentários abaixo.

Com pole, Ricciardo emula Fittipaldi e Schumacher

Ricciardo quebrou longo jejum de poles da Red Bull (Red Bull)
Ricciardo quebrou longo jejum de poles da Red Bull (Red Bull)

Em seu 94º GP na F1, Daniel Ricciardo conquistou a primeira pole position de sua carreira na categoria. O australiano estreou na posição de honra do grid logo na prestigiosa corrida de Monte Carlo, algo que já havia acontecido com outros dez pilotos.

Juan Manuel Fangio (1950), Tony Brooks (1958), Jim Clark (1962), Jackie Stewart (1969), Emerson Fittipaldi (1972), John Watson (1977), Didier Pironi (1980), Michael Schumacher (1994), Heinz-Harald Frentzen (1997) e Jarno Trulli (2004) obtiveram suas primeiras poles em Mônaco.

Destes, Brooks, Fittipaldi, Watson, Pironi, e Schumacher já possuíam vitórias quando conquistaram a primeira pole no Principado – assim como Ricciardo, que já tem três triunfos no bolso. O piloto da Red Bull foi o 97º a largar na primeira posição de uma prova.

A primeira da Red Bull com os V6 turbo

Esta também foi a primeira pole position da Red Bull desde a introdução das unidades V6 turbo híbridas, em 2014. A última vez em que a equipe havia partido primeira posição foi com Sebastian Vettel, no GP do Brasil de 2013, prova que marcou a despedida dos antigos V8 aspirados.

Com isso, chegou ao fim uma sequência de poles da Mercedes que durava 11 provas, desde o GP do Japão de 2015. O recorde do time é de 23, entre 2014 e 2015, uma a menos do que a melhor marca absoluta (da Williams, que fez 24 entre 92 e 93).

Hamilton supera Senna em dois quesitos

Hamilton obteve sua segunda vitória em Mônaco (Mercedes)
Hamilton obteve sua segunda vitória em Mônaco (Mercedes)

Piloto do carro #44, Lewis Hamilton obteve sua 44ª vitória na F1. Foi a segunda vez em que o inglês subiu no topo do pódio monegasco – na outra, em 2008, a corrida também foi marcada pela chuva, e o inglês também partia da terceira posição do grid.

Mas a prova serviu para que Hamilton deixasse para trás em dois itens estatísticos seu ídolo Ayrton Senna. O tricampeão conquistou sua primeira vitória em 2016, o que faz com que ele tenha vencido na F1 pelo menos uma vez por dez anos consecutivos, contra nove anos do brasileiro. Hamilton igualou a marca de Alain Prost, mas ainda está distante do recorde absoluto, de Michael Schumacher, que venceu na F1 por 15 anos seguidos.

O GP de Mônaco de 2016 também foi a 87ª corrida em que Hamilton esteve na liderança. Em sua carreira, Senna esteve à frente do pelotão por ao menos uma volta em 86 provas. Assim, o inglês assume o segundo lugar absoluto, mas, novamente, ainda muito longe do primeiro colocado, Schumacher, que liderou 142 GPs.

Por fim, o triunfo em Monte Carlo deixou uma marca intacta para Hamilton: em uma década de F1, o inglês nunca chegou a ficar mais de dez GPs seguidos sem vencer. Do fim de 2015 para cá, o piloto passou oito provas em branco.

Domínio totalmente prateado em Monte Carlo

Desde 2013 só dá Mercedes em Mônaco (Mercedes)
Desde 2013 só dá Mercedes em Mônaco (Mercedes)

A vitória de Hamilton, mais as três obtidas por Nico Rosberg entre 2013 e 2015, deu à Mercedes seu quarto sucesso consecutivo no GP de Mônaco. A marca iguala ao feito da BRM, que levou a melhor no Principado em todos os anos entre 63 e 66.

A equipe que venceu mais vezes de forma seguida em Mônaco foi a McLaren. Entre 88 e 93, ou seja, em seis edições, só deu Alain Prost e Ayrton Senna no circuito de rua – no primeiro ano, o francês venceu após um acidente do brasileiro, mas, de 89 para frente, só deu Senna.

Mais um pódio para Pérez

Terceiro colocado na prova, Sergio Pérez conquistou seu sexto pódio na F1, igualando nomes como José Carlos Pace, Wolfgang von Trips, Jo Siffert e Luigi Fagioli. Agora, o mexicano tem em seu currículo dois segundos lugares e quatro terceiros.

O resultado também representou o quarto pódio da Force India, sendo que três deles foram de Pérez. O outro foi de Giancarlo Fisichella, que cruzou a linha de chegada em segundo lugar no GP da Bélgica 2009. O time deixa para trás nas estatísticas escuderias como Toleman, Penske e Prost.

Massa, o mais consistente de 2016

Massa levou mais um ponto para casa em 2016 (LAT Photographic)
Massa levou mais um ponto para casa em 2016 (LAT Photographic)

Como já virou tendência nos últimos anos, a Williams teve um rendimento para lá de discreto no GP de Mônaco. Felipe Massa marcou um pontinho com o décimo lugar, enquanto que Valtteri Bottas, duas posições atrás, ficou no zero.

O brasileiro e o finlandês eram até então os únicos a terem pontuado em todas as provas de 2016. Massa, agora, segue sozinho no posto. Foi a sétima prova seguida em que o vice-campeão de 2008 termina na zona de pontuação – sua maior sequência é de 13 corridas, entre o GP da Hungria de 2012 e o da China de 2013.

Marca negativa para o histórico brasileiro

Apesar dos esforços de Massa, o resultado do GP de Mônaco deixou o Brasil na iminência de alcançar uma marca negativa histórica na F1. Os pilotos do país passarão pelo maior período sem vitórias desde que Emerson Fittipaldi obteve o primeiro caneco brasileiro, no longínquo GP dos Estados Unidos de 1970.

LEIA TAMBÉM: Jejum brasileiro na F1 é longo e não tem data para acabar

No dia do GP de Mônaco, o Brasil chegou a 6 anos e 259 dias sem ter seu hino tocado no pódio. Como a próxima prova somente será em 12 de junho, a marca inevitavelmente alcançará 6 anos e 272 dias. Até então, o maior jejum era de 6 anos e 266 dias, desde a vitória de Senna no GP da Austrália de 1993 até o primeiro triunfo de Rubens Barrichello em 2000.

Vale lembrar que a marca citada refere-se somente ao período de tempo sem vitórias. Em número de GPs, a marca já foi superada há tempos: foi o 125º GP seguido de jejum brasileiro, contra 108 do período de 93 a 2000.

Debate Motor #29 analisa: Qual prova é mais importante, GP de Mônaco ou Indy 500?

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Bruno Ferreira

Sempre gostou de automobilismo e assiste às corridas desde que era criança. A paixão atingiu outro patamar quando viu – e ouviu – um carro de F1 ao vivo pela primeira vez. Depois disso, o gosto pelas corridas acabou se transformando em profissão. Iniciou sua trajetória como jornalista especializado em automobilismo em 2010, no mesmo ano em que se formou, quando publicou seu primeiro texto no site Tazio. De lá para cá, cobriu GPs de F1 no Brasil e no exterior, incluindo duas decisões de título (2011 e 2012), além de provas de categorias como Indy, WEC, WTCC e Stock Car.

  • ituano_voador

    E esse jejum de vitórias brasileiras só tende a piorar, pois a perspectiva de surgimento de um novo talento na F1 é mínima. O pessoal da CBA devia ficar orgulhoso pelo sucateamento do nosso automobilismo.

    • Dox

      Fala, Ituano.
      Como automobilismo é um esporte de elite, não vejo como uma federação poderia garimpar ou estimular o surgimento de feras no volante.
      Senna nunca correu de carro por aqui, e é nosso maior representante.
      Nunca houve interferência destes órgãos na criação de todos os nossos pilotos, e sempre tivemos uma estrutura fraca.
      O nosso maior problema é da população, em geral, que está numa gigantesca crise cultural e emocional, e ninguem vai produzir nada com qualidade.

      • ituano_voador

        A Federação deve promover categorias de base para formação de pilotos, especialmente o kart. Esse é o papel de uma federação. Senna não correu de monopostos por aqui, mas se formou no kart, foram sete anos no kart que o forjaram e o tornaram o campeão que foi. O kart sempre foi historicamente forte no Brasil desde os anos 60, mas hoje é uma categoria completamente abandonada. E é aí que está a grande omissão da CBA, responsável pelo estado de coisas que temos hoje. O moleque quer começara correr, faz o quê? Aqui não há absolutamente nada, então ele já deve começar a carreira fora do país, o que exige uma fábula de dinheiro. Aí morrem inúmeras promessas, e é por isso que hoje não há nomes brasileiros capazes de dar sequência à tradição do Brasil nas pistas.